quinta-feira, 26 de abril de 2012

Fichamento - Identidades Sociais (continuação)

Simon, B, (2004). Identity in Modern Society. A social psychological perspective (p. 20-42). Oxford: Blackwell Publishing Ltd.


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Por Aline Feitosa Sampaio e Avimar Ferreira Júnior


Sobre os autores: Bernd Simon é Professor de Psicologia Social e Psicologia Politica no Instituto de Psicologia da Universidade Christian-Albrechts-University de Kiel

Objetivos do capítulo: O presente capítulo tem o objetivo de explanar sobre a Psicologia Social da Identidade a partir da contribuição de dois subtipos existentes na Psicologia Social que são: a Psicologia Social Sociológica que é uma abordagem que se baseia mais em aportes sociológicos; e a Psicologia Social Psicológica, que por sua vez é baseada em aspectos psicológicos.

Argumentação Central: O capítulo apresenta as influências que permeiam a Psicologia social a ponto de poder identificar dois grandes grupos de teorias em Psicologia Social: A Psicologia Social Sociológica e Psicologia Social Psicológica. Como exemplos da primeira, apresenta o Interacionismo Simbólico e a Teoria dos Papéis, apresentando suas características e limites, e a Teoria da Identidade como uma crítica as anteriores e como tentativa de síntese entre ambas. No tocante a Psicologia Social Psicológica, o autor aponta para as divergências entre as teorizações americanas e européias, bem como para a concordância da identidade como mediador social-cognitiva crucial que opera entre o ambiente social das pessoas e suas percepções e comportamentos.


Tópico 1 - Contribuições Sociológicas

As contribuições sociológicas giram em torno das estruturas da vida social, dos afetos, do desenvolvimento de uma personalidade social e produção de comportamentos. O que são aspectos distintos das contribuições psicológicas. A seguir serão apresentadas duas estruturas importantes para a contribuição de aspectos sociológicos, que são o Interacionismo simbólico, a Teoria dos papéis; e depois será comentada a Teoria da Identidade.

            Interacionismo Simbólico

Mead (1934/1993) traz que o conceito de Interacionismo simbólico se configura como uma inter-relação entre o self, a mente e a sociedade. Em que as pessoas usam símbolos que são significativos durante toda a interação social, sendo através da mente que as representações simbólicas são recuperadas, e mediadas pela linguagem. O self é visto como uma atividade reflexiva e cognitiva construída através dos papéis sociais. Assim a mente e o self são essencialmente sociais e interativos, sendo as duas estruturas moldadas socialmente, e que podem ser recriadas no decorrer das interações sociais.
Neste sentido vê-se que as pessoas não vivem isoladas e que a ação humana parte de uma interação social permitida através da comunicação, de gesto e símbolos significativos. A linguagem é vista como o mais importante sistema de símbolos, sendo o primeiro veículo da comunicação. 
Diante disso os símbolos significativos e a interação social são interdependentes, e sem eles não há interação social. Um aspecto que também facilita a interação é o lugar e a cultura que as pessoas estão inseridas. Sendo assim, sempre quando há situações novas existe uma tendência de testar maneiras de interação que já foram vividas, sendo moldadas ao longo de cada interação social.
Um aspecto importante na interação social é em relação as posições e papéis que as pessoas assumem e que tomam a finalidade dessas pessoas serem aceitas socialmente pela posição que ela tem. Uma vez que tais posições e papéis são construídos socialmente e também podem ser moldados e mudados através das relações.
Diante disso, as pessoas não devem ser vistas apenas como elemento da situação de interação, mas sim como sujeito ativo. Uma vez, que o conceito de self para o Interacionismo Simbólico é entendido como uma atividade reflexiva do self. E que possibilita que as pessoas incorporem expectativas dos outros facilitando a interação social. Pois essas expectativas são aprendidas através das experiências sociais o que possibilita uma antecipação de respostas pelos outros atores sociais.

Teoria do Papel

A teoria do papel enfatiza na importância e no impacto da estrutura social, e a partir dessa perspectiva a interação social independente de como ela aconteça, ou onde ela aconteça, deve ser explicada e levado em consideração o sistema social na sua maioria. Lembrando que a interação é estabelecida por pessoas que mantem relações.
As interações sociais são estruturas por um contexto, tem funções de em cada estrutura relacionada com a aceitação social.  E os papeis ou posições são construídos culturalmente a partir das relações socais, onde são aprendidas por meio da socialização  as ações apropriadas para cada esquema.
As questões mais importantes segundos teóricos da “Role Theory”, são questões de socialização, de conflito de papéis, relacionamentos e transições papéis.
           

