Simon, B, (2004). Identity in Modern Society. A social psychological
perspective (p. 20-42). Oxford: Blackwell Publishing Ltd.
___
Por Aline Feitosa Sampaio e Avimar Ferreira Júnior
Sobre os autores: Bernd Simon é
Professor de Psicologia Social e Psicologia Politica no Instituto de Psicologia
da Universidade Christian-Albrechts-University de Kiel
Objetivos do capítulo: O
presente capítulo tem o objetivo de explanar sobre a Psicologia Social da
Identidade a partir da contribuição de dois subtipos existentes na Psicologia
Social que são: a Psicologia Social Sociológica que é uma abordagem que se
baseia mais em aportes sociológicos; e a Psicologia Social Psicológica, que por
sua vez é baseada em aspectos psicológicos.
Argumentação
Central: O capítulo apresenta as influências que permeiam a Psicologia social a
ponto de poder identificar dois grandes grupos de teorias em Psicologia Social:
A Psicologia Social Sociológica e Psicologia Social Psicológica. Como exemplos
da primeira, apresenta o Interacionismo Simbólico e a Teoria dos Papéis,
apresentando suas características e limites, e a Teoria da Identidade como uma
crítica as anteriores e como tentativa de síntese entre ambas. No tocante a
Psicologia Social Psicológica, o autor aponta para as divergências entre as
teorizações americanas e européias, bem como para a concordância da identidade
como mediador social-cognitiva crucial que opera entre o ambiente social das
pessoas e suas percepções e comportamentos.
Tópico 1
- Contribuições Sociológicas
As contribuições sociológicas giram em
torno das estruturas da vida social, dos afetos, do desenvolvimento de uma
personalidade social e produção de comportamentos. O que são aspectos distintos
das contribuições psicológicas. A seguir serão apresentadas duas estruturas
importantes para a contribuição de aspectos sociológicos, que são o
Interacionismo simbólico, a Teoria dos papéis; e depois será comentada a Teoria
da Identidade.
Interacionismo Simbólico
Mead (1934/1993) traz que o conceito de
Interacionismo simbólico se configura como uma inter-relação entre o self, a
mente e a sociedade. Em que as pessoas usam símbolos que são significativos
durante toda a interação social, sendo através da mente que as representações
simbólicas são recuperadas, e mediadas pela linguagem. O self é visto como uma
atividade reflexiva e cognitiva construída através dos papéis sociais. Assim a
mente e o self são essencialmente sociais e interativos, sendo as duas
estruturas moldadas socialmente, e que podem ser recriadas no decorrer das
interações sociais.
Neste sentido vê-se que as pessoas não
vivem isoladas e que a ação humana parte de uma interação social permitida
através da comunicação, de gesto e símbolos significativos. A linguagem é vista
como o mais importante sistema de símbolos, sendo o primeiro veículo da
comunicação.
Diante disso os símbolos significativos
e a interação social são interdependentes, e sem eles não há interação social.
Um aspecto que também facilita a interação é o lugar e a cultura que as pessoas
estão inseridas. Sendo assim, sempre quando há situações novas existe uma
tendência de testar maneiras de interação que já foram vividas, sendo moldadas
ao longo de cada interação social.
Um aspecto importante na interação
social é em relação as posições e papéis que as pessoas assumem e que tomam a
finalidade dessas pessoas serem aceitas socialmente pela posição que ela tem.
Uma vez que tais posições e papéis são construídos socialmente e também podem
ser moldados e mudados através das relações.
Diante disso, as pessoas não devem ser
vistas apenas como elemento da situação de interação, mas sim como sujeito
ativo. Uma vez, que o conceito de self para o Interacionismo Simbólico é
entendido como uma atividade reflexiva do self. E que possibilita que as
pessoas incorporem expectativas dos outros facilitando a interação social. Pois
essas expectativas são aprendidas através das experiências sociais o que
possibilita uma antecipação de respostas pelos outros atores sociais.
