Augoustinos, M.; Walker , I. (2007). Social Cognition – an integrated
introduction (p. 67-111). London :
Sage Publications.
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Por Silvia Cavalcanti R. Fleming e Thiago Siqueira
SOBRE OS AUTORES
MARTHA
AUGOUSTINOS (P.h.D.): Professora da Unive rsidade de Adelaide – Austrália. A
autora tem interesse na pesquisa da psicologia social do discurso.
IAIN
WALKER: Professor da Universidade Murdoch – Austrália. O autor tem interesse de
pesquisa sobre mudanças sociais e comportamentais, etnia e migração.
Objetivos
do capítulo: O
presente capítulo objetiva promover uma discussão entre as diversas abordagens
teóricas que tratam do Self e da Identidade. Segundo os autores, o Self
refere-se às crenças que as pessoas possuem sobre elas mesmas, enquanto a
Identidade diz respeito ao posicionamento do sujeito em relação aos grupos
sociais. Atualmente, existem 3 perspectivas teóricas que tratam desta
temática:1. Abordagem Sócio-Cognitiva, que domina o atual campo de estudo, 2.
Teoria da Identidade Social e 3.Perspectivas Discursivas e
Construcionistas. O modelo cognitivo
enfatiza a investigação sobre a estrutura e o conteúdo do self que estão
implicados nos comportamentos sociais e nos afetos. Já a teoria da identidade
social discute a natureza social do self, que é formado a partir dos grupos
sociais e, por fim, a abordagem discursiva, que indica que o self é construído
apenas a partir da relação com os outros e, portanto, não é estável.
Argumentação Central: O Self e a Identidade são entidades socialmente
formadas, que emergem das relações sociais e do encontro com os outros
significativos. A despeito do domínio das abordagens cognitivas sobre o campo
de investigação, os autores reforçam continuamente a lacuna social dessas
abordagens, pois consideram o self como uma entidade individualizada e
descontextualizada da cultura, que a pessoa está imersa.
Tópico
1 – Abordagens Sócio-Cognitivas do Self e da Identidade: Os modelos cognitivos têm dominado o campo de estudo
sobre o self, através da investigação da sua estrutura e do conteúdo. Neste
tópico, são apresentados os principais modelos teóricos de base cognitiva sobre
o Self.
Tópico 1.1 - O Self como Estrutura de Conhecimento
O self é considerado como o conjunto de todo o
conhecimento que a pessoa tem sobre ela mesma. Tudo o que sabemos sobre nós
mesmos corresponde ao nosso autoconceito. Isso inclui o conhecimento que temos
sobre nossas aspirações, desejos, interesses, habilidades, valores e papeis.
Além disso, o auto-conhecimento corresponde a um conjunto de representações
simbólicas que estão inter-relacionadas e
que podem mudar de acordo com as situações sociais.
Tópico 1.2 – Auto-Esquemas
Os esquemas correspondem a estruturas cognitivas
que as pessoas possuem sobre elas mesmas.
Segundo esse modelo, as pessoas podem ser esquemáticas ou
não-esquemáticas em relação a determinadas características, de acordo com a
centralidade dessa característica no autoconceito do sujeito. Os esquemas são estáveis e servem para
proteger a essência do autoconceito. Markus (1977) realizou um estudo para
verificar a centralidade da dimensão dependência-independência entre mulheres e
verificou que mulheres esquematicamente independentes tendem a responder mais
rápido a adjetivos independentes.
Tópico 1.3 – Estabilidade e Maleabilidade: O
Autoconceito de Trabalho
As pessoas tendem a se descrever
a partir das características estáveis do seu autoconceito, pois elas tendem a
resistir às informações que são inconsistentes com o que acham sobre si mesmas.
Contudo, alguns estudos têm demonstrado que o autoconceito pode variar, de
acordo com a situação e com a motivação da pessoa. Markus e Kunda (1986)
procuraram integrar essa aparente contradição na formulação da teoria sobre o
Autoconceito de Trabalho. Segundo essa
teoria, o self global é formado por uma série de auto-esquemas, que estão
relacionados a representações da memória, das crenças e dos valores da
pessoa. Por conta da incapacidade do
cérebro de processar todas as informações ao mesmo tempo, apenas parte dessas
do auto-conhecimento pode ser evocado e assim, apenas parte do autoconceito
fica disponível à pessoa. Essa porção do autoconceito que fica disponível em
cada situação é chamada de Autoconceito de Trabalho. O autoconceito de trabalho é composto por
diversas auto-representações centrais, que são frequentemente acessadas.