Teoria da Identidade

Há um descontentamento em relação as teorias citadas a cima, em relação a teoria dos papéis, por esta ter uma visão um tanto determinista da vida social, e no que se refere ao interacionismo simbólico por não ser suficiente para explicar o que motiva e articula as estruturas. Dessa forma será apresentada como se deu o desenvolvimento dessa abordagem.
A teoria da identidade é mais completa para entender a interação entre o self e a sociedade, uma vez que faz uso das ideias da teoria de papéis e do interacionismo simbólico na construção dos aspectos sociais da pessoa. A teoria da identidade parte do pressuposto que a sociedade moderna é altamente complexa, multifacetada, as pessoas são diferentes e ainda assumem múltiplas identidades, uma vez, que participam de diversos grupos.

Tópico 2 - Contribuições Psicológicas

Alguns filósofos e psicólogos como Dewey (1890), Royce (1895), James (1890/1950) e Allport (1955, 1986) argumentaram sobre a inserção do conceito de “self” na ciência moderna da Psicologia. Gordon W. Allport com o intuito de colocar o self como um conceito central da Psicologia consagrou sete temas centrais que devem ser entendidos na Psicologia do Self. Que são: auto-imagem; continuidade do eu ao longo do tempo; auto-conhecimento (que tem uma ênfase no conhecimento corporal); eu como agente regulatório; auto-desenvolvimento e auto-estima; motivos de auto-realização e crescimento; e auto-extensão. Em que esse esquema auxilia na organização do estudo das contribuições psicológicas para a identidade social e psicológica.
A seguir será apresentado duas tendências que contribuem para compreender o que pode esta relacionado com a da identidade social psicológica. De um lado a tradição Norte-America, que preza mais pelo uso do termo “Eu” (self), e que tem uma visão mais individualista deste conceito. Ao tempo que esta tradição que se baseia na teoria da cognição social, lembrando que a perspectiva da cognição social não nega a dimensão social, mas considera como mais relevante as relações interpessoais, colocando as relações inter-grupais em um patamar de menor importância. 
Por outro lado a tradição Européia tem preferência pela terminologia “identidade”, e considera identidade social ou auto-categorização como aspectos de suma relevância para a determinação da identidade. E ainda acrescenta mais uma dimensão social, que são os antecedentes e as conseqüências das identidades compartilhadas. Esse é um aspecto que está representado no tema de auto-extensão de Allport (1968), e que foi criticado principalmente pela tradição Norte-America.
A seguir serão apresentados os temas referentes ao “self” pela tradição Norte-Americana, e logo a seguir, pela tradição Européia.