Teoria do Papel
A teoria do papel enfatiza na
importância e no impacto da estrutura social, e a partir dessa perspectiva a
interação social independente de como ela aconteça, ou onde ela aconteça, deve
ser explicada e levado em consideração o sistema social na sua maioria.
Lembrando que a interação é estabelecida por pessoas que mantem relações.
As interações sociais são estruturas por
um contexto, tem funções de em cada estrutura relacionada com a aceitação
social. E os papeis ou posições são
construídos culturalmente a partir das relações socais, onde são aprendidas por
meio da socialização as ações
apropriadas para cada esquema.
As questões mais importantes segundos
teóricos da “Role Theory”, são
questões de socialização, de conflito de papéis, relacionamentos e transições
papéis.
Teoria
da Identidade
Há um descontentamento em relação as
teorias citadas a cima, em relação a teoria dos papéis, por esta ter uma visão
um tanto determinista da vida social, e no que se refere ao interacionismo
simbólico por não ser suficiente para explicar o que motiva e articula as
estruturas. Dessa forma será apresentada como se deu o desenvolvimento dessa
abordagem.
A teoria da identidade é mais completa
para entender a interação entre o self e a sociedade, uma vez que faz uso das
ideias da teoria de papéis e do interacionismo simbólico na construção dos
aspectos sociais da pessoa. A teoria da identidade parte do pressuposto que a
sociedade moderna é altamente complexa, multifacetada, as pessoas são
diferentes e ainda assumem múltiplas identidades, uma vez, que participam de
diversos grupos.
Tópico 2
- Contribuições Psicológicas
Alguns filósofos e psicólogos como Dewey
(1890), Royce (1895), James (1890/1950) e Allport (1955, 1986) argumentaram
sobre a inserção do conceito de “self” na ciência moderna da Psicologia. Gordon
W. Allport com o intuito de colocar o self como um conceito central da
Psicologia consagrou sete temas centrais que devem ser entendidos na Psicologia
do Self. Que são: auto-imagem; continuidade do eu ao longo do tempo;
auto-conhecimento (que tem uma ênfase no conhecimento corporal); eu como agente
regulatório; auto-desenvolvimento e auto-estima; motivos de auto-realização e
crescimento; e auto-extensão. Em que esse esquema auxilia na organização do
estudo das contribuições psicológicas para a identidade social e psicológica.
A seguir será apresentado duas
tendências que contribuem para compreender o que pode esta relacionado com a da
identidade social psicológica. De um lado a tradição Norte-America, que preza mais
pelo uso do termo “Eu” (self), e que tem uma visão mais individualista deste
conceito. Ao tempo que esta tradição que se baseia na teoria da cognição
social, lembrando que a perspectiva da cognição social não nega a dimensão
social, mas considera como mais relevante as relações interpessoais, colocando
as relações inter-grupais em um patamar de menor importância.
Por outro lado a tradição Européia tem
preferência pela terminologia “identidade”, e considera identidade social ou
auto-categorização como aspectos de suma relevância para a determinação da
identidade. E ainda acrescenta mais uma dimensão social, que são os
antecedentes e as conseqüências das identidades compartilhadas. Esse é um
aspecto que está representado no tema de auto-extensão de Allport (1968), e que
foi criticado principalmente pela tradição Norte-America.
A seguir serão
apresentados os temas referentes ao “self” pela tradição Norte-Americana, e
logo a seguir, pela tradição Européia.
O Self na Psicologia Norte-Americana
O
auto-conceito:
Allport
(1968) sugere que as auto-imagens, com habilidades, status, papéis, vontades,
são questões que definem “auto-conceito”. Em que estariam dispostos em
conjuntos de auto-esquemas, que seriam aonde se organizam as experiências
passadas utilizadas para reconhecer e interpretar o ambiente social. Assim, de
acordo com Markus (1977) o auto-esquema seria uma generalização cognitiva sobre
o self, derivada de experiências passadas do indivíduo. Ainda de acordo com o
autor citado acima, o auto-esquema seria um processo que facilitaria o acesso a
esquemas e comportamentos importantes, facilitando em tomadas de decisões
relevantes; e também eles seriam bastante utilizados na percepção e compreensão
de pensamentos, sentimentos e comportamentos dos outros.