Contudo, as auto-representações podem ser influenciadas por diversos fatores,
como: fatores transitórios (pistas situacionais, humor e motivação), associação
das auto-representações, auto-representações recuperadas para neutralizar uma
representação indesejável de si ou para regular algum afeto ou comportamento.
Assim, os autores afirmam que a estabilidade do autoconceito é mantida por
conta do alto grau de acessibilidade de algumas auto-representações centrais.
Por outro lado, a maleabilidade também é percebida nessa teoria, a partir da
verificação da acessibilidade de outras representações (em diferentes níveis).
Segundo os autores, o conceito de autoconceito de trabalho levanta alguns
desdobramentos teóricos: o autoconceito
de trabalho representa uma migração da perspectiva teórica do avaro cognitivo
para o sujeito motivacional, pois o autoconceito de trabalho é influenciado
pelo o que a pessoa está motivada a acreditar sobre elas e a teoria apresenta
uma visão dinâmica e multifacetada do autoconceito, permitindo apresentações
inconsistentes do autoconceito. Contudo, essa teoria ainda coloca o self como
uma estrutura separada e distinta do social, onde este tem apenas uma função
eliciadora de comportamentos.
Tópico 1.4 – Eu(s) Possíveis
Para Markus e Nurius (1986), a
capacidade das pessoas de se imaginarem no futuro, de diferentes formas é a
chave da motivação, que impulsiona a emissão dos comportamentos e experiências
no presente. Assim, essa auto-representação futura promove um contexto em que
as escolhas presentes são avaliadas em relação às conseqüências futuras. Essa auto-representação futura, também
chamada de Eu(s) Possíveis ou alternativos são uma faceta do self, que procura
promover uma representação integrada com o self atual. Segundo essa teoria, o
autoconceito atual é derivado da relação que mantém com as auto-representações
futuras; os projetos, metas e aspirações são fundamentais para entender os
comportamentos presentes. Assim,
percebe-se que, para essa teoria, o autoconceito é uma entidade dinâmica e
capaz de mudanças intencionais, que são inspiradas nas representações futuras.
Tópico 1.5 – Teoria da Auto-Discrepância
Esta teoria é uma tentativa de
unificação das diversas teorias que tratam das conseqüências emocionais
originadas dos conflitos entre os aspectos internos do autoconceito. Higgins
(1987) procurou especificar um conjunto sistemático de relações, considerando a
magnitude e a qualidade da discrepância entre o self atual e os padrões do self
(Self Ideal e Self “Deveria ser”) e o tipo de afeto associado a tais
discrepâncias. Segundo os autores, o Self Ideal é formado pelas
aspirações,metas e esperanças, enquanto o Self “Deveria Ser” é guiado pelas
regras, normas e obrigações. Para
Higgins(1987), o self atual é avaliado e regulado a partir dos padrões gerados
pelos guias (Ideal e “Deveria ser”). A discrepância do self com cada um dos
tipos de guia gera afetos negativos e específicos. Assim, discrepâncias do self
atual com o Ideal geram afetos de vulnerabilidade, enquanto as discrepâncias
com o self “deveria ser” gera afetos de agitação. Contudo, estudos mais recentes afirmam que a
relação entre as discrepâncias e os afetos gerados são menos específicos e mais
gerais. A teoria do Eu(s) Possíveis e da
Auto-discrepância aproximam-se na medida que considera que os aspectos não
realizados fornecem um contexto fundamental no entendimento do self atual.
Contudo, as teorias afastam-se no sentido de que a abordagem do Eu(s) Possíveis
acredita que os aspectos não-realizados são motivadores e a teoria da
auto-discrepância credita a esses aspectos, a origem de afetos negativos.
Tópico 1.6 – Funções do Self
O self é uma entidade reflexiva e
que, por conta dessa característica, possui duas funções importantes:
Auto-avaliação e Auto-Regulação.
