quinta-feira, 10 de maio de 2012

Questões enviadas pelos alunos relacionadas aos textos

Felmlee, D. I. Interaction in Social Networks (2006). In Delamater,J. (Ed.) Handbook of Social Psychology (pp.389-409). New York: Kluwer Academic/Plenum Publishers.


ALLAN, Graham. Social networks and personal communities. In A.L. Vangelisti, & D. Perlman. The Cambridge Handbook of Personal Relationships, 2006 (p.657-671).

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Quais situações ou fatores podem ser considerados como os mais influentes para o individuo, na sua decisão de reconfigurar a sua rede de relacionamentos ou simplesmente sair de uma ou entrar em outra?


Que fatores exógenos são capazes de influenciar nas mudanças das decisões do grupo de acordo com o modelo dos efeitos da rede?

Porque as relações entre as pessoas devem ser abordadas dentro de um determinado contexto?

As redes sociais concorrem para a estratificação da sociedade. Que beneficios se pode esperar para os dias de hoje?

Nos conteúdos referentes a Grupos, Coletividades e Redes Sociais fiquei propenso a fazer correlações com os textos das últimas aulas, em especial o que ficou sob a minha responsabilidade para apresentação. Desse modo, minha primeira questão decorre das possibilidades e limites de aproximação das ideias do texto com a Teoria das identidades Sociais.

E, no tocante ao desenvolvimento das dinâmicas intergrupais, como reconhecemos / avaliamos as possibilidades de inter-relação entre os conceitos de centralidade, transitividade e cliques (presente no texto), e os comportamentos sociais relacionados à diferenciação positiva (oriundo da Teoria das Identidades Sociais)?

A abordagem das redes sociais foca naquilo que se chama de microrrelações, algo que, muitas vezes, é visto como algo menor nas ciências humanas sob o argumento de que as ações humans estão inseridas em um contexto maior. Neste sentido, seria insuficiente estudar as relações humanas a partir das microrrelações. Mas será que certos resultados obtidos de estudos que investigam as microrrelações não refletem ou, até mesmo, podem servir de meios para a revisão e a modificação das macrorrelações?

Segundo os resultados das pesquisas na abordagem das redes sociais, fatores raciais, gênero e idade continuam exercendo influência nas relaçãoes, assim como nos resultados de estudos de outras abordagens da psicologia social. Isso não seria mais uma evidência de que relações mais amplas e básicas também poderiam ser entendidas a partir das microrrelações?

Considerando a abordagem "Social Convoy" (que é referente as transferências e como o próprio Antonucci coloca que são estudos vindo da gerontologia e das temáticas sobre envelhecimento e tem foco em perceber em como os indivíduos articulam-se cercados por pessoas bem proximas e importantes para elas e que tenha uma influencia critica na sua vida e bem estar), há alguma relação conceitual com a transferência psicanalítica? 

Dentro das subareas do trabalho empírico, sobre a interação das redes sociais, o "Social Support", por ser aspecto das redes sociais que influência na saúde dos indivíduos, inclusive mental, viria a ser utilizada enquanto uma estratégia de enfrentamento a discriminações e exclusões sociais, por exemplo? 

Qual é a importância de se compreender os processos de alterações das redes sociais (membros, centralidade e densidade)?

Uma subárea da perspectiva de redes sociais é a relação diádica. Quais são as reações positivas e negativas que esse tipo de relação pode ocasionar?

De que maneira as transições no ciclo de vida impactam em mudanças nas redes sociais? 

Como, atualmente, o advento das redes sociais midiáticas, influenciam na configuração das comunidades pessoais dos sujeitos? 

Como se dá a relação entre os três princípios da perspectiva das redes sociais e a abordagem da Psicologia Social?

Fichamento - Redes Sociais

Felmlee, D. I. Interaction in Social Networks (2006). In Delamater,J. (Ed.) Handbook of Social Psychology (pp.389-409). New York: Kluwer Academic/Plenum Publishers.

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Por Rodrigo Nejm e Felippe Thomaz


Sobre a autora:
DIANE H. FELMLEE é professora no Departamento de Sociologia da Universidade da Califórnia, Ph.D. pela University of Wisconsin. Suas pesquisas estão relacionadas aos temas: psicologia social, relacionamentos íntimos, processos grupais e amizade; sociologia dos gêneros; matemática sociológica, redes sociais e metodologia quantitativa.

Objetivos do capítulo: O capítulo busca abordar as contribuições da perspectiva teórica das redes sociais na Psicologia Social com abordagem mais próxima da psicologia social sociológica. Ao focar o estudo nas relações estabelecidas nas redes busca-se compreender as estruturas dos laços e a dinâmica das interações, contribuindo no debate sobre as relações indivíduo-sociedade e buscando ultrapassar a lacuna micro-macro na psicologia social. Na argumentação desenvolvida a autora discute os princípios da perspectiva das Redes Sociais, ilustra conceitos básicos das Redes Sociais, apresentada achados de pesquisas com grupos e na relação diádica para concluir com apontamentos sobre a agenda de pesquisa.

PRINCÍPIOS DA PERSPECTIVA DAS REDES SOCIAIS
1- A perspectiva Redes Sociais dá enfase às relações, aos laços, entre os atores. Diferentes tipos de relações são pontos de partida para pesquisa social;
2 - O comportamento dos atores é interdependente em relação aos demais atores da rede social;
3- O comportamento individual é influenciado pelo ambiente da rede: a rede social é um determinante básico dos comportamentos.

CONCEITOS DAS REDES SOCIAIS
Tamanho: não é tão simples de mensurar a extensão da rede. Há a Rede composta por membros que são percebidos como significantes, chamada rede psicológica, e a rede composta pelos membros efetivamente em interação rede interativa.
Densidade: proporção de ligações entre os atores em relação ao total possível.
Força: O volume de ligações entre os atores da rede pode variar em intensidade. Quando poucas ligações ou ligações indiretas entre os membros há "fracas ligações" que conectam os atores entre as redes e as diferentes redes.
Panelinha: Grupo exclusivo no qual todos tem relações com todos, formato fechado e mais restrito das ligações.
Centralidade: Um ator central é aquele que está envolvido em muitas ligações na rede e possui posição.
Transitividade: Rede transitiva ou intransitiva está relacionada à ligação entre os atores.
Equivalência: Dois atores são Estruturalmente equivalentes quando possuem as mesmas ligações com os demais atores da rede.

GRUPOS E COLETIVIDADES
As Pesquisas com grupos, comunidades e permitiram ampliar a teoria da rede social na perspectiva da Psicologia Social. Os conceitos destacados:
1) Transitividade e equilíbrio
2) Equivalência
3) weak ties -laços fracos
1) Transitividade e equilíbrio: Teoria do equilíbrio cognitivo Heider (1958). As pesquisas apontam que há maior ocorrência de tríades transitivas do que intransitivas já que as intransitivas são consideradas estressantes para os atores (equilíbrio cognitivo) ou evitam desigualdades. Outra possibilidade investigada é de que os atores haja uma tendência cognitiva para impor transitividade nas relações afiliativas para facilitar a interação.
As pesquisas sobre transitividade em tríades permitem também compreender as relações em grupos maiores e sugerem algumas implicações:
a) as ligações individuais são influenciadas por terceiros na rede. Mesmo as escolhas pessoais o são. As escolhas individuais de amizade estão em função das escolhas de amizades dos amigos.
b) Há relações entre as estruturas do nível macro do grupo e das estruturas do nível micro da tríade. A transitividade dos grupos pode estar relacionada à transitividade nas tríades e vice-versa.
2) Posição estrutural: categorização dos atores de acordo com sua equivalência estrutural na rede. Equivalência estrutural ocorre quando os atores tem as mesmas interligações na rede social.
a) a equivalência estrutural de posição pode ocorrer mesmo entre atores que não possuem ligações entre si, desde que possuem o mesmo conjunto de ligações numa posição equivalente.
b) A posição social pode ser definida em função do perfil de ligações sociais em múltiplas relações e não apenas única relação. Posição Social também está relacionada à diferentes tipos de ligações e não apenas um único tipo de ligação.
3) Laços Fracos: a inovação teórica de Granovetter (1973) apontou que os laços fracos em uma rede são de extrema importância para permitir o contato com novas informações, influência, mobilidade, oportunidades e comunicação. As ligações fortes e fechadas como a família e melhores amigos tendem a ter o mesmo tipo de informação compartilhada. Quanto mais diversificadas as ligações na rede e mais amplas, maior a possibilidade de obter novas informações e mobilidade. Esta teoria enfatiza que a posição estratégica dos atores na rede é fundamental para compreender a dinâmica interpessoal.