Outro conceito trazido pelos autores
como Markus & Kunda (1986) é o de auto-conceito de trabalho, onde considera
que o eu se caracteriza um elevado grau de multiplicidade e maleabilidade. Em
que o self é constituído por uma série de auto-esquemas, e que alguns são
acessíveis através de variáveis motivacionais do contexto social, relacionados
a crenças, valores, vontades, entre outros. Esse conceito considera o eu como
múltiplo e maleável, por considerar a existência de vários auto-esquemas e a
acessibilidade destes em diferentes níveis. E o conceito de auto-trabalho para
Markus & Nurius (1986) ainda se relaciona com as conseqüências futuras a
partir das decisões do presente, chamado de “Eu(s) Possíveis”, que dá a
possibilidade de compreender as ações do presente se projetando no futuro
(Markus & Kunda, 1986)
Outra definição do auto-conceito é
proposta por Linville (1985, 1987), onde este o define o “eu” como ser
representado cognitivamente por auto-esquemas. Em que os auto-esquemas seriam
uma categoria social que advém da experiência social, com a função de organizar
informações a cerca de si mesmo. Esses auto-esquemas se referem a
características físicas, habilidades, funções, preferências, atitudes, traços,
associações grupais, entre outras. Essa noção de auto-conceito é bem semelhante
a descrita por Markus, mas a abordagem de Linville dá mais ênfase na estrutura
do auto-conceito, quando Markus se refere mais ao conteúdo. Onde de acordo com
Linville há uma diferenciação entre as pessoas no que se refere ao aspecto
estrutural, pois há uma discrepância no número de auto-aspectos, que funciona
como uma regulação do bem-estar físico e metal do indivíduo.
No entanto, no que se refere ao
auto-conceito outros modelos tem sido proposto na literatura. Como os que
definem auto-conceito a partir de hierarquias, protótipos, redes sócias; há
também modelos que explicam as variações culturais a partir do auto-conceito.
No entanto diante dessas variações a maioria dos modelos estão de acordo com os
pressupostos trazidos por Markus e Linville, que consideram o auto-conceito
como uma representação cognitiva multifacetada e dinâmica, e que é produto dos
vários fenômenos sociais.
Continuidade
do eu:
Este é um conceito que esta intimamente relacionado com a memória, com as
lembranças importantes do que foi passado, do que está acontecendo no presente,
é a noção da própria existência e percepção de continuidade do eu ao longo do
tempo. Assim a o eu e a memória são interdependentes nessa construção do eu.
Para um melhor entendimento da relação
existente entre o eu e a memória, Klein (2001) traz a distinção de dois
importantes conceitos a respeito da memória. Que é a memória de procedimento,
que esta relacionada com aquisição de habilidades perceptuais, cognitivas; e a
memória declarativa, relacionada com os fatos e crenças existentes no mundo.
Ainda no que se refere a memória declarativa, esta se subdivide em memória
declarativa semântica, que se baseia em conhecimentos mais gerais; e em memória
declarativa episódica, baseada em eventos mais singulares.
A partir da psicologia clínica e da
neuropsicologia, Klein (2001) fala que uma crise no na continuidade do eu tem
uma relação agravante com a memória episódica, mas não foi constatado uma
relação inversa. E ainda que quando há perda memória episódica há uma
diminuição da pessoa se lembrar do passado, no entanto se a memória semântica
permaneceu intacta a pessoa ainda é capaz de ter lembranças sobre si sem ter
que lembrar de acontecimentos específicos. Porém é a interação da memória
episódica com a semântica que vai dá a pessoa a capacidade de construção
pessoal e percepção de existência ao longo do tempo.