Tópico 1.6.1 – Auto-Avaliação
A auto-avaliação diz respeito à
comparação do self atual com determinados padrões internalizados pelo self. O
resultado da auto-avaliação é influenciado pela motivação em realizá-la, pois,
a motivação irá guiar a forma como o sujeito busca, presta atenção, evoca e
atribui informações sobre si mesmo. Segundo os autores, existem alguns motivos
para as pessoas realizarem auto-avaliação: auto-avaliação acurada de
informações, para fins diagnósticos; auto-engrandecimento, onde as pessoas
concentram-se nas fontes de informações mais favoráveis a ele próprio;
auto-verificação, encorajando o sujeito a confirmar as crenças sobre eles
mesmos e auto-desenvolvimento, permitindo uma orientação voltada para o futuro,
capturando o potencial de mudança e as aspirações do self. A motivação pelo
auto-desenvolvimento é uma construção teórica mais recente, desenvolvida por
Taylor et al,1995.
Tópico 1.6.2 – Auto-Estima
A auto-estima é um construto
largamente investigado pela Psicologia Social e é relacionado a diversos outros
conceitos, como violência interpessoal, processamento de informação, atribuição
e comparação social. A auto-estima é um
julgamento de valor baseado no auto-conhecimento, formado por inferências
originadas da auto-avaliação e pode ser mediada pela atribuição e pela
importância do aspecto avaliado. Segundo
Baumeister (1998), ainda não há clareza sobre a relação entre auto-estima e
comportamentos positivos, mas há relação entre auto-estima e afetos positivos.
Tópico 1.6.3 – Auto-Regulação
A auto-regulação refere-se ao
engajamento e ao monitoramento do comportamento com a intenção de atingir um
resultado desejado para si ou de evitar um resultado indesejado. Existem dois
aportes teóricos, que procuram explicar a auto-regulação: 1. Teorias
Drive-Based, que afirma que a motivação e a auto-regulação são dirigidas pela
intenção de reduzir o mal-estar gerado pelas necessidades não atendidas. A
teoria da Dissonância Cognitiva (Festinger,1957) faz parte desse aporte
teórico, pois afirma que quando a pessoa percebe que possui
atitudes/comportamentos inconsistentes, ela experimenta um desconforto
psicológico que motiva mudança de atitude/comportamento. 2. Modelo Baseado no
Incentivo enfatiza os benefícios das metas no desenvolvimento do self; a
atratividade do eu possível promove motiovação para emissão de esforços, que
visam alcançar resultados positivos ou evitar os negativos. A partir desses dois aportes teóricos, os
autores apresentam dois modelos, que buscam integrar as teorias apresentadas
acima: o Modelo de Processo de Controle da Auto-Regulação e o Modelo do Foco
Regulatório. O Modelo de Controle da
Auto-Regulação representa um sistema de auto-regulação humana semelhante a um
sistema cibernético de feedback, em que o estado do sistema é comparado,
regularmente, a um valor de referência que representa a meta do sistema. Nesse
sistema, os valores de referência iniciam o processo com valores altamente
abstratos e, a cada verificação, vão ficando mais específicos, para diminuir a
discrepância entre o valor de referência e o comportamento. O afeto é produzido
por uma segunda ordem de auto-monitoramento do sistema, que é responsável por
monitorar o progresso de redução da discrepância entre o estado atual e o valor
de referência.Assim, o afeto é originado do sucesso ou da falha dos esforços de
reduzir a discrepância e não da percepção da discrepância em si. O modelo do
Foco Regulatório é uma reformulação e extensão da teoria da auto-discrepância
de Higgins (1997) e afirma que os estudos mostram que as pessoas percebem
diferentemente os eventos em termos de resultados negativos ou positivos, de
acordo com o tipo de auto-discrepância predominante. Segundo este modelo
teórico, o tipo de interação ( desenvolvimento ou segurança) que a pessoa teve
na infância, vai definindo o estilo de auto-regulação da pessoa.
Tópico 1.7 – Críticas ao Modelo
Sócio-Cognitivo do Self
Os autores levantam algumas
críticas à abordagem cognitiva do self, a saber: 1. Para a abordagem cognitiva, o self está
localizado dentro do sujeito, é uma entidade separada do social, que influencia
a emissão dos comportamentos e das experiências em determinados contextos. Para
as abordagens discursivas, os selves surgem das relações e das ações sociais. 2. A natureza individualizada
e descontextualizada do self também é fortemente criticada pelas abordagens
discursivas.