TRABALHO EMPÍRICO
Amizade: várias pesquisas empíricas estudaram os tipos de ligação de amizade aos longo das últimas décadas.
1950 - Proximidade como fator determinante das ligações
1961 - Similaridade de idade, "histórico" e atitudes influenciam as conexões
1991 - "Paradoxo tamanho da classe" - a maior parte das pessoas tem menos amigos do que seus amigos tem. Outro achado é que os indivíduos costumam super valorizar (self-serving) sua popularidade ao compará-la com a de seus amigos.
1992 - Igualitarismo, sociabilidade e religiosidade como fatores determinantes nas redes de amizades em grupo de adultos de 55 anos
1991 - Nas relações de trabalho, atores que possuem maior proporção de amizade além do trabalho são mais efetivas em situações de crise
2001 - Homofilia - similaridade gera conexão. As redes pessoais tendem a ser homogeneas de acordo com diferentes aspectos sociodemográficos e comportamentais. As maiores barreiras para o desenvolvimento de ligações em redes sociais são aquelas ligadas a diferenças étnicas e de raça, seguidas das diferenças de idade, religião, educação e gênero.

INFLUÊNCIA SOCIAL
A proximidade entre dois membros da rede está associada aos níveis de influencia interpessoal, sendo a proximidade definida pela medida da coesão estrutural, com ênfase na conectividade ou pela medida de equivalência dos laços interpessoais. Estas pesquisas apontam as mudanças de escolha são também fortemente influenciadas pela estrutura da rede social dos grupos, sendo que certos membros possuem maior influência do que os outros na formação de opiniões.

SUPORTE SOCIAL
Há indícios de que a rede social influencia a saúde das pessoas, especialmente na saúde mental. Pessoas com mais ligações de confiança e com percepção da disponibilidade de suporte nas redes sociais tendem a lidar melhor com as situações estressantes.
Há também pesquisas que apontam forte ligação entre o suporte da rede com a autoestima, felicidade e satisfação com a vida. Estudos apontam que a qualidade das ligações está mais correlacionada ao bem estar do que a quantidade. A quantidade de contatos com amigos é mais importante do que a com familiares por serem voluntárias e mais controláveis.
A Influência Social nas redes é multifacetada e engloba diferentes tipos como: apoio emocional, apoio financeiro...

REDE INTERNET
A Internet oferece uma gama enorme de possibilidades para os estudos de redes sociais. Há pesquisas que apontam a Internet como influenciando o senso de conectividade e de satisfação. Alguns associam o uso intenso da Internet com depressão e solidão, mas há muitos críticas pois outros estudos apontam o contrário ao constatar que a Internet permite ampliar as conexões e os laços. Faltam estudos sobre a densidade da conexões, a força dos laços e a distribuição de poder nas redes.

RELAÇÕES DIÁDICAS
Pesquisadores encontraram a influência da rede social nas relações mais íntimas entre pares em diferentes estágios, podendo ser efeitos comportamentais, cognitivos e afetivos.
Comportamental: a rede social pode oferecer "oportunidades" para que os indivíduos fiquem juntos ou barreiras que dificultam a interação.
Cognitiva: os membros da rede podem prover "informações" positivas ou negativas sobre um potencial amigo ou parceiro de forma a afetar a probabilidade de a díade ser formada.
Afetiva: Amigos e familiares influenciam as relações mais próximas no aspecto a partir das "reações" afetivas em relação aos amigos e parceiros.
As redes sociais também influenciam amplamente os relacionamentos nos âmbitos do:
- Início de relacionamentos
- Regras sociais de relacionamentos
- Díades fechadas e mudanças na composição da rede
- Relacionamentos, bem estar e estabilidade
Oportunidades e barreiras são produzidas na rede social de forma a ampliar ou evitar o aprofundamento das relações diádicas.
As informações que circulam na rede social também são vitais para a qualidade e durabilidade dos relacionamentos ao permitir a redução da incerteza.
Reações: a aprovação afetiva de pessoas significativas influencia o desenvolvimento dos relacionamentos. Interacionistas simbólicos apontam que as reações sociais formatam o senso de identidade do par. Algumas pesquisas apontam que nem sempre o suporte da rede social fortalece o relacionamento já que o "Efeito Romeu e Julieta" indica que os relacionamentos podem se fortalecer também quando há forte oposição dos atores da rede social.
Apesar de haver poucas pesquisas há indícios de que as díades fechadas e os casais também influenciam as redes sociais, intencionalmente ou não.

CONCLUSÕES
Estrutura e processos das Redes: Ainda faltam estudos mais aprofundados para apontam como os processos e a estrutura das redes influenciam os fenômenos da psicologia social. Dificuldades instrumentais e de coleta de dados sobre as redes sociais. Variedade de estratégias e dificuldade de investigação da dinâmica da estrutura das redes sociais que podem apontar com mais detalhes a a participação das redes na vida dos atores.
A sombra das redes: são poucos estudos nos efeitos negativos que as redes sociais produzem nos relacionamentos e na vida das pessoas. Ao invés de focar apenas nas oportunidades e nos efeitos de suporte das redes, é importante pesquisar mais os efeitos da negligência, da oposição e da superproteção.
O mesmo no âmbito das informações. Os efeitos de rumores e fofocas que fluem nas redes são menos estudadas do que os demais aspectos das informações.
Em relação aos aspectos afetivos há também poucos estudos sobre "inimizade" e sobre boicotes nas ligações nos relacionamentos afetivos.

AGÊNCIA
Os indivíduos influenciando suas redes. Remete ao complexo debate sobre o papel da agência humana versus a força da estrutura social influenciando os comportamentos individuais. Apesar de haver esforços de integração agência-redes, a maior parte dos estudos ainda focam no papel das redes sociais. Os indivíduos buscam influenciar suas redes para criar ou manter um ambiente de suporte. A diversidade de conceitos são estudados independentemente e é preciso uma maior integração para fortalecer as redes sociais como campo de estudos na psicologia social.

Fichamento - Redes Sociais

ALLAN, Graham. Social networks and personal communities. In A.L. Vangelisti, & D. Perlman. The Cambridge Handbook of Personal Relationships, 2006 (p.657-671).

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Por Felippe Thomaz e Rodrigo Nejm


Sobre o autor:
GRAHAM ALLAN é PhD pela Universidade de Essex, na Inglaterra. Sua área de estudo se volta à sociologia das relações informais, sociologia da amizade e sociologia comunitária, incluindo redes sociais. Atualmente é professor de sociologia na Keele University, no Reino Unido.