Auto-Conhecimento:
Este
se refere a sensação corporal e percepção material do corpo, e de acordo com
Allport (1968) o eu e a sensação corporal estão altamente interligados. E ainda
salienta, que nós nem sempre estamos constantemente cientes de nossos corpos,
mas podemos facilmente nos tornar cientes deles.
E de acordo com Hoyle et al. (1999) o
auto-conhecimento não é adquirido somente pela consciência corporal, mas também
pela aparência física, comportamento, humor, pensamentos. As pessoas também são
lembradas como objetos sociais, onde a auto-consciência é referida como
objetivo do auto-conhecimento, ou seja, o auto-conhecimento tem o intuito que a
pessoa adquira uma auto-consciência de si mesma (Duval & Wicklund,
1972). Neste sentido o auto-conhecimeto pode ser desenvolvido tanto por fatores
ambientais (que são os outros, objetos, etc.), como por fatores internos (como
emoçoes transitórias) (Fiske e Taylor, 1991; Hoyle, 1975).
A auto-consciência pode ser
distinguida em duas tendências, uma que se configura como permanente e outra
que é temporária. E ainda podem ser estipuladas entre público e privado. Onde
auto-consciência pública é resultado dos próprios aspectos a partir do outro e
do que o ambiente permite que a pessoa mostre; ao tempo que auto-consciência
privada existe uma relação maior com a própria pessoa em particular.
O auto-monitoramento é uma
variavel da personalidade que esta relacionada com a auto-consciência (Snyder,
1987), e que a pessoa consegue perceber e monitorar as diferenças ambientais de
acordo com as situações que elas se mostram. Ter um auto-monitoramento se
refere à regular e saber onde pode ir, o que pode fazer, o que pode falar,
através de pistas situacionais; já quando se tem um baixo auto-monitoramento
significa que não há um bom controle sob os comportamento e atitudes internas,
deixando-as escapar. Neste sentido as pessoas que tem um alto auto-monitoramento
tendem ter maiores níveis de auto-conciência em público.
Eu como agente e sistema regulatório:
Regular o
comportamento continuamente se faz como uma estratégia de sobrevivência, e o
“eu” esta envolvido nessa tarefa. Que é um processo de verificar e compreende
quais são as necessidades internas, e a realidades que a pessoa se encontra, e
qual o planejamento para execussão dos seus objetivos.
Dessa forma a auto-regulação
se refere as diversas formas do
“eu” regular e controlar as próprias
ações, estabelecer suas metas, e se preparar cognitivamente para uma certa
atividades (Fiske & Taylor, 1991; Hoyle et al., 1999; Markus & Wurf,
1987).
Assim para se ter objetivos e
metas, estes dependem das motivações e valores da pessoa, e ainda, do que se
busca, do que se crê, do que se espera. Então quando se tem claro as metas a
serem alcançadas, há uma preparação cognitiva em relação a selecionar
estratégias eficazes para executar o objetivo. E na memória existem alguns scripts para que assim haja facilidade
na seleção da estratégia a ser escolhida, e esses scripts são em função de
acordo com o custo e benéfico que tais estratégias trazem para indivíduo
(Schank & Abelsn, 1977).
Após a a execução das
estratégias, inicia-se outra fase que é a auto-regulação. Esta é relacionada
com o controle do comportamento emitido, que é julgado de acordo com critérios
e padrões esperados pela pessoa e pela sociedade. Ainda neste sentido a
auto-consciência também relaciona-se com o processo mencionado acima, sendo que
esta ativa o processo de comparação com o que esta acontecendo e o que se é
esperado, e quando é encontrada uma discrepância entre ambos os comportamentos
há uma tendência à comportamentos corretivos.
