Stangor, C. (2004). Social Groups in Action and Interaction (p. 1-27). New York: Psychology Press
___
Por Zélia Fernandez e Carlos Vinícius Gomes
Melo
Sobre o
autor
Charles
Stangor é professor de psicologia na área de Psicologia Social da Universidade
de Maryland. Sua área de interesse é o
desenvolvimento dos estereótipos e do preconceito e sua influência nos indivíduos que são potenciais vítimas de discriminação.
Ele é associado da American
Psychological Society.
CAPITULO
1 - GRUPOS E RELAÇÕES INTERGRUPAIS
Objetivos
do capítulo
Definir o que é grupo social e descrever as suas diversas formas de
apresentação assim como as principais
contribuições dos mais diversos autores e abordagens, além de aprofundar
o entendimento das características grupais que ajudam na definição do que é
grupo, diferenciando–o de um agregado de pessoas e dos processos grupais,
focando no significado dos grupos para os indivíduos e sua influência.
Argumentação
Central
O estudo dos grupos sociais é antigo e passível de ser abordado das mais
diferentes formas, mais o que é indiscutível para todos os cientistas sociais é
a importância do grupo para o indivíduo. Entender todos os tipos de grupo é
difícil porque eles variam muito em forma, objetivos e tamanho, mas é possível
achar algumas características comuns a todos os grupos e alguns estudos e
pesquisas, além da contribuição de autores e pesquisadores de diversas áreas, como
Kurt Lewin e sua teoria interacionista, trouxeram a luz esse melhor entendimento de como os grupos se
formam, porque, sua importância e
propriedades.
Os
grupos como objeto das ciências devem ser estudados empiricamente, dentro de uma perspectiva de análise grupal ou individual. Há abordagens que
ajudam nesse entendimento como a abordagem interacionista de Kurt Lewin, a abordagem
do grupo dinâmico e o da auto–categorização. Além disso o entendimento das
características comuns a todos os grupos ajudam a definir o que é grupo, por exemplo: o grau de interação dos
seus membros assim como sua interdependência, sua estrutura, incluindo o
conjunto de normas, papéis e o status dos seus membros. Conceitos como o da entitatividade
ajudam a caracterizar o grupo como possuidor de uma identidade o que o torna um
grupo propriamente dito, um sentido de “ groupiness”. Os processos grupais
ajudam a entender o grau de significado
que o grupo tem para o seus membros para
isso duas abordagens são importantes para definir essa conexão indivíduos-grupo,são
a da identidade social e da coesão grupal.
Tópico
1 – Estudando Grupos
Grupos trazem muitas
e diferentes formas e tamanhos e seus desenvolvimentos acontecem também por
muitas e diferentes razões e por esta variabilidade dos grupos sociais,
pesquisadores de diversas searas buscam aprender sobre o comportamento grupal.
Entendendo os grupos
sociais na perspectiva de algumas características comuns é conveniente
dividi-los em algumas categorias básicas para melhor organizar o discurso. Nesta
variedade de grupos sociais há o Grupo
Referência que é um grupo de indivíduos que admiram e se identificam com
aqueles que pertencem a ela. Há o Grupo
de Trabalho que consiste dentre 3 a 12 indivíduos que estão agindo na tentativa
de alcançar um objetivo específico. Há também a definição Categoria Social que é mais amplo e relativamente permanente, onde
as pessoas compartilham um gênero, uma religião, uma nacionalidade ou uma
deficiência física. Há a demarcação também da Cultura como sendo um extenso grupo social constituído por
indivíduos que estão normalmente numa proximidade geográfica e que compartilham
uma comum configuração de crenças e valores, tal como linguagem, religião e
práticas familiares, como exemplo afroamericanos ou nipoamericanos. A última
definição seria a de Multidão, que
seria um vasto número de indivíduos que estão juntos num espaço comum para um
comum propósito, como exemplo prático pessoas comprando numa loja, motim ou
mobilização.