O Self na Psicologia Norte-Americana

O auto-conceito:
Allport (1968) sugere que as auto-imagens, com habilidades, status, papéis, vontades, são questões que definem “auto-conceito”. Em que estariam dispostos em conjuntos de auto-esquemas, que seriam aonde se organizam as experiências passadas utilizadas para reconhecer e interpretar o ambiente social. Assim, de acordo com Markus (1977) o auto-esquema seria uma generalização cognitiva sobre o self, derivada de experiências passadas do indivíduo. Ainda de acordo com o autor citado acima, o auto-esquema seria um processo que facilitaria o acesso a esquemas e comportamentos importantes, facilitando em tomadas de decisões relevantes; e também eles seriam bastante utilizados na percepção e compreensão de pensamentos, sentimentos e comportamentos dos outros.
Outro conceito trazido pelos autores como Markus & Kunda (1986) é o de auto-conceito de trabalho, onde considera que o eu se caracteriza um elevado grau de multiplicidade e maleabilidade. Em que o self é constituído por uma série de auto-esquemas, e que alguns são acessíveis através de variáveis motivacionais do contexto social, relacionados a crenças, valores, vontades, entre outros. Esse conceito considera o eu como múltiplo e maleável, por considerar a existência de vários auto-esquemas e a acessibilidade destes em diferentes níveis. E o conceito de auto-trabalho para Markus & Nurius (1986) ainda se relaciona com as conseqüências futuras a partir das decisões do presente, chamado de “Eu(s) Possíveis”, que dá a possibilidade de compreender as ações do presente se projetando no futuro (Markus  & Kunda, 1986)
Outra definição do auto-conceito é proposta por Linville (1985, 1987), onde este o define o “eu” como ser representado cognitivamente por auto-esquemas. Em que os auto-esquemas seriam uma categoria social que advém da experiência social, com a função de organizar informações a cerca de si mesmo. Esses auto-esquemas se referem a características físicas, habilidades, funções, preferências, atitudes, traços, associações grupais, entre outras. Essa noção de auto-conceito é bem semelhante a descrita por Markus, mas a abordagem de Linville dá mais ênfase na estrutura do auto-conceito, quando Markus se refere mais ao conteúdo. Onde de acordo com Linville há uma diferenciação entre as pessoas no que se refere ao aspecto estrutural, pois há uma discrepância no número de auto-aspectos, que funciona como uma regulação do bem-estar físico e metal do indivíduo.
No entanto, no que se refere ao auto-conceito outros modelos tem sido proposto na literatura. Como os que definem auto-conceito a partir de hierarquias, protótipos, redes sócias; há também modelos que explicam as variações culturais a partir do auto-conceito. No entanto diante dessas variações a maioria dos modelos estão de acordo com os pressupostos trazidos por Markus e Linville, que consideram o auto-conceito como uma representação cognitiva multifacetada e dinâmica, e que é produto dos vários fenômenos sociais.
Continuidade do eu: 
Este é um conceito que esta intimamente relacionado com a memória, com as lembranças importantes do que foi passado, do que está acontecendo no presente, é a noção da própria existência e percepção de continuidade do eu ao longo do tempo. Assim a o eu e a memória são interdependentes nessa construção do eu.
Para um melhor entendimento da relação existente entre o eu e a memória, Klein (2001) traz a distinção de dois importantes conceitos a respeito da memória. Que é a memória de procedimento, que esta relacionada com aquisição de habilidades perceptuais, cognitivas; e a memória declarativa, relacionada com os fatos e crenças existentes no mundo. Ainda no que se refere a memória declarativa, esta se subdivide em memória declarativa semântica, que se baseia em conhecimentos mais gerais; e em memória declarativa episódica, baseada em eventos mais singulares.
A partir da psicologia clínica e da neuropsicologia, Klein (2001) fala que uma crise no na continuidade do eu tem uma relação agravante com a memória episódica, mas não foi constatado uma relação inversa. E ainda que quando há perda memória episódica há uma diminuição da pessoa se lembrar do passado, no entanto se a memória semântica permaneceu intacta a pessoa ainda é capaz de ter lembranças sobre si sem ter que lembrar de acontecimentos específicos. Porém é a interação da memória episódica com a semântica que vai dá a pessoa a capacidade de construção pessoal e percepção de existência ao longo do tempo.
Auto-Conhecimento:
Este se refere a sensação corporal e percepção material do corpo, e de acordo com Allport (1968) o eu e a sensação corporal estão altamente interligados. E ainda salienta, que nós nem sempre estamos constantemente cientes de nossos corpos, mas podemos facilmente nos tornar cientes deles.
E de acordo com Hoyle et al. (1999) o auto-conhecimento não é adquirido somente pela consciência corporal, mas também pela aparência física, comportamento, humor, pensamentos. As pessoas também são lembradas como objetos sociais, onde a auto-consciência é referida como objetivo do auto-conhecimento, ou seja, o auto-conhecimento tem o intuito que a pessoa adquira uma auto-consciência de si mesma (Duval & Wicklund, 1972). Neste sentido o auto-conhecimeto pode ser desenvolvido tanto por fatores ambientais (que são os outros, objetos, etc.), como por fatores internos (como emoçoes transitórias) (Fiske e Taylor, 1991; Hoyle, 1975). 
A auto-consciência pode ser distinguida em duas tendências, uma que se configura como permanente e outra que é temporária. E ainda podem ser estipuladas entre público e privado. Onde auto-consciência pública é resultado dos próprios aspectos a partir do outro e do que o ambiente permite que a pessoa mostre; ao tempo que auto-consciência privada existe uma relação maior com a própria pessoa em particular.
O auto-monitoramento é uma variavel da personalidade que esta relacionada com a auto-consciência (Snyder, 1987), e que a pessoa consegue perceber e monitorar as diferenças ambientais de acordo com as situações que elas se mostram. Ter um auto-monitoramento se refere à regular e saber onde pode ir, o que pode fazer, o que pode falar, através de pistas situacionais; já quando se tem um baixo auto-monitoramento significa que não há um bom controle sob os comportamento e atitudes internas, deixando-as escapar. Neste sentido as pessoas que tem um alto auto-monitoramento tendem ter maiores níveis de auto-conciência em público.
Eu como agente e sistema regulatório: 
Regular o comportamento continuamente se faz como uma estratégia de sobrevivência, e o “eu” esta envolvido nessa tarefa. Que é um processo de verificar e compreende quais são as necessidades internas, e a realidades que a pessoa se encontra, e qual o planejamento para execussão dos seus objetivos.
Dessa forma a auto-regulação se refere as diversas formas  do “eu”  regular e controlar as próprias ações, estabelecer suas metas, e se preparar cognitivamente para uma certa atividades (Fiske & Taylor, 1991; Hoyle et al., 1999; Markus & Wurf, 1987).
Assim para se ter objetivos e metas, estes dependem das motivações e valores da pessoa, e ainda, do que se busca, do que se crê, do que se espera. Então quando se tem claro as metas a serem alcançadas, há uma preparação cognitiva em relação a selecionar estratégias eficazes para executar o objetivo. E na memória existem alguns scripts para que assim haja facilidade na seleção da estratégia a ser escolhida, e esses  scripts são em função de acordo com o custo e benéfico que tais estratégias trazem para indivíduo (Schank & Abelsn, 1977).
Após a a execução das estratégias, inicia-se outra fase que é a auto-regulação. Esta é relacionada com o controle do comportamento emitido, que é julgado de acordo com critérios e padrões esperados pela pessoa e pela sociedade. Ainda neste sentido a auto-consciência também relaciona-se com o processo mencionado acima, sendo que esta ativa o processo de comparação com o que esta acontecendo e o que se é esperado, e quando é encontrada uma discrepância entre ambos os comportamentos há uma tendência à comportamentos corretivos.
Além disso, pessoas que tem uma elevada auto-consiência privada demonstram dar mais importância aos padrões externos, e quando há uma baixa auto-consciência público é dada ênfase a padrões internos. Também há uma diferença no que se refere ao elevado e baixo auto-monitoramento, onde na primeira situação os comportamentos aprovados estão mais relacionados com julgamentos do ambiente social, enquato na segunda situação essas aprovações são mais relacionadas com critérios internos e pessoais (Hoyle et al., 1999)
Ainda no que se refere ao auto-regulação, as pessoas também selecionam estratégias comportamentais de acordo com as impressões que os outro irão ter, e com suas próprias crenças. E também selecionam situações e pessoas que querem manter uma interação social (Schlenker, 1980).
Auto-desenvolvimento e auto-estima: 
A auto-estima esta relacionada com o amor próprio, e o alcance da auto-estima é motivado por meio do auto-desenvolvimento, e ambo estão relacionados com o processo evolutivo. Onde se fala que desenvovoler auto-estima e auto-desenvolvimento poder ser visto como uma questão de sobrevivência e sucesso, a partir do cuidado que a pessoa tem em relacão a si mesmo (Hoyle et al., 1999).