Além disso, pessoas que tem
uma elevada auto-consiência privada demonstram dar mais importância aos padrões
externos, e quando há uma baixa auto-consciência público é dada ênfase a
padrões internos. Também há uma diferença no que se refere ao elevado e baixo
auto-monitoramento, onde na primeira situação os comportamentos aprovados estão
mais relacionados com julgamentos do ambiente social, enquato na segunda
situação essas aprovações são mais relacionadas com critérios internos e
pessoais (Hoyle et al., 1999)
Ainda no que se refere ao
auto-regulação, as pessoas também selecionam estratégias comportamentais de
acordo com as impressões que os outro irão ter, e com suas próprias crenças. E
também selecionam situações e pessoas que querem manter uma interação social
(Schlenker, 1980).
Auto-desenvolvimento e auto-estima:
A
auto-estima esta relacionada com o amor próprio, e o alcance da auto-estima é
motivado por meio do auto-desenvolvimento, e ambo estão relacionados com o
processo evolutivo. Onde se fala que desenvovoler auto-estima e
auto-desenvolvimento poder ser visto como uma questão de sobrevivência e
sucesso, a partir do cuidado que a pessoa tem em relacão a si mesmo (Hoyle et
al., 1999).
De acordo com Trivers (1985)
em relações interguprais ou interpessoais a auto-estima também pode ser
evidênciada e relaciona-se com a evolução dos membros de tal grupo. Onde a
auto-estima pode funcionar como uma medida das relações que acontecem no grupo,
no sentido de que uma baixa auto-estima de um membro do grupo pode sinalizar
uma rejeição, enquanto uma elevada auto-estima indicar uma boa aceitação da
pessoa no grupo (Leary et al., 1995; Leary & Baumeiser, 2000).
O auto-desenvolvimento poder
ser adaptativo no sentido de que as ações podem promover o ajustamento de
comportamentos que não trouxeram sucesso, assim, se ajustando ao que é esperado
(Taylor & Brown, 1988).
O auto-desenvolvimento é
possivel porque o mundo social é estruturado a partir de várias perspectiva, o
que dá espaço para a mudança e desenvolvimento de novas ideias, novas posturas,
novas relacionamento, entre outros. Diante dessa possibilidade a auto-estima
pode ser previnida de sofrer “danos”, como da uma atribuição a certa causa (ex.
“O exame foi muito dificil”); racionalizar situações (ex. “Tenho certeza que
aquelas uvas são inatingíveis”); fazer comparações sociais mais inferiores do
que seu potencial (ex. “Meu amigo ainda foi pior do que eu no exame”); ter
pessimismo compensatório para auto-afirmação (ex. “Eu posso até ser reprovado
no exame de matemática, mas sou um bom nadador”); ser defensivo (ex.”Eu tenho
certeza que vou me sair mal no exame, então, passar já seria suficiente para
mim”)
Além de tais motivações
cognitivas, o ambiente social também pode sugerir maneiras para que a
auto-estima não seja prejudicada (Fiske & Taylor, 1991; Hayle et al.,
1999). Como por exemplo, prevendo que ninguém deixará de fazer uma prova no dia
seguinte, a pessoa pode se comportar estratégicamente indo pra uma festa no dia
anterior e justificando que se deu mal na prova por conta da festa e não porque
ele não é capaz. A auto-estima também pode ser reforçada distanciando-se de
amigos que realizam certas atividades melhor do que a própria pessoal, bem como
se aproximar de um amigo que tem muito sucesso no que faz (ex. “Eu sou amigo
daquele cantor famoso) (Cialdini et al., 1976; Tesser, 19880).
O motivo para o
auto-desenvolvimento é algo mais geral, no entanto, o motivo da
auto-consciência é citado como mais importanto do que o auto-desenvolvimento
(Sedikides, 1993; Sedikides & Strube, 1997; Fiske & Taylor, 1991). Em
que pesquisa mostrou que as pessoas tendem a manter uma imagem consistente de
si mesmo ou do seu auto-conceito, o que fortalece a auto-consciência e a
previsibilidade sobre acontecimentos futuros (Swann, 1996). Assim o
comportamento das pessoas são direcionados para sustentar seus auto-conceitos,
e assim, diretamente a auto-consciência. Demonstrando que o motivo da
auto-consciência pode funcionar em harmonia com o motivo para o auto-desenvolvimento,
pois a marioria das pessoas tendem a demonstrar elevada auto-estima, o que pede
um auto-desenvolvimento dos conceitos de acordo com as mudanças necessárias.