Tópico 2 – Grupos Sociais Cientificamente
Há abordagens para
entender o comportamento humano que são baseadas em cuidadosas análises
científicas, que vão das ciências naturais (tal como química e física) às
ciências sociais (como antropologia, psicologia e sociologia) e o aspecto
importante das ciências sociais para tal estudo é sua abordagem empírica, ao
qual não estão baseadas sobre especulação e sim sobre sistemática coleta de
dados.
Dentro deste estudo
de grupos sociais, há o nível de análise que foca sobre o grupo mais do que nos
indivíduos que constituí o grupo, que é abordagem de nível grupal; e há o outro nível que é a abordagem de nível individual, no qual
estuda com foco sobre os indivíduos mais do que os grupos. Por exemplo, o
fenômeno da Desindividuação, que
ocorre quando não há restrições no comportamento e as pessoas comportam-se com
impulsividade ou de maneira desviantes,
pode ser analisado tanto do ponto de vista grupal, quanto individual. E de
fato, comparando estas duas abordagens, em muitos outros casos de dados que são
coletados para estudo de comportamento grupal, pode-se concluir que estes podem
ser analisados nestes dois níveis.
Tópico
3 – Abordagem de Grupo Dinâmico
No princípio do Interacionismo há a significância de que
o comportamento social é determinado assumidamente em parte pelo individuo e em
parte pelo relacionamento entre o individuo e o grupo. Esta abordagem interacionista
é conhecida como grupo dinâmico e Grupo
Dinâmico é uma abordagem de estudo em grupos sociais, baseado no
interacionismo de psicólogo Kurt Lewin, onde se acreditava que tanto individuo
e grupo seriam igualmente importantes na conhecida equação [Comportamento =
f(Pessoa, Ambiente)]. Lewin contribuiu com o entendimento de que relações são
dinâmicas, porque o grupo muda quando afetado pelo individuo assim como muda o
individuo quando afetado pelo grupo. Outro importante aspecto na abordagem de
Lewin é o lugar dado a Percepção Social
a cerca de como o processo
de pensamento direcionado no entender e apreender sobre o outro, pois ele
entendia que era importante o estudo de como pessoas percebiam o comportamento
do outro e como eles usavam aquele comportamento para construir inferências
sobre aquelas pessoas.
Tópico
4 – Teoria de Autocategorização
Como Grupos
Dinâmicos, Autocategorização também
foca no processo de Percepção Social, focando justamente em como indivíduos se
percebem como parte do grupo. Esta teoria propõe que quando se está interagindo
com outros, as vezes talvez agimos com indivíduos, mas em outras vezes talvez
agimos mais como membros de um grupo social, e uma das mais importantes ideias
atrás desta abordagem é que percepção social e interação social são muito
flexíveis, pois argumenta que pessoas mudam a todo momento, em termo até de se
pensamos em nós mesmos primeiramente como individuo ou primeiramente como
membro de um grupo. Além de contribuir com a visão de interacionismo e da de
percepção social para definir o nosso grupo de pertencimento, esta teoria
também ajuda a entender como percebemos o grupo externo ao qual não pertencemos.
Esta comparação que muitas vezes é mais favorável para o nosso grupo tem
implicações importantes no que diz respeito às relações intergrupais.
É difícil achar uma
única definição para grupo social devido a variabilidade em que os grupos se apresentam
(pelos tamanhos, razões e até por diferentes referenciais teóricos produzidos),
mas há, no entanto, algumas propriedade comuns, que o definem como grupo social. Não apenas como um
grupo de pessoas, ou um agregado de pessoas, mas um grupo cujos participantes
se inter-relacionam significativamente.
Tópico 5
- Propriedades dos Grupos
Entre essas
propriedades estão: a interação, que significa que há uma mútua influência
entre seus membros, a interdependência,
estrutura que engloba um conjunto
de papeis, status, normas, valores, crenças e atitudes compartilhados pelos
membros do grupo, a auto categorização em que o indivíduo se define como um
membro do grupo e a identidade social, isto é, se perceber como possuidores de
um identidade social comum.Resumindo um grupo social se diferencia de uma
agregação social, pelo fato dos membros se perceberem como sendo parte de um
grupo e assim ser percebido pelos outros
(“groupiness” ou coletividade).