Tópico 2 – Abordagens da Identidade Social do Self
e da Identidade
Algumas definições preliminares: Identidade social é
a posição da pessoa, em relação à posição dos demais dentro da sociedade. Ao
escolher uma profissão, religião, estado civil, etc., o individuo está
definindo a sua identidade social. Valores diferentes são atribuídos a
significações diferentes. Assim, a identidade social reflete a posição que a
pessoa possui na sociedade. Teoria da Identidade Social, inicialmente formulada
pelos psicólogos sociais Henri Tajfel e John Turner e sua principal área de
aplicação é a das relações intergrupais. De acordo com os autores, a Teoria de
Identidade Social (SIT) é, explicitamente, uma teoria de comportamento
intergrupal. Baseia-se na premissa de que os grupos e categorias
sociais de que somos membros fazem parte de nosso
senso de self e identidade. De acordo com Tajfel (1981), a identidade
social parte daquele nosso autoconceito individual, que deriva
do conhecimento da nossa participação em alguns
grupos sociais, juntamente com o valor e o significado
emocional ligado a esse pertencimento.Alguns exemplos do próprio autor:
uma mulher, ou um vegetariano, um aborígene, ou alguém que pertença ao
Greenpeace, por exemplo. Todas essas identidades sociais formadas não se
representam como fatos sociais neutros sobre uma pessoa, e sim
contribuem de modo importante na forma como a pessoa vê, entende
e sente sobre si mesmo. Embora a importância (desses tipos
de associações de grupo para a identidade) seja um princípio
central da teoria, o conceito de identidade é, em certa
medida, sub-teorizado. E nem sempre é claro porque os membros do
grupo são importantes para a identidade, e como isso
pode variar de acordo com outros aspectos do ego e da identidade.
SIT – TEORIA
DE IDENTIDADE SOCIAL
A teoria argumenta que as pessoas são motivadas a
pensar bem de si mesmas (Tajfel, 1981; Tajfel e Turner, 1986); E dado que parte
do sentimento de autoconceito (self) está ligado à suas identidades sociais
(seu grupo social e associações da categoria), a teoria afirma que as pessoas
são motivadas a buscar diferenciação positiva para os seus intergrupos.
A SIT tem focado fortemente em mostrar como a
importância da motivação para diferenciar positivamente seu grupo de outros
tende a produzir favoritismo endogrupal e fenômenos de afastamento e/ou
diminuição de outros grupos. Vendo os grupos a que pertencemos, como sendo
superior aos outros, as pessoas são capazes de reforçar a sua identidade social
e melhorar a sua autoestima.
Tópico 2.1 - Identificação
Esta hipótese relacionada à autoestima tem recebido
apoio de alguns estudos que mostram que o aumento da autoestima decorre das
oportunidades de diferenciação positiva, mas também tem sido fortemente
contestada (Brown, 2000; Long e Spears, 1997; e Turner, 1999). Sobre
identificação e auto-estima, a ênfase de Tajfel (1981) é, em sua definição
original, sobre o significado e valor emocional ligado à associação com o
pertencimento (ou adesão) a um grupo social. Mas deixa claro que tal adesão não
é suficiente para o desenvolvimento de uma identidade social. A SIT atenta para
a importância da psicologia individual, enfatizando o papel do processo de
identificação em moderar as consequências da identidade social para o self. Trabalhos
teóricos e empíricos recentes sobre identidade social tendem a considerar a
identificação como uma característica estável dos membros do grupo. Por exemplo, Doosje e Ellemers (1997) compuseram uma série
de estudos de investigação sobre respostas (com altos e baixos níveis de
estímulos identificadores) em situações onde as suas identidades sociais
estavam ameaçadas. A SIT sugere que a resposta mais comum em contextos de
ameaça a identidade social é o aumento do reforçamento da identidade
endogrupal, havendo quase sempre julgamentos e comparações intergrupos
(diferenciação positiva).Contudo, as circunstâncias e as realidades sociais
regulam este fenômeno, podendo ocorrer níveis altos e baixos de identificação.
Por exemplo: torcedores de um time de futebol, num longo período de derrotas,
terão dificuldade de perceber seu time como mais talentoso que os times que vem
sendo campeões.
