terça-feira, 10 de abril de 2012

Fichamento - Grupos e relações intergrupais


Stangor, C. (2004). Social Groups in Action and Interaction (p. 1-27). New York: Psychology Press

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Por Zélia Fernandez e Carlos Vinícius Gomes Melo

Sobre o autor
Charles Stangor é professor de psicologia na área de Psicologia Social da Universidade de  Maryland. Sua área de interesse é o desenvolvimento dos estereótipos e do preconceito e sua influência nos indivíduos  que são potenciais vítimas de discriminação. Ele é associado da  American Psychological Society.

CAPITULO 1 - GRUPOS E RELAÇÕES INTERGRUPAIS

Objetivos do capítulo
Definir o que é grupo social e descrever as suas diversas formas de apresentação assim como as principais  contribuições dos mais diversos autores e abordagens, além de aprofundar o entendimento das características grupais que ajudam na definição do que é grupo, diferenciando–o de um agregado de pessoas e dos processos grupais, focando no significado dos grupos para os indivíduos e sua influência.

Argumentação Central
O estudo dos grupos sociais é antigo e passível de ser abordado das mais diferentes formas, mais o que é indiscutível para todos os cientistas sociais é a importância do grupo para o indivíduo. Entender todos os tipos de grupo é difícil porque eles variam muito em forma, objetivos e tamanho, mas é possível achar algumas características comuns a todos os grupos e alguns estudos e pesquisas, além da contribuição de autores e pesquisadores de diversas áreas, como Kurt Lewin e sua teoria interacionista, trouxeram a luz  esse melhor entendimento de como os grupos se formam, porque, sua importância e  propriedades.
Os grupos como objeto das ciências devem ser estudados empiricamente,  dentro de uma perspectiva de análise  grupal ou individual. Há abordagens que ajudam nesse entendimento como a abordagem interacionista de Kurt Lewin, a abordagem do grupo dinâmico e o da auto–categorização. Além disso o entendimento das características comuns a todos os grupos ajudam a definir o que é  grupo, por exemplo: o grau de interação dos seus membros assim como sua interdependência, sua estrutura, incluindo o conjunto de normas, papéis e o status dos seus membros. Conceitos como o da entitatividade ajudam a caracterizar o grupo como possuidor de uma identidade o que o torna um grupo propriamente dito, um sentido de “ groupiness”. Os processos grupais ajudam a entender  o grau de significado que o grupo tem para o seus membros  para isso duas abordagens são importantes para definir essa conexão indivíduos-grupo,são a da identidade social e da coesão grupal.    

Tópico 1 – Estudando Grupos
Grupos trazem muitas e diferentes formas e tamanhos e seus desenvolvimentos acontecem também por muitas e diferentes razões e por esta variabilidade dos grupos sociais, pesquisadores de diversas searas buscam aprender sobre o comportamento grupal.
Entendendo os grupos sociais na perspectiva de algumas características comuns é conveniente dividi-los em algumas categorias básicas para melhor organizar o discurso. Nesta variedade de grupos sociais há o Grupo Referência que é um grupo de indivíduos que admiram e se identificam com aqueles que pertencem a ela. Há o Grupo de Trabalho que consiste dentre 3 a 12 indivíduos que estão agindo na tentativa de alcançar um objetivo específico. Há também a definição Categoria Social que é mais amplo e relativamente permanente, onde as pessoas compartilham um gênero, uma religião, uma nacionalidade ou uma deficiência física. Há a demarcação também da Cultura como sendo um extenso grupo social constituído por indivíduos que estão normalmente numa proximidade geográfica e que compartilham uma comum configuração de crenças e valores, tal como linguagem, religião e práticas familiares, como exemplo afroamericanos ou nipoamericanos. A última definição seria a de Multidão, que seria um vasto número de indivíduos que estão juntos num espaço comum para um comum propósito, como exemplo prático pessoas comprando numa loja, motim ou mobilização.