De acordo com Trivers (1985) em relações interguprais ou interpessoais a auto-estima também pode ser evidênciada e relaciona-se com a evolução dos membros de tal grupo. Onde a auto-estima pode funcionar como uma medida das relações que acontecem no grupo, no sentido de que uma baixa auto-estima de um membro do grupo pode sinalizar uma rejeição, enquanto uma elevada auto-estima indicar uma boa aceitação da pessoa no grupo (Leary et al., 1995; Leary & Baumeiser, 2000).
O auto-desenvolvimento poder ser adaptativo no sentido de que as ações podem promover o ajustamento de comportamentos que não trouxeram sucesso, assim, se ajustando ao que é esperado (Taylor & Brown, 1988).
O auto-desenvolvimento é possivel porque o mundo social é estruturado a partir de várias perspectiva, o que dá espaço para a mudança e desenvolvimento de novas ideias, novas posturas, novas relacionamento, entre outros. Diante dessa possibilidade a auto-estima pode ser previnida de sofrer “danos”, como da uma atribuição a certa causa (ex. “O exame foi muito dificil”); racionalizar situações (ex. “Tenho certeza que aquelas uvas são inatingíveis”); fazer comparações sociais mais inferiores do que seu potencial (ex. “Meu amigo ainda foi pior do que eu no exame”); ter pessimismo compensatório para auto-afirmação (ex. “Eu posso até ser reprovado no exame de matemática, mas sou um bom nadador”); ser defensivo (ex.”Eu tenho certeza que vou me sair mal no exame, então, passar já seria suficiente para mim”)
Além de tais motivações cognitivas, o ambiente social também pode sugerir maneiras para que a auto-estima não seja prejudicada (Fiske & Taylor, 1991; Hayle et al., 1999). Como por exemplo, prevendo que ninguém deixará de fazer uma prova no dia seguinte, a pessoa pode se comportar estratégicamente indo pra uma festa no dia anterior e justificando que se deu mal na prova por conta da festa e não porque ele não é capaz. A auto-estima também pode ser reforçada distanciando-se de amigos que realizam certas atividades melhor do que a própria pessoal, bem como se aproximar de um amigo que tem muito sucesso no que faz (ex. “Eu sou amigo daquele cantor famoso) (Cialdini et al., 1976; Tesser, 19880).
O motivo para o auto-desenvolvimento é algo mais geral, no entanto, o motivo da auto-consciência é citado como mais importanto do que o auto-desenvolvimento (Sedikides, 1993; Sedikides & Strube, 1997; Fiske & Taylor, 1991). Em que pesquisa mostrou que as pessoas tendem a manter uma imagem consistente de si mesmo ou do seu auto-conceito, o que fortalece a auto-consciência e a previsibilidade sobre acontecimentos futuros (Swann, 1996). Assim o comportamento das pessoas são direcionados para sustentar seus auto-conceitos, e assim, diretamente a auto-consciência. Demonstrando que o motivo da auto-consciência pode funcionar em harmonia com o motivo para o auto-desenvolvimento, pois a marioria das pessoas tendem a demonstrar elevada auto-estima, o que pede um auto-desenvolvimento dos conceitos de acordo com as mudanças necessárias.
Porém pessoas com baixa auto-estima reagem com mais afeto negativo aos resultados desfavoráveis, e ainda uma aceitação maior de tais resultados. Demonstrando que essas respostas cognitivas afastam as tranformações, não se deve interpreta-lás como obstáculo da mudança do auto-desenvolvimento e auto-conceito (Sawann et al., 1987).
Assim a articulação entre os motivos de auto-consciência e auto-desenvolvimento é bastante importante, pois essa relação facilita o crescimento e satisfaz as necessidade do “eu” se desenvolver.
Auto-realização e crescimento:
Os motivos para a auto-realização e crescimento, no sentido de tornar-se o que tem potencial para se tornar, tem sido mais discutido por psicólogos humanistas, como Rogers (1959), Maslow (1970). No entanto, em oposição a estes estão as perspectivas Psicanálitica e Behaviorista.
De acordo como psicólogos humanista, o ser é dotado de uma tendência a se desenvolver, crescer e melhorar. Indo de encontro a esse pensamento Allport (1968) fala que a auto-realização e crescimento é fruto da resistência ao equilíbrio.Outros teóricos que tem o pensamento semelhante ao de Allport, falam do desenvolvimento e domínio de competências, e que a noção de possíveis identidades possuem um tendência a auto-realização e assim da espaço ao processo de crescimento para tornar o que se tem potencial para se tornar (Markus & Nirius, 1986).
Assim pensar que as possíveis identidades podem funcionar como guias de motivos de auto-desenvolvimento, possibilita uma interação entre as perspectiva humanista e a abordagem da cognição social.

