quinta-feira, 26 de abril de 2012

Questões enviadas pelos alunos relacionadas ao texto:

Simon, B, (2004). Identity in Modern Society. A social psychological perspective (p. 20-42). Oxford: Blackwell Publishing Ltd.

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> Em que medida o indivíduo social é capaz de interferir na construção e seleção, além de resolver os conflitos das suas múltiplas identidades? 

> Ao se posicionar socialmente, o indivíduo de acordo coma teoria da identidade, escolhe aquela identidade, dentro de uma hierarquia de saliência que melhor reflete seu grau de comprometimento com aquele papel social, demandado em uma dada situação. Isso ajudaria a responder porque o individuo na relação com seus diferentes grupos, se valem mais de um ou outro papel no momento de salientar o que é positivo do seu grupo de pertença e o que é negativo do grupo exterior?

> Segundo os conceitos de "auto-complexidade" de Linville, divididos em "high self-complexity" (grande quantidade de independentes "self-aspects") e "low self-complexity" (pequena quantidade de "self-aspects" fortementeinterrelacionados), como pensar a complexidade do self no contexto digital? É possível afirmar que a chamada "geração Y" é dotada de uma high self-complexity, enquanto as gerações anteriores são combinações entre high e low self complexities? Ou, por outro lado, somos todos dotados de ambas as vertentes, diferenciando-nos, neste sentido, a partir da preponderância entre uma delas?

> O self como constructo derivado em parte da memória é o ponto-chave da "continuidade do self". Klein (2001) sugere distinções entre os tipos de memória, sendo chamadas de "procedural memory" e "declarative memory". Neste ponto do texto do Simon -p. 29-, é correto sugerir que a "procedural memory" tem uma relação direta com a experiência corpórea, sensorial, enquanto a "declarative memory" oferece uma conotação mais subjetivista, cognitivista?

> De que forma o ambiente social pode influenciar a auto-estima e o auto-desenvolvimento pessoal?

> Uma arquitetura heterogênea de redes sociais pode favorecer a construção de uma identidade relacional mais eficaz, e consequetemente, mais auto-desenvolvida?

> Fiquei curioso para saber quais são as abordagens mais contemporâneas do interacionismo simbólico na psicologia. Goffman tem relacoes nesta campo, certo? mas na psicologia ainda se pode reconhecer pensadores nesta perspectiva?

> Uma observação: me parece cada vez mais importante a contribuição de Giddens na aproximação dos aspectos que podem unir a compreensão e constituição de indivíduo-sociedade. As noções da estruturação parecem contemplar de forma mais consistente e minuciosa o que tenta a teoria de categorizarão social, não?

> Quais as diferenças fundamentais entre a Teoria dos Papéis e a Teoria da Identidade?

> Existem relações entre a noção de proteção do autoconceito e o conceito de identidade social, no que concerne aos relacionamentos intergrupais?

> A SCT sugere a existência de uma identidade pessoal e uma identidade social. É possível fazer essa distinção, já que os sujeitos são seres sociais e a identidade é formada a partir do social?

> Em que medida a teoria da identidade, ao considerar a identidade como relacional, socialmente construída, estruturada e múltipla se aproxima ou se distancia das perspectivas mais ligadas às contribuições psicológicas?

> É possível afirmar que o conceito de identidade na psicologia social européia se aproxima mais das contribuições sociológicas por considerar com maior ênfase as variáveis contextuais do fenômeno?

> As teorias trabalhadas na psicologia social, pelo menos de abordagem cognitivista, seja europeia ou americana, focam numa espécie de equilíbrio. Como se os indivíduos percebessem o que está ao seu redor, avaliasse, concluísse algo e, a partir disso, haveria determinados resultados, sempre tendo como resultado final algum tipo de ajuste. Esse foco no equilíbrio, algumas vezes, sofre uma série de críticas conceituais e epistemológicas. Mas será possível que em algum lugar o ser humano não busque alguma espécie de ajuste ou equilíbrio, ainda que subordinados a aspectos culturais?

> As teorias sobre relações grupais sempre se referem à influência do grupo sobre o indivíduo. Pode-se ter como exemplo o status que um grupo ocupa na sociedade. Se um grupo possui um status positivo, isso não só geraria sentimentos positivos nos membros desse grupo como isso serviria de referência para esses indivíduos se diferenciarem de outros grupos. Mas seria possível ocorrer o contrário? Ou seja, um indivíduo que usufrua de um status positivo na sociedade poderia interferir na autoestima de um grupo, o qual ele faça parte e que seja negativamente avaliado?