Tópico 2.2 – Identidades Sociais Adquiridas e Atribuídas
Uma dimensão, ao longo do qual os membros de um
grupo ou categoria variam, é o grau em que uma pessoa é capaz de escolher se
deve ou não ser um membro. Membros de grupos sobre os quais temos pouco ou
nenhum controle pessoal são considerados atribuídos (identidades sociais
atribuídas, por exemplo, categorias como sexo, etnia). Enquanto membros que
escolhemos, mais ou menos livremente, são ditos adquiridos (identidades sociais
adquiridas, ex: colegas de ocupação, filiação partidária, etc.).Esta distinção
não repousa sobre se a identificação está sendo livremente escolhida ou não,
mas, sim, de como ela é percebida pelos outros. Embora ambos, (adquiridos e os
membros do grupo atribuídos), são rotineiramente utilizadas como base para
fazer julgamentos sobre as pessoas, as bases destes diferem em aspectos
importantes: Os membros do grupo com identidades sociais adquiridas podem ser
vistos como uma expressão de atributos pessoais, preferências, crenças e
valores. Julgamentos feitos com base em membros de grupos de identidades
sociais atribuídas são mais propensos a refletir suposições sobre as
características que se acredita ser naturalmente associado a esse grupo, como
por exemplo, que uma mulher vai ser mais emocional do que um homem, etc.
Tópico 2.3 – Teoria da Auto-Categorização
Os autores iniciam este subtema com as seguintes
indagações, que nos suscitam boas reflexões:“O que faz com que um membro (ou
uma característica) de um importante grupo social possa influenciar no nosso
comportamento e na nossa experiência em algumas situações e em outras não?”“Por
que às vezes refletimos mais sobre os aspectos que nos diferenciam dos outros,
nos tornando únicos, enquanto em outros momentos direcionamos nossa consciência
para os fatores que nos aproximam dos outros, para os aspectos em comum?”Nesse
sentido, segundo os autores, a SCT (Self-Categorization Theory) é uma extensão
da SIT (Social Identity Theory) (Turner, Hogg, Oakes, Reitcher e Wetherell,
1987). A SCT argumenta que nossa identidade social reflete nosso posicionamento
no mundo. Nos envolvemos quando estão em questão os interesses particulares dos
grupos sociais em que convivemos, quando estes fazem sentido para nós.Assim,
três níveis de identidade podem aparecer:Nível Superior ou Super-ordenado –
Nível Humano: Self como ser humano. Nossas semelhanças com os outros, as coisas
que temos em comum enquanto humanidade, isso dá contorno externo a nossa
identidade.Nível Intermediário – Nível Social: Self como membro de um grupo.
Nossa identidade está centrada na consciência simultânea das semelhanças e
diferenças; semelhanças entre nós e os membros dos nossos grupos internos são
contrastadas com as diferenças entre nós e os membros de um grupo externo
(identidade social).Nível Subordinado - Nível Pessoal: Self como indivíduo.
Nossa unicidade, as características individuais que influenciam à formação da
nossa identidade.Auto-categorização em um nível ou outro segue o princípio do
meta-contraste. Categorização sempre ocorre dentro de um contexto social, que
nunca pode ser generalizado. Em qualquer contexto, sempre existem possibilidades
classificatórias diversas.
Tópico 2.4 – Políticas de Identidade
As proposições dos autores nos levam a reflexões,
tais como: Como desenvolver uma política universal sobre Identidade uma vez que
esta é mediada pelos diversos contextos?Há espaço para a razão na formação das
identidades sociais?São mutáveis as identidades sociais? Devem ser
constantemente reformuladas. Segundo aos autores, o importante é perceber que
as teorias contemporâneas têm demonstrado que as identidades sociais não são o
reflexo objetivo das posições sociais nas quais o sujeito se localiza e nem são
derivadas de princípios de uma verdadeira natureza interior, classe ou raça. A
emergência da identidade está relacionada com uma posição política do homem e
dos grupos frente a outros homens e grupos
Tópico 3 – Disciplinas Psis e Discursos
do Self/ Abordagens Discursivas do Self e da Identidade
Os autores chamam atenção para o fato de que há
outro ponto de convergência ao se falar de identidade nos Estudos Culturais e
na Semiologia dos Discursos Sociais: a atuação dos sistemas de representação,
que classificam o mundo e as relações sociais, num processo de relações de
poder. Toda prática social é marcada pela linguagem e, portanto, pela ideologia
e pelas as disputas de poder. As identidades, como sistema de relações e
representações, são diversas e cambiantes, negociadas nas práticas sociais e
nos sistemas simbólicos, por meio dos quais os sentidos são atribuídos a
posições de sujeito.
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