            A Identidade na Psicologia Social Européia

O tema relacionado a “identidade” de acordo com os psicólogos européus, é a auto-extensão. Neste aspect Allport (1968) considera a capacidade humana de se identificar com grupos de diferentes níveis de significância. E as principais contribuições teóricas a respeito dessa temática é advinda da Psicologia Européia, no entando psicólogos norte-americanos tem se interessado pelo tema de auto-extensão (Aron, Aron & Norman, 2002; Sedikides 7 Brewer, 2001; Smith & Mackie, 2000).
Diante da contribuições do Psicologia Européia a temática da auto-extensão é bem expressada na Teoria da Identidade Social e da Relações Intergrupais (Tajfel & Turner, 1979, 1986), e na Teoria da Auto-categorização (Turner et al. 1987). Logo em seguida serão apresentadas as duas teorias.
Teoria da Identidade social e das Relações Intergrupais (SIT):
Trata-se de uma teoria que analisa as relaçoes intergrupais, dando ênfase ao conflito intergrupal (Tajfel & Turner, 1979, 1986). Esta teoria é impulsionada por clássiocos estudos, como o “experimento dos grupos minímos”, que tentavam compreender o porquê de membros de diferentes grupos discriminarem uns aos outros (Tajfel, 1970, Tajfel, 1971).
A SIT propõe que os membros dos grupos necessitam de uma identidade social positiva  e que é essa afirmação de identidade social que motiva a diferença entre os grupos. Pois quando se considera a sua identidade como sendo positiva, o exogrupo se caracterizará como negativo. Sendo essa teoria direcionada para a discriminação grupal (Turner & Reynolds, 2001).
Para analisar melhor o SIT pode exemplifica-lo a partir da análise da psicologia social das minorias, onde grupos em desvantagens sociais ficam susceptível a adquirir identidade social insatifatória buscando a partir daí estratégias de enfrentamento. Só que as estratégias podem ser individuais ou coletivas, quando são individuais causam desvantagem física e psicólogica para o endogrupo, e quando são coletivas fortalece a identidade social do grupo gerando mudança social. Outra estratégia de grupo é chamada de “criatividade social”, onde os membros do grupo procuram uma identidade positiva através da redefinição de elementos da situação comparativa, que é possivel a partir da comparação entre o exogrupo e o endogrupo (Tajfel, 1974).
Assim, de acordo com SIT a seleção de estratégias para mudança social é determinada a partir de crenças compartilhadas, natureza da estrutura social, permeabilidade de fronteiras do grupo.
A crítica levantada a SIT é no sentido desta ser uma teoria que se foca nas conseqüências da identidade em relação aos conflitos intergrupais, longe de ser uma teoria que sistematize e analise as diferentes variantes da identidade social, seus antecedentes e consequentes.  A seguir será discutida a Teoria da auto-categoriação, que abrange de forma melhor a análise da identidade social.
Teoria da Auto-Categorização (SCT): 
Essa teoria foi elabora por Turner e pode ser vista como com uma extensão da SIT por trazer uma estrutura mais geral do que esta. Sua marca é distinção entre a identidade pessoal e a identidade social, considerando os antecedentes e as conseqüências destas identidades. No que diz respeito a identidade pessoal esta se refere as auto-definições relacionadas ao indivíduo como único, enquanto a identidade social seria a auto-definição como membro de um grupo de acordo com diferenças entre o endogrupo e exogrupo (Turner, 1982).
De acordo com Turner et al. (1987) tanto a identidade pessoal como a identidade social é construída a partir da auto-categorização, e que para Rosch (1978) a auto-categorização ocorre como parte de um sistema hierárquico, onde as identidades podem ser interpretadas em diferentes níveis de abstração. Como exemplo trazido pelo capítulo, em que morar em Berlin é uma identidade de um  nível de abstração maior do que ser morador de um bairro de Berlin, e que os grupos e as pessoas devem ser comparadas de acordo com esses níveis de abstração.
Assim as identidades elas são múltiplas e variadas, ao tempo que as pessoas podem estar inseridas em vários grupos, mas que nem todos fazem parte do mesmo grupo. E tendo essas múltiplas identidades, essas são organizadas e estabelecidas por uma hierarquia de importância (Bruner, 1957a). Essa hierarquia de importância esta relacionada com a adoção de uma identidade particular, onde aquilo que é mais importante para pessoa será tomado como principal para a sua identidade.
Para testar os princípios da SCT que são os antecedentes e conseqüências da identidade social, foram realizadas várias pesquisas empíricas que trouxeram bons resultados. Onde também foi aplicada análise teórica e empírica de uma grande variedade fenômenos psicológicos sócias, como preconceito, estereótipos, coesão grupal, comportamento organizacional
A SCT sugere em primeiro lugar uma visão mais reflexiva do processo de auto-conceito, onde o eu não é visto como esquemas fechados, mas como categorias que podem ser mudadas de acordo com o ambiente (Markus, 1988; Linville, 1985). Em segundo lugar a SCT também reconhece que o que “eu” tem uma continuidade, como parâmetros, padrões e juízos a serem seguidos. E em terceiro lugar, a distinção entre identidade pessoal e identidade social.
Para finalizar Allport (1968) destaca que a identidade social não é somente a identidade pessoal projetada nos membros do grupo, e sim uma categoria social, pois vai além de do indivíduo (Turner & Onorato, 1999).

Diante do que foi exposto é válido ressaltar que as diferenças e discrepâncias entre as perspectivas européia e norte-america a respeito da identidade social, se faz muito importante para a discussão e produção a cerca da temática.

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