Fichamento - Identidades Sociais (continuação)

Simon, B, (2004). Identity in Modern Society. A social psychological perspective (p. 20-42). Oxford: Blackwell Publishing Ltd.


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Por Aline Feitosa Sampaio e Avimar Ferreira Júnior


Sobre os autores: Bernd Simon é Professor de Psicologia Social e Psicologia Politica no Instituto de Psicologia da Universidade Christian-Albrechts-University de Kiel

Objetivos do capítulo: O presente capítulo tem o objetivo de explanar sobre a Psicologia Social da Identidade a partir da contribuição de dois subtipos existentes na Psicologia Social que são: a Psicologia Social Sociológica que é uma abordagem que se baseia mais em aportes sociológicos; e a Psicologia Social Psicológica, que por sua vez é baseada em aspectos psicológicos.

Argumentação Central: O capítulo apresenta as influências que permeiam a Psicologia social a ponto de poder identificar dois grandes grupos de teorias em Psicologia Social: A Psicologia Social Sociológica e Psicologia Social Psicológica. Como exemplos da primeira, apresenta o Interacionismo Simbólico e a Teoria dos Papéis, apresentando suas características e limites, e a Teoria da Identidade como uma crítica as anteriores e como tentativa de síntese entre ambas. No tocante a Psicologia Social Psicológica, o autor aponta para as divergências entre as teorizações americanas e européias, bem como para a concordância da identidade como mediador social-cognitiva crucial que opera entre o ambiente social das pessoas e suas percepções e comportamentos.


Tópico 1 - Contribuições Sociológicas

As contribuições sociológicas giram em torno das estruturas da vida social, dos afetos, do desenvolvimento de uma personalidade social e produção de comportamentos. O que são aspectos distintos das contribuições psicológicas. A seguir serão apresentadas duas estruturas importantes para a contribuição de aspectos sociológicos, que são o Interacionismo simbólico, a Teoria dos papéis; e depois será comentada a Teoria da Identidade.

            Interacionismo Simbólico

Mead (1934/1993) traz que o conceito de Interacionismo simbólico se configura como uma inter-relação entre o self, a mente e a sociedade. Em que as pessoas usam símbolos que são significativos durante toda a interação social, sendo através da mente que as representações simbólicas são recuperadas, e mediadas pela linguagem. O self é visto como uma atividade reflexiva e cognitiva construída através dos papéis sociais. Assim a mente e o self são essencialmente sociais e interativos, sendo as duas estruturas moldadas socialmente, e que podem ser recriadas no decorrer das interações sociais.
Neste sentido vê-se que as pessoas não vivem isoladas e que a ação humana parte de uma interação social permitida através da comunicação, de gesto e símbolos significativos. A linguagem é vista como o mais importante sistema de símbolos, sendo o primeiro veículo da comunicação. 
Diante disso os símbolos significativos e a interação social são interdependentes, e sem eles não há interação social. Um aspecto que também facilita a interação é o lugar e a cultura que as pessoas estão inseridas. Sendo assim, sempre quando há situações novas existe uma tendência de testar maneiras de interação que já foram vividas, sendo moldadas ao longo de cada interação social.
Um aspecto importante na interação social é em relação as posições e papéis que as pessoas assumem e que tomam a finalidade dessas pessoas serem aceitas socialmente pela posição que ela tem. Uma vez que tais posições e papéis são construídos socialmente e também podem ser moldados e mudados através das relações.
Diante disso, as pessoas não devem ser vistas apenas como elemento da situação de interação, mas sim como sujeito ativo. Uma vez, que o conceito de self para o Interacionismo Simbólico é entendido como uma atividade reflexiva do self. E que possibilita que as pessoas incorporem expectativas dos outros facilitando a interação social. Pois essas expectativas são aprendidas através das experiências sociais o que possibilita uma antecipação de respostas pelos outros atores sociais.