Objetivos do capítulo: Propõe uma reflexão acerca das redes sociais e das comunidades pessoais, trazendo à baila algumas discussões anteriores neste sentido. Evidencia metodologias adotadas em pesquisas deste campo teórico e discute algumas referências no que se refere ao conceito de modernidade tardia e os reflexos desta configuração social na constituição das redes sociais e das comunidades pessoais, contemplando também alguns tópicos relacionados à criação identitária neste contexto.

Argumentação Central: O artigo de Allan se volta à compreensão do contexto dos relacionamentos pessoais, caracterizados nas redes sociais e nas comunidades pessoais. Neste sentido, investiga como as relações construídas pelo indivíduo fazem referência a outras comunidades e, de que forma, estas emprestam uma série de modelos através dos quais estas relações se dão. Além disso, atenta aos contextos sociais e econômicos como influenciadores neste processo, implicando na configuração da rede social e na própria construção do self.

Tópico 1 - Introduction:
Inicialmente, Allan se propõe a situar o estudo das relações humanas em um sentido mais social que individual, evidenciando a mudança de perspectiva no campo de pesquisa. Parte de uma distinção entre a preocupação com as propriedades do indivíduo para a uma abordagem mais geral, examinando a interação e as relações entre as pessoas. Baseando-se nesta premissa, afirma, de antemão, que as relações não ocorrem isoladamente, mas se constituem em um contexto mais amplo –embora assuma o conceito de “contexto” como algo impreciso e generalista. Neste sentido, ressalta necessidade dos pesquisadores em considerar os diferentes níveis de contexto em que as relações se dão, no intuito de precisar de que maneira esta “constelação de relações” se configura. Ou seja, como se constituem as interações dentro de determinadas relações e como estas interações se dão entre redes sociais distintas (embora faça uma descrição do conceito de “redes” no tópico subsequente). Portanto,segundo o autor, as relações são resultado de um somatório de influências de outras relações nas quais o indivíduo está envolvido.
Em seguida parte à descrição da estrutura do trabalho. Num primeiro momento, discute as principais tradições na pesquisa acerca das redes sociais. Em seguida, atenta ao estudo do desenvolvimento de relações, revisando propostas de autores anteriores e discutindo aspectos metodológicos envolvidos nestes trabalhos. Posteriormente, concentra a análise nas maneiras pelas quais estas relações se modificam a partir das mudanças no nível individual (alterações na vida das pessoas) e como o contexto social e econômico influenciam tais relações.

Tópico 2 – Conceptualizing Network:
No presente tópico, Allan discute algumas tradições acadêmicas voltadas à investigação das redes sociais, destacando, primeiramente, a relevância da antropologia britânica (de onde, inclusive, o conceito “rede social” obteve notoriedade). Destaca a contribuição de John Barnes como o primeiro a utilizar o conceito para caracterizar a estrutura de relações existentes em determinado agrupamento social na Noruega. Ressalta ainda a tradição norteamericana através do trabalho de Bott, que pensou a análise de redes sob um viés sociológico mais matemático que antropológico (posteriormente, no artigo, apresenta ramificações do trabalho de Bott em outras correntes). Ainda derivados de uma perspectiva matemática na reflexão acerca das redes sociais, teóricos como White, Boorman e Brieger e Burt são destacados por Allan devido à exploração que fizeram das características estruturais e das propriedades das redes, no intuito de fornecer maior precisão ao recente ainda campo de estudos. A relevância destes estudos se deve, principalmente ao fato de mapear sucintamente as relações de maneira a possibilitar uma análise estrutural destas interações. Em linhas gerais, as observações permitiram afirmar que diferentes configurações de rede levam a diferentes padrões comportamentais.
Além das contribuições acima citadas, o trabalho de Barry Wellman é trazido por Allan como um dos mais importantes no campo da análise de redes na perspectiva das relações pessoais. Wellman afirmou que uma aproximação das redes é fundamental na compreensão da relevância que as relações pessoais exercem na sociedade contemporânea. Tal autor esteve particularmente centrado na investigação dos meios pelos quais os indivíduos se integram na vida social e como os aspectos de “comunidade” foram se transformando. Neste sentido, aponta para a necessidade de uma aproximação empírica das várias relações sustentadas pelos indivíduos, mapeando-as como redes que podem ser analisadas de maneira mais flexível do que a noção de comunidade. Daí emerge o termo “comunidades pessoais”, trazido por Wellman, em que a ideia básica consiste na presunção de que pessoas diferentes possuem distintas configurações de relações. Enquanto alguns estão envolvidos em “redes densas” (os participantes possuem um alto nível de interação entre si), outros fazem parte de redes com vários subconjuntos de relações (interagentes se conhecem, mas mantêm poucas relações entre si). Ainda evidencia-se as relações isoladas, nas quais os indivíduos pouco interagem. Estas classificações preliminares oferecem contribuições à compreensão das relações pessoais e a consequente integração social.
Assim como Bott, Wellman julga necessária uma aproximação da configuração das relações interpessoais mantidas nas “personal communities”. Desta maneira, investiga a configuração dos laços entre os interagentes como elemento central na compreensão deste agrupamentos. A partir daí, propõe uma diferenciação entre os tipos de rede como forma de precisar as particularidades das relações e os consequentes reflexos no comportamento dos indivíduos.  Para tanto, destaca algumas características como densidade (o número de “links” em uma rede como proporção da totalidade de conexões possíveis), o grau de agrupamento (conjuntos de indivíduos mais conectados entre si e menos conectados com outros membros da rede) e a centralidade (a extensão de links diretos entre participantes da rede). Estas classificações não se mostram preocupadas tão somente com a existência de links entre os indivíduos, mas procuram elucidar características que estas conexões possuem.

Tópico 3 – Ego-Centered Networks:
Allan inicia a discussão relativa a este tópico evidenciando, mais uma vez, características da “social network school”, da qual Wellman é expoente. Tal perspectiva teórica requer informações detalhadas sobre o alcance dos laços nos quais o indivíduo está envolvido, além de examinar as relações entre os demais participantes desta rede.
Em seguida, destaca que onde “social networks” são discutidas, o termo tende a representar o conjunto de relações sustentadas por um indivíduo. Esta noção é também chamada de personal network, ego-centered network ou ego-centric network. O conceito abarca a ideia de personal community de Wellman sem, no entanto, considerar os laços que conectam os outros na rede. Ainda no exercício de releitura de correntes teóricas anteriores, Allan apresenta quatro configurações de redes pessoais segundo o trabalho de Milardo (1992), são elas: a) rede de outros significativos (importantes para a vida do indivíduo; família, amigos próximos etc.); b) redes de troca (em uma perspectiva mais funcionalista, consiste nas relações de troca de apoio entre os indivíduos); c) redes interativas (aqueles com quem a pessoa interage com regularidade); d) redes globais (conhecidos em geral). Como Milardo observa, tais redes são construídas distintamente, sugerindo diferentes tipos de questionamento. Estas distinções preliminares fornecem apoio à compreensão das diferentes configurações de redes sociais na maneira como são desenvolvidas, mantidas e padronizadas. Geralmente, tais processos são enquadrados em uma perspectiva diádica.
Além desta abordagem, há a contribuição de Sprecher, Felmlee, Orbuch e Willetts, no tocante ao impacto das redes sobre os comportamentos dos indivíduos envolvidos no grupo. Em sua observação, distinguem três modos pelos quais as redes sociais influenciam as relações: oportunidade, informação e apoio. Através de observações em situações matrimoniais, autores observaram que relações diádicas não estão isoladas, mas enredadas em uma série de configurações que fornecem suporte a outras relações. Em suma, o conjunto de relacionamentos nos quais as pessoas se inserem influenciam  seu comportamento de maneira significativa.