Porém pessoas com baixa
auto-estima reagem com mais afeto negativo aos resultados desfavoráveis, e
ainda uma aceitação maior de tais resultados. Demonstrando que essas respostas
cognitivas afastam as tranformações, não se deve interpreta-lás como obstáculo
da mudança do auto-desenvolvimento e auto-conceito (Sawann et al., 1987).
Assim a articulação entre os
motivos de auto-consciência e auto-desenvolvimento é bastante importante, pois
essa relação facilita o crescimento e satisfaz as necessidade do “eu” se
desenvolver.
Auto-realização e crescimento:
Os motivos
para a auto-realização e crescimento, no sentido de tornar-se o que tem
potencial para se tornar, tem sido mais discutido por psicólogos humanistas,
como Rogers (1959), Maslow (1970). No entanto, em oposição a estes estão as
perspectivas Psicanálitica e Behaviorista.
De acordo como psicólogos
humanista, o ser é dotado de uma tendência a se desenvolver, crescer e
melhorar. Indo de encontro a esse pensamento Allport (1968) fala que a
auto-realização e crescimento é fruto da resistência ao equilíbrio.Outros
teóricos que tem o pensamento semelhante ao de Allport, falam do
desenvolvimento e domínio de competências, e que a noção de possíveis
identidades possuem um tendência a auto-realização e assim da espaço ao
processo de crescimento para tornar o que se tem potencial para se tornar
(Markus & Nirius, 1986).
Assim pensar que as possíveis
identidades podem funcionar como guias de motivos de auto-desenvolvimento,
possibilita uma interação entre as perspectiva humanista e a abordagem da
cognição social.
A Identidade na
Psicologia Social Européia
O tema relacionado a
“identidade” de acordo com os psicólogos européus, é a auto-extensão. Neste
aspect Allport (1968) considera a capacidade humana de se identificar com
grupos de diferentes níveis de significância. E as principais contribuições
teóricas a respeito dessa temática é advinda da Psicologia Européia, no entando
psicólogos norte-americanos tem se interessado pelo tema de auto-extensão
(Aron, Aron & Norman, 2002; Sedikides 7 Brewer, 2001; Smith & Mackie,
2000).
Diante da contribuições do Psicologia
Européia a temática da auto-extensão é bem expressada na Teoria da Identidade
Social e da Relações Intergrupais (Tajfel & Turner, 1979, 1986), e na
Teoria da Auto-categorização (Turner et al. 1987). Logo em seguida serão
apresentadas as duas teorias.
Teoria da Identidade social e das Relações Intergrupais (SIT):
Trata-se de uma teoria que analisa as relaçoes intergrupais, dando
ênfase ao conflito intergrupal (Tajfel & Turner, 1979, 1986). Esta teoria é
impulsionada por clássiocos estudos, como o “experimento dos grupos minímos”,
que tentavam compreender o porquê de membros de diferentes grupos discriminarem
uns aos outros (Tajfel, 1970, Tajfel, 1971).
A SIT propõe que os membros
dos grupos necessitam de uma identidade social positiva e que é essa afirmação de identidade social
que motiva a diferença entre os grupos. Pois quando se considera a sua
identidade como sendo positiva, o exogrupo se caracterizará como negativo.
Sendo essa teoria direcionada para a discriminação grupal (Turner & Reynolds,
2001).