Teoria do Papel

A teoria do papel enfatiza na importância e no impacto da estrutura social, e a partir dessa perspectiva a interação social independente de como ela aconteça, ou onde ela aconteça, deve ser explicada e levado em consideração o sistema social na sua maioria. Lembrando que a interação é estabelecida por pessoas que mantem relações.
As interações sociais são estruturas por um contexto, tem funções de em cada estrutura relacionada com a aceitação social.  E os papeis ou posições são construídos culturalmente a partir das relações socais, onde são aprendidas por meio da socialização  as ações apropriadas para cada esquema.
As questões mais importantes segundos teóricos da “Role Theory”, são questões de socialização, de conflito de papéis, relacionamentos e transições papéis.
           

Teoria da Identidade

Há um descontentamento em relação as teorias citadas a cima, em relação a teoria dos papéis, por esta ter uma visão um tanto determinista da vida social, e no que se refere ao interacionismo simbólico por não ser suficiente para explicar o que motiva e articula as estruturas. Dessa forma será apresentada como se deu o desenvolvimento dessa abordagem.
A teoria da identidade é mais completa para entender a interação entre o self e a sociedade, uma vez que faz uso das ideias da teoria de papéis e do interacionismo simbólico na construção dos aspectos sociais da pessoa. A teoria da identidade parte do pressuposto que a sociedade moderna é altamente complexa, multifacetada, as pessoas são diferentes e ainda assumem múltiplas identidades, uma vez, que participam de diversos grupos.

Tópico 2 - Contribuições Psicológicas

Alguns filósofos e psicólogos como Dewey (1890), Royce (1895), James (1890/1950) e Allport (1955, 1986) argumentaram sobre a inserção do conceito de “self” na ciência moderna da Psicologia. Gordon W. Allport com o intuito de colocar o self como um conceito central da Psicologia consagrou sete temas centrais que devem ser entendidos na Psicologia do Self. Que são: auto-imagem; continuidade do eu ao longo do tempo; auto-conhecimento (que tem uma ênfase no conhecimento corporal); eu como agente regulatório; auto-desenvolvimento e auto-estima; motivos de auto-realização e crescimento; e auto-extensão. Em que esse esquema auxilia na organização do estudo das contribuições psicológicas para a identidade social e psicológica.
A seguir será apresentado duas tendências que contribuem para compreender o que pode esta relacionado com a da identidade social psicológica. De um lado a tradição Norte-America, que preza mais pelo uso do termo “Eu” (self), e que tem uma visão mais individualista deste conceito. Ao tempo que esta tradição que se baseia na teoria da cognição social, lembrando que a perspectiva da cognição social não nega a dimensão social, mas considera como mais relevante as relações interpessoais, colocando as relações inter-grupais em um patamar de menor importância. 
Por outro lado a tradição Européia tem preferência pela terminologia “identidade”, e considera identidade social ou auto-categorização como aspectos de suma relevância para a determinação da identidade. E ainda acrescenta mais uma dimensão social, que são os antecedentes e as conseqüências das identidades compartilhadas. Esse é um aspecto que está representado no tema de auto-extensão de Allport (1968), e que foi criticado principalmente pela tradição Norte-America.
A seguir serão apresentados os temas referentes ao “self” pela tradição Norte-Americana, e logo a seguir, pela tradição Européia.