Tópico 4 – The “Social Convoy” Approach:
A partir da necessidade de fazer um recorte preciso dos relacionamentos para posterior análise, Bott (1957) pensou um método, por meio de entrevista, no qual visava identificar os “conhecidos” do respondente (sem uma explanação mais aprofundada sobre a que remete o termo “conhecidos”). A partir desta investigação preliminar, voltou-se à comparação entre as propriedades que compõem os relacionamentos pessoais e ao processo de padronização das comunidades pessoais.
Allan evidencia o método de investigação adotado por Knipscheer, de Jong Gierveld, van Tilburg, and Dykstra (1995) que, de maneira geral, consistiu em uma série de questões sobre diferentes domínios de atividade social (ambiente de trabalho, doméstico, amigos etc.). Em cada um destes campos, questionou-se acerca das relações que eles mantinham. O método foi produtivo, oferecendo dados que permitiram uma ampla quantidade de estudos posteriores, incluindo a possibilidade de replicar esta metodologia em outros contextos.
Uma outra forma de investigar as dinâmicas sociais foi pensada por Antonucci e seus colegas. Denominada “modelo do comboio social” (social convoy model), este método destacou-se devido à simplicidade na coleta de dados e na influência que exerceu, principalmente no campo da gerontologia. A ideia consiste na investigação acerca do movimento do indivíduo por diversos grupos sociais ao longo da vida e os reflexos provenientes destes agrupamentos em sua conduta. Resumidamente, o modelo define três círculos concêntricos, ao centro está “você”. Os círculos mais próximos do núcleo são os laços mais íntimos (“pessoas que são difíceis de imaginar viver sem”); o círculo do meio compreende as pessoas menos próximas, no entanto, “muito importantes”; por sua vez, o círculo externo agrupa as pessoas que não são próximas e que possuem um grau de importância que permita incluir em “sua” rede. O resultado é uma representação visual dos relacionamentos estabelecidos por um indivíduo. O modelo do comboio social fornece desdobramentos interessantes a investigações futuras, no momento em que une a simplicidade de seu modo de investigação à possibilidade de questionamentos posteriores (sobretudo no âmbito dos “links”), a partir da representação visual obtida. Além disso, o método permite um acompanhamento da investigação, coletando dados em diferentes momentos no intuito de fazer uma comparação temporal no tocante aos laços mantidos pelos indivíduos.
Allan ainda ressalta que, a partir deste método, é possível questionar por que as comunidades pessoais se estruturam da maneira como o fazem, qual o papel de diferentes fatores sociais e pessoais (idade, gênero, etnia, posição social etc.) na manutenção destes círculos, quais as consequências das diversas comunidades pessoais sobre os indivíduos, de que maneira estes padrões se modificam ao longo do tempo, dentre outros tópicos passíveis de reflexão. As mudanças nos “mundos microssociais” (Pahl & Spencer, 2004) são abordadas no tópico subsequente.

Tópico 5 – Changes in Personal Network:
Este tópico ressalta a aplicabilidade do modelo do comboio social em uma perspectiva temporal, com a entrada e saída de pessoas nos “círculos” do indivíduo ao curso da vida. No entanto, aponta para algumas limitações nestes estudos, sobretudo no enquadramento funcional que adotam (na gerontologia, por exemplo, a preocupação se volta ao apoio dado aos idosos ao longo do tempo), pouco considerando as mudanças nas comunidades pessoais em si.
Allan apresenta outros estudos que observaram os impactos da “história natural” das comunidades pessoais. Eventos como mudança de casa, uma promoção no trabalho e a chegada de um novo filho, por exemplo, seriam influenciadoras de uma série de práticas sociais que, por sua vez, seriam revertidas à criação e manutenção de relações. Quem o indivíduo vê com frequência, para quem destina seu tempo e como atende aos diferentes relacionamentos são pontos enquadrados na perspectiva da natural history of personal communities.

Tópico 6 – Late Modernity and Network Change:
Considerar as circunstâncias socioeconômicas nas comunidades pessoais é fundamental para a compreensão das modificações nas práticas sociais da contemporaneidade. Trazendo o conceito de modernidade tardia, Allan afirma que as mudanças na vida pessoal dos indivíduos é algo mais comum e que esta nova dinâmica infere diretamente na maneira como este se situa e organiza em uma coletividade. As mudanças na estrutura familiar, nos vínculos empregatícios, a maior facilidade de trânsito constituem aspectos essenciais à compreensão do conceito de modernidade tardia. Neste sentido, a individualização da sociedade e a maior aceitação no rompimento de tradições oferecem mais possibilidades de escolha sobre a maneira como desejam viver. Obviamente, esta liberdade não é total, pois esbarra nas restrições econômicas e sociais vigentes.
Observa-se, neste ínterim, que a noção do indivíduo como circunscrito em diversos círculos e profundamente dependente deles se altera em sua raiz. Segundo a afirmação de Pescosolido & Rubin (2000), os indivíduos se encontram fora destes círculos e suas conexões com as instituições são múltiplas e temporárias. Esta brevidade no pertencimento às instituições refletem, a um nível mais pessoal, a própria modificação nas relações interpessoais. A flexibilidade na construção de um estilo de vida infere diretamente na possibilidade de destacar diversos elementos da identidade em contextos e tempo distintos.
Allan ainda aponta para três fatores no tocante às questões levantadas acima: a) uma vez que os indivíduos possuem maior liberdade sobre seu estilo de vida, as decisões não são tomadas isoladamente, mas mediante o apoio (ou restrição) dos conjuntos de relacionamentos nos quais está inserido; b) relacionamentos pessoais podem desempenhar um papel importante em auxiliar a adaptação das identidades (atento, pois, à classificação de identidades, no plural, conforme Allan) às diversas circunstâncias; c) é mais fácil priorizar as relações em que há um nível de similaridade entre os indivíduos, assim como estes indivíduos têm a possibilidade de destacar diferentes elementos do self a partir das “exigências” de contextos diferentes.
Allan destaca ainda a contribuição de Giddens nas observações feitas acerca dos processos de criação identitária em uma estrutura maior –que, inversamente, é sustentada por estas microrrelações estabelecidas rotineiramente.

Tópico 7 - Conclusion:
O trabalho de Graham Allan se volta, em linhas gerais, a uma releitura de estudos acerca das redes sociais e das comunidades pessoais, argumentando que as relações são padronizadas por outros relacionamentos nos quais estão envolvidas. Desta forma, não compreende as relações como constructos isolados, mas, por outro lado, como dependentes de um contexto mais amplo que se apresenta nos demais agrupamentos relacionados.
Considera os contextos sociais e econômicos da modernidade tardia e discute como as dinâmicas sociais se modificam a partir derivadas desta estrutura. Os reflexos do  rompimento de tradições nas comunidades pessoais e a própria reconfiguração das redes sociais são pontos discutidos ao longo do texto à luz de outros autores. Além disso, destaca as implicações da sociedade contemporânea no âmbito da criação identitária, fornecendo subsídio a estudos posteriores.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Questões enviadas pelos alunos relacionadas ao texto:

Simon, B, (2004). Identity in Modern Society. A social psychological perspective (p. 20-42). Oxford: Blackwell Publishing Ltd.

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> Em que medida o indivíduo social é capaz de interferir na construção e seleção, além de resolver os conflitos das suas múltiplas identidades? 