Tópico 2 – Grupos Sociais Cientificamente
Há abordagens para entender o comportamento humano que são baseadas em cuidadosas análises científicas, que vão das ciências naturais (tal como química e física) às ciências sociais (como antropologia, psicologia e sociologia) e o aspecto importante das ciências sociais para tal estudo é sua abordagem empírica, ao qual não estão baseadas sobre especulação e sim sobre sistemática coleta de dados.
Dentro deste estudo de grupos sociais, há o nível de análise que foca sobre o grupo mais do que nos indivíduos que constituí o grupo, que é abordagem de nível grupal; e há o outro nível que é a abordagem de nível individual, no qual estuda com foco sobre os indivíduos mais do que os grupos. Por exemplo, o fenômeno da Desindividuação, que ocorre quando não há restrições no comportamento e as pessoas comportam-se com impulsividade ou de maneira desviantes, pode ser analisado tanto do ponto de vista grupal, quanto individual. E de fato, comparando estas duas abordagens, em muitos outros casos de dados que são coletados para estudo de comportamento grupal, pode-se concluir que estes podem ser analisados nestes dois níveis.

Tópico 3 – Abordagem de Grupo Dinâmico
No princípio do Interacionismo há a significância de que o comportamento social é determinado assumidamente em parte pelo individuo e em parte pelo relacionamento entre o individuo e o grupo. Esta abordagem interacionista é conhecida como grupo dinâmico e Grupo Dinâmico é uma abordagem de estudo em grupos sociais, baseado no interacionismo de psicólogo Kurt Lewin, onde se acreditava que tanto individuo e grupo seriam igualmente importantes na conhecida equação [Comportamento = f(Pessoa, Ambiente)]. Lewin contribuiu com o entendimento de que relações são dinâmicas, porque o grupo muda quando afetado pelo individuo assim como muda o individuo quando afetado pelo grupo. Outro importante aspecto na abordagem de Lewin é o lugar dado a Percepção Social a cerca de como o processo de pensamento direcionado no entender e apreender sobre o outro, pois ele entendia que era importante o estudo de como pessoas percebiam o comportamento do outro e como eles usavam aquele comportamento para construir inferências sobre aquelas pessoas.

Tópico 4 – Teoria de Autocategorização
Como Grupos Dinâmicos, Autocategorização também foca no processo de Percepção Social, focando justamente em como indivíduos se percebem como parte do grupo. Esta teoria propõe que quando se está interagindo com outros, as vezes talvez agimos com indivíduos, mas em outras vezes talvez agimos mais como membros de um grupo social, e uma das mais importantes ideias atrás desta abordagem é que percepção social e interação social são muito flexíveis, pois argumenta que pessoas mudam a todo momento, em termo até de se pensamos em nós mesmos primeiramente como individuo ou primeiramente como membro de um grupo. Além de contribuir com a visão de interacionismo e da de percepção social para definir o nosso grupo de pertencimento, esta teoria também ajuda a entender como percebemos o grupo externo ao qual não pertencemos. Esta comparação que muitas vezes é mais favorável para o nosso grupo tem implicações importantes no que diz respeito às relações intergrupais.
É difícil achar uma única definição para grupo social devido a variabilidade em que os grupos se apresentam (pelos tamanhos, razões e até por diferentes referenciais teóricos produzidos), mas há, no entanto, algumas propriedade comuns, que  o definem como grupo social. Não apenas como um grupo de pessoas, ou um agregado de pessoas, mas um grupo cujos participantes se inter-relacionam significativamente.

Tópico 5 - Propriedades dos Grupos
Entre essas propriedades estão: a interação, que significa que há uma mútua influência entre seus membros, a interdependência,  estrutura que  engloba um conjunto de papeis, status, normas, valores, crenças e atitudes compartilhados pelos membros do grupo, a auto categorização em que o indivíduo se define como um membro do grupo e a identidade social, isto é, se perceber como possuidores de um identidade social comum.Resumindo um grupo social se diferencia de uma agregação social, pelo fato dos membros se perceberem como sendo parte de um grupo e  assim ser percebido pelos outros (“groupiness” ou coletividade).