O Self na Psicologia Norte-Americana

O auto-conceito:
Allport (1968) sugere que as auto-imagens, com habilidades, status, papéis, vontades, são questões que definem “auto-conceito”. Em que estariam dispostos em conjuntos de auto-esquemas, que seriam aonde se organizam as experiências passadas utilizadas para reconhecer e interpretar o ambiente social. Assim, de acordo com Markus (1977) o auto-esquema seria uma generalização cognitiva sobre o self, derivada de experiências passadas do indivíduo. Ainda de acordo com o autor citado acima, o auto-esquema seria um processo que facilitaria o acesso a esquemas e comportamentos importantes, facilitando em tomadas de decisões relevantes; e também eles seriam bastante utilizados na percepção e compreensão de pensamentos, sentimentos e comportamentos dos outros.
Outro conceito trazido pelos autores como Markus & Kunda (1986) é o de auto-conceito de trabalho, onde considera que o eu se caracteriza um elevado grau de multiplicidade e maleabilidade. Em que o self é constituído por uma série de auto-esquemas, e que alguns são acessíveis através de variáveis motivacionais do contexto social, relacionados a crenças, valores, vontades, entre outros. Esse conceito considera o eu como múltiplo e maleável, por considerar a existência de vários auto-esquemas e a acessibilidade destes em diferentes níveis. E o conceito de auto-trabalho para Markus & Nurius (1986) ainda se relaciona com as conseqüências futuras a partir das decisões do presente, chamado de “Eu(s) Possíveis”, que dá a possibilidade de compreender as ações do presente se projetando no futuro (Markus  & Kunda, 1986)
Outra definição do auto-conceito é proposta por Linville (1985, 1987), onde este o define o “eu” como ser representado cognitivamente por auto-esquemas. Em que os auto-esquemas seriam uma categoria social que advém da experiência social, com a função de organizar informações a cerca de si mesmo. Esses auto-esquemas se referem a características físicas, habilidades, funções, preferências, atitudes, traços, associações grupais, entre outras. Essa noção de auto-conceito é bem semelhante a descrita por Markus, mas a abordagem de Linville dá mais ênfase na estrutura do auto-conceito, quando Markus se refere mais ao conteúdo. Onde de acordo com Linville há uma diferenciação entre as pessoas no que se refere ao aspecto estrutural, pois há uma discrepância no número de auto-aspectos, que funciona como uma regulação do bem-estar físico e metal do indivíduo.
No entanto, no que se refere ao auto-conceito outros modelos tem sido proposto na literatura. Como os que definem auto-conceito a partir de hierarquias, protótipos, redes sócias; há também modelos que explicam as variações culturais a partir do auto-conceito. No entanto diante dessas variações a maioria dos modelos estão de acordo com os pressupostos trazidos por Markus e Linville, que consideram o auto-conceito como uma representação cognitiva multifacetada e dinâmica, e que é produto dos vários fenômenos sociais.
Continuidade do eu: 
Este é um conceito que esta intimamente relacionado com a memória, com as lembranças importantes do que foi passado, do que está acontecendo no presente, é a noção da própria existência e percepção de continuidade do eu ao longo do tempo. Assim a o eu e a memória são interdependentes nessa construção do eu.
Para um melhor entendimento da relação existente entre o eu e a memória, Klein (2001) traz a distinção de dois importantes conceitos a respeito da memória. Que é a memória de procedimento, que esta relacionada com aquisição de habilidades perceptuais, cognitivas; e a memória declarativa, relacionada com os fatos e crenças existentes no mundo. Ainda no que se refere a memória declarativa, esta se subdivide em memória declarativa semântica, que se baseia em conhecimentos mais gerais; e em memória declarativa episódica, baseada em eventos mais singulares.
A partir da psicologia clínica e da neuropsicologia, Klein (2001) fala que uma crise no na continuidade do eu tem uma relação agravante com a memória episódica, mas não foi constatado uma relação inversa. E ainda que quando há perda memória episódica há uma diminuição da pessoa se lembrar do passado, no entanto se a memória semântica permaneceu intacta a pessoa ainda é capaz de ter lembranças sobre si sem ter que lembrar de acontecimentos específicos. Porém é a interação da memória episódica com a semântica que vai dá a pessoa a capacidade de construção pessoal e percepção de existência ao longo do tempo.
Auto-Conhecimento:
Este se refere a sensação corporal e percepção material do corpo, e de acordo com Allport (1968) o eu e a sensação corporal estão altamente interligados. E ainda salienta, que nós nem sempre estamos constantemente cientes de nossos corpos, mas podemos facilmente nos tornar cientes deles.