> Ao se posicionar socialmente, o indivíduo de acordo coma teoria da identidade, escolhe aquela identidade, dentro de uma hierarquia de saliência que melhor reflete seu grau de comprometimento com aquele papel social, demandado em uma dada situação. Isso ajudaria a responder porque o individuo na relação com seus diferentes grupos, se valem mais de um ou outro papel no momento de salientar o que é positivo do seu grupo de pertença e o que é negativo do grupo exterior?

> Segundo os conceitos de "auto-complexidade" de Linville, divididos em "high self-complexity" (grande quantidade de independentes "self-aspects") e "low self-complexity" (pequena quantidade de "self-aspects" fortementeinterrelacionados), como pensar a complexidade do self no contexto digital? É possível afirmar que a chamada "geração Y" é dotada de uma high self-complexity, enquanto as gerações anteriores são combinações entre high e low self complexities? Ou, por outro lado, somos todos dotados de ambas as vertentes, diferenciando-nos, neste sentido, a partir da preponderância entre uma delas?

> O self como constructo derivado em parte da memória é o ponto-chave da "continuidade do self". Klein (2001) sugere distinções entre os tipos de memória, sendo chamadas de "procedural memory" e "declarative memory". Neste ponto do texto do Simon -p. 29-, é correto sugerir que a "procedural memory" tem uma relação direta com a experiência corpórea, sensorial, enquanto a "declarative memory" oferece uma conotação mais subjetivista, cognitivista?

> De que forma o ambiente social pode influenciar a auto-estima e o auto-desenvolvimento pessoal?

> Uma arquitetura heterogênea de redes sociais pode favorecer a construção de uma identidade relacional mais eficaz, e consequetemente, mais auto-desenvolvida?

> Fiquei curioso para saber quais são as abordagens mais contemporâneas do interacionismo simbólico na psicologia. Goffman tem relacoes nesta campo, certo? mas na psicologia ainda se pode reconhecer pensadores nesta perspectiva?

> Uma observação: me parece cada vez mais importante a contribuição de Giddens na aproximação dos aspectos que podem unir a compreensão e constituição de indivíduo-sociedade. As noções da estruturação parecem contemplar de forma mais consistente e minuciosa o que tenta a teoria de categorizarão social, não?

> Quais as diferenças fundamentais entre a Teoria dos Papéis e a Teoria da Identidade?

> Existem relações entre a noção de proteção do autoconceito e o conceito de identidade social, no que concerne aos relacionamentos intergrupais?

> A SCT sugere a existência de uma identidade pessoal e uma identidade social. É possível fazer essa distinção, já que os sujeitos são seres sociais e a identidade é formada a partir do social?

> Em que medida a teoria da identidade, ao considerar a identidade como relacional, socialmente construída, estruturada e múltipla se aproxima ou se distancia das perspectivas mais ligadas às contribuições psicológicas?

> É possível afirmar que o conceito de identidade na psicologia social européia se aproxima mais das contribuições sociológicas por considerar com maior ênfase as variáveis contextuais do fenômeno?

> As teorias trabalhadas na psicologia social, pelo menos de abordagem cognitivista, seja europeia ou americana, focam numa espécie de equilíbrio. Como se os indivíduos percebessem o que está ao seu redor, avaliasse, concluísse algo e, a partir disso, haveria determinados resultados, sempre tendo como resultado final algum tipo de ajuste. Esse foco no equilíbrio, algumas vezes, sofre uma série de críticas conceituais e epistemológicas. Mas será possível que em algum lugar o ser humano não busque alguma espécie de ajuste ou equilíbrio, ainda que subordinados a aspectos culturais?

> As teorias sobre relações grupais sempre se referem à influência do grupo sobre o indivíduo. Pode-se ter como exemplo o status que um grupo ocupa na sociedade. Se um grupo possui um status positivo, isso não só geraria sentimentos positivos nos membros desse grupo como isso serviria de referência para esses indivíduos se diferenciarem de outros grupos. Mas seria possível ocorrer o contrário? Ou seja, um indivíduo que usufrua de um status positivo na sociedade poderia interferir na autoestima de um grupo, o qual ele faça parte e que seja negativamente avaliado?

Fichamento - Identidades Sociais (continuação)

Simon, B, (2004). Identity in Modern Society. A social psychological perspective (p. 20-42). Oxford: Blackwell Publishing Ltd.


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Por Aline Feitosa Sampaio e Avimar Ferreira Júnior


Sobre os autores: Bernd Simon é Professor de Psicologia Social e Psicologia Politica no Instituto de Psicologia da Universidade Christian-Albrechts-University de Kiel

Objetivos do capítulo: O presente capítulo tem o objetivo de explanar sobre a Psicologia Social da Identidade a partir da contribuição de dois subtipos existentes na Psicologia Social que são: a Psicologia Social Sociológica que é uma abordagem que se baseia mais em aportes sociológicos; e a Psicologia Social Psicológica, que por sua vez é baseada em aspectos psicológicos.

Argumentação Central: O capítulo apresenta as influências que permeiam a Psicologia social a ponto de poder identificar dois grandes grupos de teorias em Psicologia Social: A Psicologia Social Sociológica e Psicologia Social Psicológica. Como exemplos da primeira, apresenta o Interacionismo Simbólico e a Teoria dos Papéis, apresentando suas características e limites, e a Teoria da Identidade como uma crítica as anteriores e como tentativa de síntese entre ambas. No tocante a Psicologia Social Psicológica, o autor aponta para as divergências entre as teorizações americanas e européias, bem como para a concordância da identidade como mediador social-cognitiva crucial que opera entre o ambiente social das pessoas e suas percepções e comportamentos.


Tópico 1 - Contribuições Sociológicas

As contribuições sociológicas giram em torno das estruturas da vida social, dos afetos, do desenvolvimento de uma personalidade social e produção de comportamentos. O que são aspectos distintos das contribuições psicológicas. A seguir serão apresentadas duas estruturas importantes para a contribuição de aspectos sociológicos, que são o Interacionismo simbólico, a Teoria dos papéis; e depois será comentada a Teoria da Identidade.

            Interacionismo Simbólico

Mead (1934/1993) traz que o conceito de Interacionismo simbólico se configura como uma inter-relação entre o self, a mente e a sociedade. Em que as pessoas usam símbolos que são significativos durante toda a interação social, sendo através da mente que as representações simbólicas são recuperadas, e mediadas pela linguagem. O self é visto como uma atividade reflexiva e cognitiva construída através dos papéis sociais. Assim a mente e o self são essencialmente sociais e interativos, sendo as duas estruturas moldadas socialmente, e que podem ser recriadas no decorrer das interações sociais.
Neste sentido vê-se que as pessoas não vivem isoladas e que a ação humana parte de uma interação social permitida através da comunicação, de gesto e símbolos significativos. A linguagem é vista como o mais importante sistema de símbolos, sendo o primeiro veículo da comunicação. 
Diante disso os símbolos significativos e a interação social são interdependentes, e sem eles não há interação social. Um aspecto que também facilita a interação é o lugar e a cultura que as pessoas estão inseridas. Sendo assim, sempre quando há situações novas existe uma tendência de testar maneiras de interação que já foram vividas, sendo moldadas ao longo de cada interação social.
Um aspecto importante na interação social é em relação as posições e papéis que as pessoas assumem e que tomam a finalidade dessas pessoas serem aceitas socialmente pela posição que ela tem. Uma vez que tais posições e papéis são construídos socialmente e também podem ser moldados e mudados através das relações.
Diante disso, as pessoas não devem ser vistas apenas como elemento da situação de interação, mas sim como sujeito ativo. Uma vez, que o conceito de self para o Interacionismo Simbólico é entendido como uma atividade reflexiva do self. E que possibilita que as pessoas incorporem expectativas dos outros facilitando a interação social. Pois essas expectativas são aprendidas através das experiências sociais o que possibilita uma antecipação de respostas pelos outros atores sociais.