Características dos grupos
A similaridade entre os membros de um
grupo é outra característica importante na definição de um grupo, essa
similaridade pode ser por características físicas por exemplo, quando se
caracteriza um grupo como asiáticos ou europeus, mas a similaridade que
realmente é importante em termos do estudo de grupo é aquela em que seus
membros são similares por que se interessam pelas mesmas coisas, tem as mesmas
opiniões, crenças e comportamentos. Ainda é importante que essa similaridade
seja vista e partir dessa percepção, o membro do grupo pode enfatizar essa
similaridade para seu benefício ou não enfatizar como forma de se diferenciar
principalmente se essa similaridade não lhe trouxer benefícios.
A interação é uma importante propriedade para caracterização de um grupo, ela se define
como a comunicação entre os membros de
um grupo, que pode acontecer não
necessariamente face a face mas via internet já que há intensa
comunicação entre seus membros. Mas a interação é particularmente
significativa, quando há interdependência,
isto é quando os membros de um grupo dependem uns dos outros, para alcançar um
objetivo. Quando os membros de um grupo são interdependentes eles cooperam,
produzem e se comunicam mais.
A estrutura grupal
pode ser caracterizada como as regras que definem as normas, papeis e status de seus membros dentro do
grupo. As normas definem a forma como os membros do grupo de fato se comportam,
o que devem e o que não devem fazer, elas se originam das crenças compartilhadas pelo grupo.É a forma de pensar,sentir e se comportar que é percebida pelo grupo como apropriadas e normais.
Os papeis são os comportamentos esperados pelos membros
do grupos especificados pelas normas e o
status é medido pelo grau de autoridade, prestigio e reputação que um membro tem
no grupo como um todo. Normalmente quanto mais definido hierarquicamente mais
se pode definir aquele conjunto de
pessoas como um grupo
Processos grupais
Cada
uma das características de grupo não são suficientes para que sozinhas
sejam capazes de definir grupo, é
preciso haver um sentimento ou uma
percepção de que aquele grupo de indivíduos é realmente um grupo social, essa
percepção pode ser definida como entitatividade. Um grupo é entitativo quando percebemos que aquele membro do grupo possui
características similares a todos os
outros membros do grupos. Famílias por exemplo é visto como um grupo altamente
entitativo, essa coerência percebida entre os membros do grupo, esse
compartilhamento de características relevantes por todos os membros do grupo,
torna maior o estabelecimento de estereótipos.
Dois processos
intergrupais importantes na compreensão
de como nos sentimos em relação ao nosso grupo de pertença é o conceito de
coesão grupal e de identidade social,o primeiro é uma medida de
significância da importância do grupo
para os indivíduos e a capacidade que o grupo tem de manter os seus
membros unidos. Algumas características
grupais são capazes de aumentar a coesão, como o grau de interdependência grupal,
a força das normas no grupo e a capacidade de mantê-las. Grupos mais coesos são mais sensíveis as experiências de fracasso ou sucesso do
grupo.No entanto estudos demonstram que a coesão não é sinônimo de uma melhor performance grupal, pode em alguns
casos ser sinônimo de piores resultados.
As normas são mais importantes para
justificar uma melhor performance, se o grupo é direcionado para esse resultado.
Uma outra abordagem que fala do significado que o grupo
tem para os indivíduos,é a da identidade
social e acontece quando o grupo tem um efeito positivo no nosso auto conceito,
nos faz sentir bem, perante nos mesmos e o outro,ajuda a definir a nossa
identidade social, o auto conceito do individuo é resultado dele ser membro de
um determinado grupo. Essa identidade reflete no comportamento grupal.
Esses processos
grupais relacionados ao significado que o grupo tem para os indivíduos, descritos acima, mais as
características do grupo que ajudam a definir o
como e o quando o grupo se forma,
se influenciam reciprocamente, por exemplo grupos com forte identidade
social tendem a se perceber como mais similares.
Nenhum comentário:
Postar um comentário