Felmlee, D. I. Interaction in Social Networks (2006). In Delamater,J. (Ed.) Handbook of Social Psychology (pp.389-409). New York: Kluwer Academic/Plenum Publishers.
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Por Rodrigo Nejm e Felippe Thomaz
Sobre a autora:
DIANE H. FELMLEE é professora no Departamento de Sociologia da Universidade da Califórnia, Ph.D. pela University of Wisconsin. Suas pesquisas estão relacionadas aos temas: psicologia social, relacionamentos íntimos, processos grupais e amizade; sociologia dos gêneros; matemática sociológica, redes sociais e metodologia quantitativa.
Objetivos do capítulo: O capítulo busca abordar as contribuições da perspectiva teórica das redes sociais na Psicologia Social com abordagem mais próxima da psicologia social sociológica. Ao focar o estudo nas relações estabelecidas nas redes busca-se compreender as estruturas dos laços e a dinâmica das interações, contribuindo no debate sobre as relações indivíduo-sociedade e buscando ultrapassar a lacuna micro-macro na psicologia social. Na argumentação desenvolvida a autora discute os princípios da perspectiva das Redes Sociais, ilustra conceitos básicos das Redes Sociais, apresentada achados de pesquisas com grupos e na relação diádica para concluir com apontamentos sobre a agenda de pesquisa.
PRINCÍPIOS DA PERSPECTIVA DAS REDES SOCIAIS
1- A perspectiva Redes Sociais dá enfase às relações, aos laços, entre os atores. Diferentes tipos de relações são pontos de partida para pesquisa social;
2 - O comportamento dos atores é interdependente em relação aos demais atores da rede social;
3- O comportamento individual é influenciado pelo ambiente da rede: a rede social é um determinante básico dos comportamentos.
CONCEITOS DAS REDES SOCIAIS
Tamanho: não é tão simples de mensurar a extensão da rede. Há a Rede composta por membros que são percebidos como significantes, chamada rede psicológica, e a rede composta pelos membros efetivamente em interação rede interativa.
Densidade: proporção de ligações entre os atores em relação ao total possível.
Força: O volume de ligações entre os atores da rede pode variar em intensidade. Quando poucas ligações ou ligações indiretas entre os membros há "fracas ligações" que conectam os atores entre as redes e as diferentes redes.
Panelinha: Grupo exclusivo no qual todos tem relações com todos, formato fechado e mais restrito das ligações.
Centralidade: Um ator central é aquele que está envolvido em muitas ligações na rede e possui posição.
Transitividade: Rede transitiva ou intransitiva está relacionada à ligação entre os atores.
Equivalência: Dois atores são Estruturalmente equivalentes quando possuem as mesmas ligações com os demais atores da rede.
GRUPOS E COLETIVIDADES
As Pesquisas com grupos, comunidades e permitiram ampliar a teoria da rede social na perspectiva da Psicologia Social. Os conceitos destacados:
1) Transitividade e equilíbrio
2) Equivalência
3) weak ties -laços fracos
1) Transitividade e equilíbrio: Teoria do equilíbrio cognitivo Heider (1958). As pesquisas apontam que há maior ocorrência de tríades transitivas do que intransitivas já que as intransitivas são consideradas estressantes para os atores (equilíbrio cognitivo) ou evitam desigualdades. Outra possibilidade investigada é de que os atores haja uma tendência cognitiva para impor transitividade nas relações afiliativas para facilitar a interação.
As pesquisas sobre transitividade em tríades permitem também compreender as relações em grupos maiores e sugerem algumas implicações:
a) as ligações individuais são influenciadas por terceiros na rede. Mesmo as escolhas pessoais o são. As escolhas individuais de amizade estão em função das escolhas de amizades dos amigos.
b) Há relações entre as estruturas do nível macro do grupo e das estruturas do nível micro da tríade. A transitividade dos grupos pode estar relacionada à transitividade nas tríades e vice-versa.
2) Posição estrutural: categorização dos atores de acordo com sua equivalência estrutural na rede. Equivalência estrutural ocorre quando os atores tem as mesmas interligações na rede social.
a) a equivalência estrutural de posição pode ocorrer mesmo entre atores que não possuem ligações entre si, desde que possuem o mesmo conjunto de ligações numa posição equivalente.
b) A posição social pode ser definida em função do perfil de ligações sociais em múltiplas relações e não apenas única relação. Posição Social também está relacionada à diferentes tipos de ligações e não apenas um único tipo de ligação.
3) Laços Fracos: a inovação teórica de Granovetter (1973) apontou que os laços fracos em uma rede são de extrema importância para permitir o contato com novas informações, influência, mobilidade, oportunidades e comunicação. As ligações fortes e fechadas como a família e melhores amigos tendem a ter o mesmo tipo de informação compartilhada. Quanto mais diversificadas as ligações na rede e mais amplas, maior a possibilidade de obter novas informações e mobilidade. Esta teoria enfatiza que a posição estratégica dos atores na rede é fundamental para compreender a dinâmica interpessoal.
TRABALHO EMPÍRICO
Amizade: várias pesquisas empíricas estudaram os tipos de ligação de amizade aos longo das últimas décadas.
1950 - Proximidade como fator determinante das ligações
1961 - Similaridade de idade, "histórico" e atitudes influenciam as conexões
1991 - "Paradoxo tamanho da classe" - a maior parte das pessoas tem menos amigos do que seus amigos tem. Outro achado é que os indivíduos costumam super valorizar (self-serving) sua popularidade ao compará-la com a de seus amigos.