Teoria do Papel

A teoria do papel enfatiza na importância e no impacto da estrutura social, e a partir dessa perspectiva a interação social independente de como ela aconteça, ou onde ela aconteça, deve ser explicada e levado em consideração o sistema social na sua maioria. Lembrando que a interação é estabelecida por pessoas que mantem relações.
As interações sociais são estruturas por um contexto, tem funções de em cada estrutura relacionada com a aceitação social.  E os papeis ou posições são construídos culturalmente a partir das relações socais, onde são aprendidas por meio da socialização  as ações apropriadas para cada esquema.
As questões mais importantes segundos teóricos da “Role Theory”, são questões de socialização, de conflito de papéis, relacionamentos e transições papéis.
           

Teoria da Identidade

Há um descontentamento em relação as teorias citadas a cima, em relação a teoria dos papéis, por esta ter uma visão um tanto determinista da vida social, e no que se refere ao interacionismo simbólico por não ser suficiente para explicar o que motiva e articula as estruturas. Dessa forma será apresentada como se deu o desenvolvimento dessa abordagem.
A teoria da identidade é mais completa para entender a interação entre o self e a sociedade, uma vez que faz uso das ideias da teoria de papéis e do interacionismo simbólico na construção dos aspectos sociais da pessoa. A teoria da identidade parte do pressuposto que a sociedade moderna é altamente complexa, multifacetada, as pessoas são diferentes e ainda assumem múltiplas identidades, uma vez, que participam de diversos grupos.

Tópico 2 - Contribuições Psicológicas

Alguns filósofos e psicólogos como Dewey (1890), Royce (1895), James (1890/1950) e Allport (1955, 1986) argumentaram sobre a inserção do conceito de “self” na ciência moderna da Psicologia. Gordon W. Allport com o intuito de colocar o self como um conceito central da Psicologia consagrou sete temas centrais que devem ser entendidos na Psicologia do Self. Que são: auto-imagem; continuidade do eu ao longo do tempo; auto-conhecimento (que tem uma ênfase no conhecimento corporal); eu como agente regulatório; auto-desenvolvimento e auto-estima; motivos de auto-realização e crescimento; e auto-extensão. Em que esse esquema auxilia na organização do estudo das contribuições psicológicas para a identidade social e psicológica.
A seguir será apresentado duas tendências que contribuem para compreender o que pode esta relacionado com a da identidade social psicológica. De um lado a tradição Norte-America, que preza mais pelo uso do termo “Eu” (self), e que tem uma visão mais individualista deste conceito. Ao tempo que esta tradição que se baseia na teoria da cognição social, lembrando que a perspectiva da cognição social não nega a dimensão social, mas considera como mais relevante as relações interpessoais, colocando as relações inter-grupais em um patamar de menor importância. 
Por outro lado a tradição Européia tem preferência pela terminologia “identidade”, e considera identidade social ou auto-categorização como aspectos de suma relevância para a determinação da identidade. E ainda acrescenta mais uma dimensão social, que são os antecedentes e as conseqüências das identidades compartilhadas. Esse é um aspecto que está representado no tema de auto-extensão de Allport (1968), e que foi criticado principalmente pela tradição Norte-America.
A seguir serão apresentados os temas referentes ao “self” pela tradição Norte-Americana, e logo a seguir, pela tradição Européia.