Características dos grupos
A similaridade entre os membros de um grupo é outra característica importante na definição de um grupo, essa similaridade pode ser por características físicas por exemplo, quando se caracteriza um grupo como asiáticos ou europeus, mas a similaridade que realmente é importante em termos do estudo de grupo é aquela em que seus membros são similares por que se interessam pelas mesmas coisas, tem as mesmas opiniões, crenças e comportamentos. Ainda é importante que essa similaridade seja vista e partir dessa percepção, o membro do grupo pode enfatizar essa similaridade para seu benefício ou não enfatizar como forma de se diferenciar principalmente se essa similaridade não lhe trouxer benefícios.
A interação é uma importante propriedade para  caracterização de um grupo, ela se define como a comunicação  entre os membros de um grupo, que pode acontecer não  necessariamente  face  a face mas via internet já que há intensa comunicação entre seus membros. Mas a interação é particularmente significativa, quando há  interdependência, isto é quando os membros de um grupo dependem uns dos outros, para alcançar um objetivo. Quando os membros de um grupo são interdependentes eles cooperam, produzem e se comunicam mais.
A estrutura grupal pode ser caracterizada como as regras que definem as normas,  papeis e status de seus membros dentro do grupo. As normas definem a forma como os membros do grupo de fato se comportam, o que devem e o que não devem fazer, elas se originam das crenças  compartilhadas pelo grupo.É a  forma de pensar,sentir e se comportar  que é percebida pelo grupo como  apropriadas e normais.
Os papeis  são os comportamentos esperados pelos membros do grupos especificados  pelas normas e o status é medido pelo grau de autoridade, prestigio e reputação que um membro tem no grupo como um todo. Normalmente quanto mais definido hierarquicamente mais se pode definir aquele conjunto  de pessoas como um grupo  

Processos grupais
Cada  uma das características de grupo não são suficientes para que sozinhas sejam capazes de  definir grupo, é preciso haver um sentimento  ou uma percepção de que aquele grupo de indivíduos é realmente um grupo social, essa percepção pode ser definida como entitatividade. Um grupo  é entitativo quando percebemos  que aquele membro do grupo possui características similares  a todos os outros membros do grupos. Famílias por exemplo é visto como um grupo altamente entitativo, essa coerência percebida entre os membros do grupo, esse compartilhamento de características relevantes por todos os membros do grupo, torna maior o estabelecimento de estereótipos.
Dois processos intergrupais  importantes na compreensão de como nos sentimos em relação ao nosso grupo de pertença é o conceito de coesão grupal e de identidade social,o primeiro é uma medida de significância  da importância do grupo para os indivíduos e a capacidade que o grupo tem de manter os seus membros  unidos. Algumas características grupais são capazes de aumentar a coesão, como o grau de interdependência grupal, a força das normas  no grupo e a capacidade  de mantê-las. Grupos mais coesos  são mais sensíveis  as experiências de fracasso ou sucesso do grupo.No entanto estudos demonstram que a coesão  não é sinônimo de uma  melhor performance grupal, pode em alguns casos ser sinônimo de  piores resultados. As normas  são mais importantes para justificar uma melhor performance, se o grupo é direcionado para esse resultado.
Uma outra  abordagem que fala do significado que o grupo tem para os indivíduos,é  a da identidade social e acontece quando o grupo tem um efeito positivo no nosso auto conceito, nos faz sentir bem, perante nos mesmos e o outro,ajuda a definir a nossa identidade social, o auto conceito do individuo é resultado dele ser membro de um determinado grupo. Essa identidade reflete no comportamento grupal.
Esses processos grupais relacionados ao significado que o grupo tem  para os indivíduos, descritos acima, mais as características do grupo que ajudam a definir o  como e o quando o grupo se forma,  se influenciam reciprocamente, por exemplo grupos com forte identidade social tendem a se perceber como mais similares.


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