1992 - Igualitarismo, sociabilidade e religiosidade como fatores determinantes nas redes de amizades em grupo de adultos de 55 anos
1991 - Nas relações de trabalho, atores que possuem maior proporção de amizade além do trabalho são mais efetivas em situações de crise
2001 - Homofilia - similaridade gera conexão. As redes pessoais tendem a ser homogeneas de acordo com diferentes aspectos sociodemográficos e comportamentais. As maiores barreiras para o desenvolvimento de ligações em redes sociais são aquelas ligadas a diferenças étnicas e de raça, seguidas das diferenças de idade, religião, educação e gênero.
INFLUÊNCIA SOCIAL
A proximidade entre dois membros da rede está associada aos níveis de influencia interpessoal, sendo a proximidade definida pela medida da coesão estrutural, com ênfase na conectividade ou pela medida de equivalência dos laços interpessoais. Estas pesquisas apontam as mudanças de escolha são também fortemente influenciadas pela estrutura da rede social dos grupos, sendo que certos membros possuem maior influência do que os outros na formação de opiniões.
SUPORTE SOCIAL
Há indícios de que a rede social influencia a saúde das pessoas, especialmente na saúde mental. Pessoas com mais ligações de confiança e com percepção da disponibilidade de suporte nas redes sociais tendem a lidar melhor com as situações estressantes.
Há também pesquisas que apontam forte ligação entre o suporte da rede com a autoestima, felicidade e satisfação com a vida. Estudos apontam que a qualidade das ligações está mais correlacionada ao bem estar do que a quantidade. A quantidade de contatos com amigos é mais importante do que a com familiares por serem voluntárias e mais controláveis.
A Influência Social nas redes é multifacetada e engloba diferentes tipos como: apoio emocional, apoio financeiro...
REDE INTERNET
A Internet oferece uma gama enorme de possibilidades para os estudos de redes sociais. Há pesquisas que apontam a Internet como influenciando o senso de conectividade e de satisfação. Alguns associam o uso intenso da Internet com depressão e solidão, mas há muitos críticas pois outros estudos apontam o contrário ao constatar que a Internet permite ampliar as conexões e os laços. Faltam estudos sobre a densidade da conexões, a força dos laços e a distribuição de poder nas redes.
RELAÇÕES DIÁDICAS
Pesquisadores encontraram a influência da rede social nas relações mais íntimas entre pares em diferentes estágios, podendo ser efeitos comportamentais, cognitivos e afetivos.
Comportamental: a rede social pode oferecer "oportunidades" para que os indivíduos fiquem juntos ou barreiras que dificultam a interação.
Cognitiva: os membros da rede podem prover "informações" positivas ou negativas sobre um potencial amigo ou parceiro de forma a afetar a probabilidade de a díade ser formada.
Afetiva: Amigos e familiares influenciam as relações mais próximas no aspecto a partir das "reações" afetivas em relação aos amigos e parceiros.
As redes sociais também influenciam amplamente os relacionamentos nos âmbitos do:
- Início de relacionamentos
- Regras sociais de relacionamentos
- Díades fechadas e mudanças na composição da rede
- Relacionamentos, bem estar e estabilidade
Oportunidades e barreiras são produzidas na rede social de forma a ampliar ou evitar o aprofundamento das relações diádicas.
As informações que circulam na rede social também são vitais para a qualidade e durabilidade dos relacionamentos ao permitir a redução da incerteza.
Reações: a aprovação afetiva de pessoas significativas influencia o desenvolvimento dos relacionamentos. Interacionistas simbólicos apontam que as reações sociais formatam o senso de identidade do par. Algumas pesquisas apontam que nem sempre o suporte da rede social fortalece o relacionamento já que o "Efeito Romeu e Julieta" indica que os relacionamentos podem se fortalecer também quando há forte oposição dos atores da rede social.
Apesar de haver poucas pesquisas há indícios de que as díades fechadas e os casais também influenciam as redes sociais, intencionalmente ou não.
CONCLUSÕES
Estrutura e processos das Redes: Ainda faltam estudos mais aprofundados para apontam como os processos e a estrutura das redes influenciam os fenômenos da psicologia social. Dificuldades instrumentais e de coleta de dados sobre as redes sociais. Variedade de estratégias e dificuldade de investigação da dinâmica da estrutura das redes sociais que podem apontar com mais detalhes a a participação das redes na vida dos atores.
A sombra das redes: são poucos estudos nos efeitos negativos que as redes sociais produzem nos relacionamentos e na vida das pessoas. Ao invés de focar apenas nas oportunidades e nos efeitos de suporte das redes, é importante pesquisar mais os efeitos da negligência, da oposição e da superproteção.
O mesmo no âmbito das informações. Os efeitos de rumores e fofocas que fluem nas redes são menos estudadas do que os demais aspectos das informações.
Em relação aos aspectos afetivos há também poucos estudos sobre "inimizade" e sobre boicotes nas ligações nos relacionamentos afetivos.
AGÊNCIA
Os indivíduos influenciando suas redes. Remete ao complexo debate sobre o papel da agência humana versus a força da estrutura social influenciando os comportamentos individuais. Apesar de haver esforços de integração agência-redes, a maior parte dos estudos ainda focam no papel das redes sociais. Os indivíduos buscam influenciar suas redes para criar ou manter um ambiente de suporte. A diversidade de conceitos são estudados independentemente e é preciso uma maior integração para fortalecer as redes sociais como campo de estudos na psicologia social.
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