O Self na Psicologia Norte-Americana

O auto-conceito:
Allport (1968) sugere que as auto-imagens, com habilidades, status, papéis, vontades, são questões que definem “auto-conceito”. Em que estariam dispostos em conjuntos de auto-esquemas, que seriam aonde se organizam as experiências passadas utilizadas para reconhecer e interpretar o ambiente social. Assim, de acordo com Markus (1977) o auto-esquema seria uma generalização cognitiva sobre o self, derivada de experiências passadas do indivíduo. Ainda de acordo com o autor citado acima, o auto-esquema seria um processo que facilitaria o acesso a esquemas e comportamentos importantes, facilitando em tomadas de decisões relevantes; e também eles seriam bastante utilizados na percepção e compreensão de pensamentos, sentimentos e comportamentos dos outros.
Outro conceito trazido pelos autores como Markus & Kunda (1986) é o de auto-conceito de trabalho, onde considera que o eu se caracteriza um elevado grau de multiplicidade e maleabilidade. Em que o self é constituído por uma série de auto-esquemas, e que alguns são acessíveis através de variáveis motivacionais do contexto social, relacionados a crenças, valores, vontades, entre outros. Esse conceito considera o eu como múltiplo e maleável, por considerar a existência de vários auto-esquemas e a acessibilidade destes em diferentes níveis. E o conceito de auto-trabalho para Markus & Nurius (1986) ainda se relaciona com as conseqüências futuras a partir das decisões do presente, chamado de “Eu(s) Possíveis”, que dá a possibilidade de compreender as ações do presente se projetando no futuro (Markus  & Kunda, 1986)
Outra definição do auto-conceito é proposta por Linville (1985, 1987), onde este o define o “eu” como ser representado cognitivamente por auto-esquemas. Em que os auto-esquemas seriam uma categoria social que advém da experiência social, com a função de organizar informações a cerca de si mesmo. Esses auto-esquemas se referem a características físicas, habilidades, funções, preferências, atitudes, traços, associações grupais, entre outras. Essa noção de auto-conceito é bem semelhante a descrita por Markus, mas a abordagem de Linville dá mais ênfase na estrutura do auto-conceito, quando Markus se refere mais ao conteúdo. Onde de acordo com Linville há uma diferenciação entre as pessoas no que se refere ao aspecto estrutural, pois há uma discrepância no número de auto-aspectos, que funciona como uma regulação do bem-estar físico e metal do indivíduo.
No entanto, no que se refere ao auto-conceito outros modelos tem sido proposto na literatura. Como os que definem auto-conceito a partir de hierarquias, protótipos, redes sócias; há também modelos que explicam as variações culturais a partir do auto-conceito. No entanto diante dessas variações a maioria dos modelos estão de acordo com os pressupostos trazidos por Markus e Linville, que consideram o auto-conceito como uma representação cognitiva multifacetada e dinâmica, e que é produto dos vários fenômenos sociais.
Continuidade do eu: 
Este é um conceito que esta intimamente relacionado com a memória, com as lembranças importantes do que foi passado, do que está acontecendo no presente, é a noção da própria existência e percepção de continuidade do eu ao longo do tempo. Assim a o eu e a memória são interdependentes nessa construção do eu.
Para um melhor entendimento da relação existente entre o eu e a memória, Klein (2001) traz a distinção de dois importantes conceitos a respeito da memória. Que é a memória de procedimento, que esta relacionada com aquisição de habilidades perceptuais, cognitivas; e a memória declarativa, relacionada com os fatos e crenças existentes no mundo. Ainda no que se refere a memória declarativa, esta se subdivide em memória declarativa semântica, que se baseia em conhecimentos mais gerais; e em memória declarativa episódica, baseada em eventos mais singulares.
A partir da psicologia clínica e da neuropsicologia, Klein (2001) fala que uma crise no na continuidade do eu tem uma relação agravante com a memória episódica, mas não foi constatado uma relação inversa. E ainda que quando há perda memória episódica há uma diminuição da pessoa se lembrar do passado, no entanto se a memória semântica permaneceu intacta a pessoa ainda é capaz de ter lembranças sobre si sem ter que lembrar de acontecimentos específicos. Porém é a interação da memória episódica com a semântica que vai dá a pessoa a capacidade de construção pessoal e percepção de existência ao longo do tempo.
Auto-Conhecimento:
Este se refere a sensação corporal e percepção material do corpo, e de acordo com Allport (1968) o eu e a sensação corporal estão altamente interligados. E ainda salienta, que nós nem sempre estamos constantemente cientes de nossos corpos, mas podemos facilmente nos tornar cientes deles.
E de acordo com Hoyle et al. (1999) o auto-conhecimento não é adquirido somente pela consciência corporal, mas também pela aparência física, comportamento, humor, pensamentos. As pessoas também são lembradas como objetos sociais, onde a auto-consciência é referida como objetivo do auto-conhecimento, ou seja, o auto-conhecimento tem o intuito que a pessoa adquira uma auto-consciência de si mesma (Duval & Wicklund, 1972). Neste sentido o auto-conhecimeto pode ser desenvolvido tanto por fatores ambientais (que são os outros, objetos, etc.), como por fatores internos (como emoçoes transitórias) (Fiske e Taylor, 1991; Hoyle, 1975). 
A auto-consciência pode ser distinguida em duas tendências, uma que se configura como permanente e outra que é temporária. E ainda podem ser estipuladas entre público e privado. Onde auto-consciência pública é resultado dos próprios aspectos a partir do outro e do que o ambiente permite que a pessoa mostre; ao tempo que auto-consciência privada existe uma relação maior com a própria pessoa em particular.
O auto-monitoramento é uma variavel da personalidade que esta relacionada com a auto-consciência (Snyder, 1987), e que a pessoa consegue perceber e monitorar as diferenças ambientais de acordo com as situações que elas se mostram. Ter um auto-monitoramento se refere à regular e saber onde pode ir, o que pode fazer, o que pode falar, através de pistas situacionais; já quando se tem um baixo auto-monitoramento significa que não há um bom controle sob os comportamento e atitudes internas, deixando-as escapar. Neste sentido as pessoas que tem um alto auto-monitoramento tendem ter maiores níveis de auto-conciência em público.
Eu como agente e sistema regulatório: 
Regular o comportamento continuamente se faz como uma estratégia de sobrevivência, e o “eu” esta envolvido nessa tarefa. Que é um processo de verificar e compreende quais são as necessidades internas, e a realidades que a pessoa se encontra, e qual o planejamento para execussão dos seus objetivos.
Dessa forma a auto-regulação se refere as diversas formas  do “eu”  regular e controlar as próprias ações, estabelecer suas metas, e se preparar cognitivamente para uma certa atividades (Fiske & Taylor, 1991; Hoyle et al., 1999; Markus & Wurf, 1987).
Assim para se ter objetivos e metas, estes dependem das motivações e valores da pessoa, e ainda, do que se busca, do que se crê, do que se espera. Então quando se tem claro as metas a serem alcançadas, há uma preparação cognitiva em relação a selecionar estratégias eficazes para executar o objetivo. E na memória existem alguns scripts para que assim haja facilidade na seleção da estratégia a ser escolhida, e esses  scripts são em função de acordo com o custo e benéfico que tais estratégias trazem para indivíduo (Schank & Abelsn, 1977).
Após a a execução das estratégias, inicia-se outra fase que é a auto-regulação. Esta é relacionada com o controle do comportamento emitido, que é julgado de acordo com critérios e padrões esperados pela pessoa e pela sociedade. Ainda neste sentido a auto-consciência também relaciona-se com o processo mencionado acima, sendo que esta ativa o processo de comparação com o que esta acontecendo e o que se é esperado, e quando é encontrada uma discrepância entre ambos os comportamentos há uma tendência à comportamentos corretivos.
Além disso, pessoas que tem uma elevada auto-consiência privada demonstram dar mais importância aos padrões externos, e quando há uma baixa auto-consciência público é dada ênfase a padrões internos. Também há uma diferença no que se refere ao elevado e baixo auto-monitoramento, onde na primeira situação os comportamentos aprovados estão mais relacionados com julgamentos do ambiente social, enquato na segunda situação essas aprovações são mais relacionadas com critérios internos e pessoais (Hoyle et al., 1999)
Ainda no que se refere ao auto-regulação, as pessoas também selecionam estratégias comportamentais de acordo com as impressões que os outro irão ter, e com suas próprias crenças. E também selecionam situações e pessoas que querem manter uma interação social (Schlenker, 1980).
Auto-desenvolvimento e auto-estima: 
A auto-estima esta relacionada com o amor próprio, e o alcance da auto-estima é motivado por meio do auto-desenvolvimento, e ambo estão relacionados com o processo evolutivo. Onde se fala que desenvovoler auto-estima e auto-desenvolvimento poder ser visto como uma questão de sobrevivência e sucesso, a partir do cuidado que a pessoa tem em relacão a si mesmo (Hoyle et al., 1999).
De acordo com Trivers (1985) em relações interguprais ou interpessoais a auto-estima também pode ser evidênciada e relaciona-se com a evolução dos membros de tal grupo. Onde a auto-estima pode funcionar como uma medida das relações que acontecem no grupo, no sentido de que uma baixa auto-estima de um membro do grupo pode sinalizar uma rejeição, enquanto uma elevada auto-estima indicar uma boa aceitação da pessoa no grupo (Leary et al., 1995; Leary & Baumeiser, 2000).
O auto-desenvolvimento poder ser adaptativo no sentido de que as ações podem promover o ajustamento de comportamentos que não trouxeram sucesso, assim, se ajustando ao que é esperado (Taylor & Brown, 1988).
O auto-desenvolvimento é possivel porque o mundo social é estruturado a partir de várias perspectiva, o que dá espaço para a mudança e desenvolvimento de novas ideias, novas posturas, novas relacionamento, entre outros. Diante dessa possibilidade a auto-estima pode ser previnida de sofrer “danos”, como da uma atribuição a certa causa (ex. “O exame foi muito dificil”); racionalizar situações (ex. “Tenho certeza que aquelas uvas são inatingíveis”); fazer comparações sociais mais inferiores do que seu potencial (ex. “Meu amigo ainda foi pior do que eu no exame”); ter pessimismo compensatório para auto-afirmação (ex. “Eu posso até ser reprovado no exame de matemática, mas sou um bom nadador”); ser defensivo (ex.”Eu tenho certeza que vou me sair mal no exame, então, passar já seria suficiente para mim”)
Além de tais motivações cognitivas, o ambiente social também pode sugerir maneiras para que a auto-estima não seja prejudicada (Fiske & Taylor, 1991; Hayle et al., 1999). Como por exemplo, prevendo que ninguém deixará de fazer uma prova no dia seguinte, a pessoa pode se comportar estratégicamente indo pra uma festa no dia anterior e justificando que se deu mal na prova por conta da festa e não porque ele não é capaz. A auto-estima também pode ser reforçada distanciando-se de amigos que realizam certas atividades melhor do que a própria pessoal, bem como se aproximar de um amigo que tem muito sucesso no que faz (ex. “Eu sou amigo daquele cantor famoso) (Cialdini et al., 1976; Tesser, 19880).
O motivo para o auto-desenvolvimento é algo mais geral, no entanto, o motivo da auto-consciência é citado como mais importanto do que o auto-desenvolvimento (Sedikides, 1993; Sedikides & Strube, 1997; Fiske & Taylor, 1991). Em que pesquisa mostrou que as pessoas tendem a manter uma imagem consistente de si mesmo ou do seu auto-conceito, o que fortalece a auto-consciência e a previsibilidade sobre acontecimentos futuros (Swann, 1996). Assim o comportamento das pessoas são direcionados para sustentar seus auto-conceitos, e assim, diretamente a auto-consciência. Demonstrando que o motivo da auto-consciência pode funcionar em harmonia com o motivo para o auto-desenvolvimento, pois a marioria das pessoas tendem a demonstrar elevada auto-estima, o que pede um auto-desenvolvimento dos conceitos de acordo com as mudanças necessárias.
Porém pessoas com baixa auto-estima reagem com mais afeto negativo aos resultados desfavoráveis, e ainda uma aceitação maior de tais resultados. Demonstrando que essas respostas cognitivas afastam as tranformações, não se deve interpreta-lás como obstáculo da mudança do auto-desenvolvimento e auto-conceito (Sawann et al., 1987).
Assim a articulação entre os motivos de auto-consciência e auto-desenvolvimento é bastante importante, pois essa relação facilita o crescimento e satisfaz as necessidade do “eu” se desenvolver.
Auto-realização e crescimento:
Os motivos para a auto-realização e crescimento, no sentido de tornar-se o que tem potencial para se tornar, tem sido mais discutido por psicólogos humanistas, como Rogers (1959), Maslow (1970). No entanto, em oposição a estes estão as perspectivas Psicanálitica e Behaviorista.
De acordo como psicólogos humanista, o ser é dotado de uma tendência a se desenvolver, crescer e melhorar. Indo de encontro a esse pensamento Allport (1968) fala que a auto-realização e crescimento é fruto da resistência ao equilíbrio.Outros teóricos que tem o pensamento semelhante ao de Allport, falam do desenvolvimento e domínio de competências, e que a noção de possíveis identidades possuem um tendência a auto-realização e assim da espaço ao processo de crescimento para tornar o que se tem potencial para se tornar (Markus & Nirius, 1986).
Assim pensar que as possíveis identidades podem funcionar como guias de motivos de auto-desenvolvimento, possibilita uma interação entre as perspectiva humanista e a abordagem da cognição social.

