Augoustinos, M; Walker, I. (2007). Social Cognition – an integrated introduction (p.149 -185). London: Sage publications.
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Por Vitor Santana
Sobre os autores:
MARTHA AUGOUSTINOS (PhD): É professora da Universidade de Adelaide – Austrália. Interesses: Psicologia Social e do discurso.
Iain Walker: Professor e pesquisador da Universidade de Murdoch – Austrália. Interesses: Processos de mudança social.
Objetivos do Capitulo: Analisar o estudo de atribuições ou explicações causais através de quatro diferentes quadros teóricos: cognição social, identidade social, representações sociais e psicologia discursiva. Como a maioria dos tópicos sobrepsicologia social, o estudo de atribuições tem sido largamente dominada pela tradição cognitiva social verdade refletindo a visão de como as pessoas atribuem causas de acontecimentos cotidianos e comportamentos.
Argumentação Central: A teoria da Atribuição dominou a psicologia social durante os anos 1970 e 1980. Durante esse período, um corpo maciço de pesquisa foi gerado. Pesquisadores como Kelley e Michela (1980) relatam que durante a década de 1970 mais de 900 estudos sobre atribuição tinham sido publicados, e que posteriormente em 1994 estima-se que este número quadruplicou (Smith,1994). Mais recentemente, as pesquisas sobre atribuições diminuiram, embora grande parte das pesquisas tem sido incluídas no campo da 'personologia comum’, termo cunhado por Daniel Gilbert (1998). Personologia comum, refere-se ao processo pelo qual as pessoas buscam entender os outros, inferir os seus estados, sentimentos e suas características estáveis e duradouras. Apesar da enorme atenção dedicada ao estudo de atribuição, a psicologia social não foi capaz de desenvolver uma única teoria unificadora (Gilbert, 1998). Assim, existem "mini-teorias" de processos atribucionais. Historicamente, três deles são considerados centrais - as contribuições de Heider, Jones e Davis, e Kelley.
Principais teorias
Heider (1958) – Psicologia ingênua. O autor articula uma "psicologia do senso comum ou uma psicologia de ação ingênua”. Para ele, os seres humanos atuam como cientistas ingênuos, inferindo ou deduzindo as causas dos acontecimentos ao seu redor, numa relação de causa e efeito. Heider alegou que tendemos a perceber uma causa e seus efeitos através de uma unidade de percepção. Alguns objetos e eventos se combinam mais facilmente do que os outros, formando uma unidade causal, especialmente, quando o objeto ou a causa é um indivíduo, e o evento ou efeito é um comportamento social; O arranjo dos objetos e eventos dentro das relações de causa e efeito, se constituem em um “sistema causal” em nossa arquitetura cognitiva (Krench, Krutchfield & Ballachey, 1962). Dois determinantes principais de "percepção da unidade" seriam a similaridade e proximidade. Dessa forma, nos nossos sistemas intuitivos causais, dois eventos são mais susceptíveis de sererm vistos numa relação, se eles são proximos em vez de distantes. Uma maior similaridade entre dois eventos, torna-os mais susceptíveis de serem entendidos como uma unidade causal, do que para eventos diferentes. Dois outros princípios de inferência causal são importantes: 1) As pessoas tendem a atribuir um comportamento a uma única causa, em vez de múltiplas causas coincidentes; 2) As causas de um comportamento podem ser consideradas dentro ou fora do ator (indivíduo), em alguma situação. Causas dentro do ator são ditas “causas disposicionais”, e incluem fatores como características de personalidade, motivação, capacidade e esforço. Causas externas do ator são “situacionais” e incluem fatores como o contexto social e obrigações funcionais. Heider notou que as pessoas tendem a enfatizar causas disposicionais ou internas, em detrimento de causas situacionais, ao explicar o comportamento. Esta tendência tornou-se conhecida como o ”erro fundamental de atribuição”
Jones e Davis (1965) - Teoria da inferência correspondente. É a primeira sistematização de idéias anteriores de Heider. A premissa básica da teoria é que, sob certas condições, as pessoas mostram uma forte tendência a inferir que as ações do outro correspondem às suas intenções e disposições. Ou seja, as pessoas gostam de inferir que o comportamento de alguém corresponde a uma qualidade estável na pessoa. Por exemplo, uma inferência correspondente seria atribuir o comportamento agressivo de alguém com um traço interno estável da pessoa, tais como 'agressividade'. Jones e Davis (1965) argumentaram que tais inferências são motivadas pela nossa necessidade de ver o comportamento das pessoas como intencional e previsível, devido ao seu caráter subjacente. Este, por sua vez, aumenta a nossa sensação de ser capaz de prever e controlar o comportamento de outras pessoas nas nossas interações sociais em geral. Eles descrevem três principais fatores que afetam o processo de fazer inferências correspondentes: desejabilidade social do comportamento; a escolha de uma pessoa no comportamento; e as variáveis motivacionais de relevância hedônica e personalismo. Comportamentos julgados socialmente desejáveis são menos informativos do que os comportamentos julgados socialmente indesejáveis. Quando o comportamento é socialmente desejável no contexto em que ocorre, ele já normatizado e esperado. Diferentemente,o comportamento socialmente indesejável é contra-normativo - não se espera. Por esta razão, eles são mais informativos do que os comportamentos socialmente desejáveis. Eles permitem que o ator faça uma atribuição disposicional negativa, por exemplo.