Para analisar melhor o SIT
pode exemplifica-lo a partir da análise da psicologia social das minorias, onde
grupos em desvantagens sociais ficam susceptível a adquirir identidade social
insatifatória buscando a partir daí estratégias de enfrentamento. Só que as
estratégias podem ser individuais ou coletivas, quando são individuais causam
desvantagem física e psicólogica para o endogrupo, e quando são coletivas
fortalece a identidade social do grupo gerando mudança social. Outra estratégia
de grupo é chamada de “criatividade social”, onde os membros do grupo procuram
uma identidade positiva através da redefinição de elementos da situação
comparativa, que é possivel a partir da comparação entre o exogrupo e o
endogrupo (Tajfel, 1974).
Assim, de acordo com SIT a seleção de estratégias
para mudança social é determinada a partir de crenças compartilhadas, natureza
da estrutura social, permeabilidade de fronteiras do grupo.
A crítica levantada a SIT é no sentido desta ser
uma teoria que se foca nas conseqüências da identidade em relação aos conflitos
intergrupais, longe de ser uma teoria que sistematize e analise as diferentes
variantes da identidade social, seus antecedentes e consequentes. A seguir será discutida a Teoria da
auto-categoriação, que abrange de forma melhor a análise da identidade social.
Teoria da
Auto-Categorização (SCT):
Essa teoria foi elabora por Turner e pode ser vista como com uma
extensão da SIT por trazer uma estrutura mais geral do que esta. Sua marca é
distinção entre a identidade pessoal e a identidade social, considerando os
antecedentes e as conseqüências destas identidades. No que diz respeito a
identidade pessoal esta se refere as auto-definições relacionadas ao indivíduo
como único, enquanto a identidade social seria a auto-definição como membro de
um grupo de acordo com diferenças entre o endogrupo e exogrupo (Turner, 1982).
De acordo com Turner et al. (1987) tanto a
identidade pessoal como a identidade social é construída a partir da
auto-categorização, e que para Rosch (1978) a auto-categorização ocorre como
parte de um sistema hierárquico, onde as identidades podem ser interpretadas em
diferentes níveis de abstração. Como exemplo trazido pelo capítulo, em que morar
em Berlin é uma identidade de um nível
de abstração maior do que ser morador de um bairro de Berlin, e que os grupos e
as pessoas devem ser comparadas de acordo com esses níveis de abstração.
Assim as identidades elas são múltiplas e variadas,
ao tempo que as pessoas podem estar inseridas em vários grupos, mas que nem todos
fazem parte do mesmo grupo. E tendo essas múltiplas identidades, essas são
organizadas e estabelecidas por uma hierarquia de importância (Bruner, 1957a).
Essa hierarquia de importância esta relacionada com a adoção de uma identidade
particular, onde aquilo que é mais importante para pessoa será tomado como
principal para a sua identidade.
Para testar os princípios da SCT que são os
antecedentes e conseqüências da identidade social, foram realizadas várias
pesquisas empíricas que trouxeram bons resultados. Onde também foi aplicada
análise teórica e empírica de uma grande variedade fenômenos psicológicos
sócias, como preconceito, estereótipos, coesão grupal, comportamento
organizacional
A SCT sugere em primeiro lugar uma visão mais
reflexiva do processo de auto-conceito, onde o eu não é visto como esquemas
fechados, mas como categorias que podem ser mudadas de acordo com o ambiente
(Markus, 1988; Linville, 1985). Em segundo lugar a SCT também reconhece que o
que “eu” tem uma continuidade, como parâmetros, padrões e juízos a serem
seguidos. E em terceiro lugar, a distinção entre identidade pessoal e
identidade social.
Para finalizar Allport (1968) destaca que a
identidade social não é somente a identidade pessoal projetada nos membros do
grupo, e sim uma categoria social, pois vai além de do indivíduo (Turner &
Onorato, 1999).
Diante do que foi exposto é válido ressaltar que
as diferenças e discrepâncias entre as perspectivas européia e norte-america a
respeito da identidade social, se faz muito importante para a discussão e
produção a cerca da temática.
Nenhum comentário:
Postar um comentário