            A Identidade na Psicologia Social Européia

O tema relacionado a “identidade” de acordo com os psicólogos européus, é a auto-extensão. Neste aspect Allport (1968) considera a capacidade humana de se identificar com grupos de diferentes níveis de significância. E as principais contribuições teóricas a respeito dessa temática é advinda da Psicologia Européia, no entando psicólogos norte-americanos tem se interessado pelo tema de auto-extensão (Aron, Aron & Norman, 2002; Sedikides 7 Brewer, 2001; Smith & Mackie, 2000).
Diante da contribuições do Psicologia Européia a temática da auto-extensão é bem expressada na Teoria da Identidade Social e da Relações Intergrupais (Tajfel & Turner, 1979, 1986), e na Teoria da Auto-categorização (Turner et al. 1987). Logo em seguida serão apresentadas as duas teorias.
Teoria da Identidade social e das Relações Intergrupais (SIT):
Trata-se de uma teoria que analisa as relaçoes intergrupais, dando ênfase ao conflito intergrupal (Tajfel & Turner, 1979, 1986). Esta teoria é impulsionada por clássiocos estudos, como o “experimento dos grupos minímos”, que tentavam compreender o porquê de membros de diferentes grupos discriminarem uns aos outros (Tajfel, 1970, Tajfel, 1971).
A SIT propõe que os membros dos grupos necessitam de uma identidade social positiva  e que é essa afirmação de identidade social que motiva a diferença entre os grupos. Pois quando se considera a sua identidade como sendo positiva, o exogrupo se caracterizará como negativo. Sendo essa teoria direcionada para a discriminação grupal (Turner & Reynolds, 2001).
Para analisar melhor o SIT pode exemplifica-lo a partir da análise da psicologia social das minorias, onde grupos em desvantagens sociais ficam susceptível a adquirir identidade social insatifatória buscando a partir daí estratégias de enfrentamento. Só que as estratégias podem ser individuais ou coletivas, quando são individuais causam desvantagem física e psicólogica para o endogrupo, e quando são coletivas fortalece a identidade social do grupo gerando mudança social. Outra estratégia de grupo é chamada de “criatividade social”, onde os membros do grupo procuram uma identidade positiva através da redefinição de elementos da situação comparativa, que é possivel a partir da comparação entre o exogrupo e o endogrupo (Tajfel, 1974).
Assim, de acordo com SIT a seleção de estratégias para mudança social é determinada a partir de crenças compartilhadas, natureza da estrutura social, permeabilidade de fronteiras do grupo.
A crítica levantada a SIT é no sentido desta ser uma teoria que se foca nas conseqüências da identidade em relação aos conflitos intergrupais, longe de ser uma teoria que sistematize e analise as diferentes variantes da identidade social, seus antecedentes e consequentes.  A seguir será discutida a Teoria da auto-categoriação, que abrange de forma melhor a análise da identidade social.
Teoria da Auto-Categorização (SCT): 
Essa teoria foi elabora por Turner e pode ser vista como com uma extensão da SIT por trazer uma estrutura mais geral do que esta. Sua marca é distinção entre a identidade pessoal e a identidade social, considerando os antecedentes e as conseqüências destas identidades. No que diz respeito a identidade pessoal esta se refere as auto-definições relacionadas ao indivíduo como único, enquanto a identidade social seria a auto-definição como membro de um grupo de acordo com diferenças entre o endogrupo e exogrupo (Turner, 1982).
De acordo com Turner et al. (1987) tanto a identidade pessoal como a identidade social é construída a partir da auto-categorização, e que para Rosch (1978) a auto-categorização ocorre como parte de um sistema hierárquico, onde as identidades podem ser interpretadas em diferentes níveis de abstração. Como exemplo trazido pelo capítulo, em que morar em Berlin é uma identidade de um  nível de abstração maior do que ser morador de um bairro de Berlin, e que os grupos e as pessoas devem ser comparadas de acordo com esses níveis de abstração.
Assim as identidades elas são múltiplas e variadas, ao tempo que as pessoas podem estar inseridas em vários grupos, mas que nem todos fazem parte do mesmo grupo. E tendo essas múltiplas identidades, essas são organizadas e estabelecidas por uma hierarquia de importância (Bruner, 1957a). Essa hierarquia de importância esta relacionada com a adoção de uma identidade particular, onde aquilo que é mais importante para pessoa será tomado como principal para a sua identidade.
Para testar os princípios da SCT que são os antecedentes e conseqüências da identidade social, foram realizadas várias pesquisas empíricas que trouxeram bons resultados. Onde também foi aplicada análise teórica e empírica de uma grande variedade fenômenos psicológicos sócias, como preconceito, estereótipos, coesão grupal, comportamento organizacional
A SCT sugere em primeiro lugar uma visão mais reflexiva do processo de auto-conceito, onde o eu não é visto como esquemas fechados, mas como categorias que podem ser mudadas de acordo com o ambiente (Markus, 1988; Linville, 1985). Em segundo lugar a SCT também reconhece que o que “eu” tem uma continuidade, como parâmetros, padrões e juízos a serem seguidos. E em terceiro lugar, a distinção entre identidade pessoal e identidade social.
Para finalizar Allport (1968) destaca que a identidade social não é somente a identidade pessoal projetada nos membros do grupo, e sim uma categoria social, pois vai além de do indivíduo (Turner & Onorato, 1999).

Diante do que foi exposto é válido ressaltar que as diferenças e discrepâncias entre as perspectivas européia e norte-america a respeito da identidade social, se faz muito importante para a discussão e produção a cerca da temática.