Kelley (1957) – Modelo de Covariação. O modelo baseia-se no princípio da covariação, o qual afirma que antes de dois eventos manterem uma relação causal, eles devem covariar um com o outro. Se dois eventos não covariam, eles não podem ser ligados causadamente. Ele sugeriu que três fatores são cruciais para avaliar covariação, e que as diferentes posições relativas a eles conduzem a diferentes tipos de conclusões causais. Os três fatores são consistência, distinção e consenso. Eles são pensados como independentes um do outro, as três dimensões constituem um cubo. Este modelo muitas vezes é citado como “cubo de atribuição”. Consistência - Se a pessoa responde da mesma maneira para os mesmos estímulos ao longo do tempo; Distinção – Se a pessoa se comporta da mesma forma para outros estímulos diferentes, ou seja, o comportamento é ligado à estímulos específicos Consenso – Se observam os mesmos estímulos respondendo de forma semelhante. O autor argumenta que nós analisamos sistematicamente pessoas e relacionamos com o ambiente de informação, e que diferentes combinações de informações, levam a diferentes atribuições causais.
O erro fundamental de atribuição- É a tendência para subestimar o impacto de fatores situacionais e superestimar o papel dos fatores disposicionais no controle do comportamento. (Ross, 1977) ou “Viés de correspondência” (Gilbert & Malone,1995)
O efeito ator-observador Há uma tendência generalizada para os atores atribuem suas ações às necessidades situacionais. Os observadores tendem a atribuir as mesmas ações para a estabilidade das disposições pessoais (Jones & Nisbett, 1972).
Viés de auto-serviço
As Teorias da atribuição tendem a ver o atribuidor como um espectador imparcial dos acontecimentos, e que processando friamente a informação disponível para sí. As pessoas estão envolvidas, com paixão ou não, nos acontecimentos ao seu redor. Eles, e suas atribuições, afetam e são afetados pelos outros e pelos acontecimentos. Muitas vezes as pessoas fazem atribuições que reflectem tendências egoístas, destinadas, conscientemente ou não, para melhorar a sua auto-estima em seus próprios olhos e aos olhos dos outros.
Será que as pessoas agem espontaneamente?
Alguns psicólogos sugerem que a teoria da atribuição exagera na medida em que as pessoas buscam explicações causais para ocorrências diárias e eventos: a de que o grau de atividade de atribuição pode ser simplesmente um artefato das metodologias de reativas usadas em tais estudos. A maioria dos estudos de atribuição de exigem, de fato, que os participantes indiquem a sua concordância ou discordância com declarações atribucionais fornecidos pelos pesquisadores.
Críticas às teorias clássicas da atribuição
Os modelos tradicionais de atribuição foram construídos como processos que selecionam informações do ambiente, e que se destinam a uma análise causal do comportamento. Porém, vivemos numa complexidade de relações sociais, envolvendo grupos, etnias, seitas, nações, tudo interagindo, reproduzindo e relativizando as mudanças. Nenhuma dessas interações é abstrata e fixada apenas no individuo como unidade. Todos nós somos sociais. Porém a teoria da atribuição, como no resto da psicologia, persiste em focar no asocial e individual. Doise (1986) e Hewstone (1988, 1989a) argumentam que muitos que muitas pesquisas têm articulado níveis intrapessoais e interpessoais de atribuição. O modelo de covariação de Kelley seria um exemplo. Nele, a percepção individual do evento, se engaja em um calculo mental para dar consistência ao evento, sem se basear nas relações sociais. O efeito ator-observador e o erro fundamental de atribuição são exemplos de pesquisas de atribuição com enfoque interpessoal. Com isso, esses modelos têm pouco a dizer sobre as interações sociais e contexto cultural onde as atribuições estão inseridas. A teoria da atribuição tem sido muito criticada por ser predominantemente individualista. (Hewstore, 1983)
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