E de acordo com Hoyle et al. (1999) o auto-conhecimento não é adquirido somente pela consciência corporal, mas também pela aparência física, comportamento, humor, pensamentos. As pessoas também são lembradas como objetos sociais, onde a auto-consciência é referida como objetivo do auto-conhecimento, ou seja, o auto-conhecimento tem o intuito que a pessoa adquira uma auto-consciência de si mesma (Duval & Wicklund, 1972). Neste sentido o auto-conhecimeto pode ser desenvolvido tanto por fatores ambientais (que são os outros, objetos, etc.), como por fatores internos (como emoçoes transitórias) (Fiske e Taylor, 1991; Hoyle, 1975). 
A auto-consciência pode ser distinguida em duas tendências, uma que se configura como permanente e outra que é temporária. E ainda podem ser estipuladas entre público e privado. Onde auto-consciência pública é resultado dos próprios aspectos a partir do outro e do que o ambiente permite que a pessoa mostre; ao tempo que auto-consciência privada existe uma relação maior com a própria pessoa em particular.
O auto-monitoramento é uma variavel da personalidade que esta relacionada com a auto-consciência (Snyder, 1987), e que a pessoa consegue perceber e monitorar as diferenças ambientais de acordo com as situações que elas se mostram. Ter um auto-monitoramento se refere à regular e saber onde pode ir, o que pode fazer, o que pode falar, através de pistas situacionais; já quando se tem um baixo auto-monitoramento significa que não há um bom controle sob os comportamento e atitudes internas, deixando-as escapar. Neste sentido as pessoas que tem um alto auto-monitoramento tendem ter maiores níveis de auto-conciência em público.
Eu como agente e sistema regulatório: 
Regular o comportamento continuamente se faz como uma estratégia de sobrevivência, e o “eu” esta envolvido nessa tarefa. Que é um processo de verificar e compreende quais são as necessidades internas, e a realidades que a pessoa se encontra, e qual o planejamento para execussão dos seus objetivos.
Dessa forma a auto-regulação se refere as diversas formas  do “eu”  regular e controlar as próprias ações, estabelecer suas metas, e se preparar cognitivamente para uma certa atividades (Fiske & Taylor, 1991; Hoyle et al., 1999; Markus & Wurf, 1987).
Assim para se ter objetivos e metas, estes dependem das motivações e valores da pessoa, e ainda, do que se busca, do que se crê, do que se espera. Então quando se tem claro as metas a serem alcançadas, há uma preparação cognitiva em relação a selecionar estratégias eficazes para executar o objetivo. E na memória existem alguns scripts para que assim haja facilidade na seleção da estratégia a ser escolhida, e esses  scripts são em função de acordo com o custo e benéfico que tais estratégias trazem para indivíduo (Schank & Abelsn, 1977).
Após a a execução das estratégias, inicia-se outra fase que é a auto-regulação. Esta é relacionada com o controle do comportamento emitido, que é julgado de acordo com critérios e padrões esperados pela pessoa e pela sociedade. Ainda neste sentido a auto-consciência também relaciona-se com o processo mencionado acima, sendo que esta ativa o processo de comparação com o que esta acontecendo e o que se é esperado, e quando é encontrada uma discrepância entre ambos os comportamentos há uma tendência à comportamentos corretivos.
Além disso, pessoas que tem uma elevada auto-consiência privada demonstram dar mais importância aos padrões externos, e quando há uma baixa auto-consciência público é dada ênfase a padrões internos. Também há uma diferença no que se refere ao elevado e baixo auto-monitoramento, onde na primeira situação os comportamentos aprovados estão mais relacionados com julgamentos do ambiente social, enquato na segunda situação essas aprovações são mais relacionadas com critérios internos e pessoais (Hoyle et al., 1999)
Ainda no que se refere ao auto-regulação, as pessoas também selecionam estratégias comportamentais de acordo com as impressões que os outro irão ter, e com suas próprias crenças. E também selecionam situações e pessoas que querem manter uma interação social (Schlenker, 1980).
Auto-desenvolvimento e auto-estima: 
A auto-estima esta relacionada com o amor próprio, e o alcance da auto-estima é motivado por meio do auto-desenvolvimento, e ambo estão relacionados com o processo evolutivo. Onde se fala que desenvovoler auto-estima e auto-desenvolvimento poder ser visto como uma questão de sobrevivência e sucesso, a partir do cuidado que a pessoa tem em relacão a si mesmo (Hoyle et al., 1999).
De acordo com Trivers (1985) em relações interguprais ou interpessoais a auto-estima também pode ser evidênciada e relaciona-se com a evolução dos membros de tal grupo. Onde a auto-estima pode funcionar como uma medida das relações que acontecem no grupo, no sentido de que uma baixa auto-estima de um membro do grupo pode sinalizar uma rejeição, enquanto uma elevada auto-estima indicar uma boa aceitação da pessoa no grupo (Leary et al., 1995; Leary & Baumeiser, 2000).
O auto-desenvolvimento poder ser adaptativo no sentido de que as ações podem promover o ajustamento de comportamentos que não trouxeram sucesso, assim, se ajustando ao que é esperado (Taylor & Brown, 1988).
O auto-desenvolvimento é possivel porque o mundo social é estruturado a partir de várias perspectiva, o que dá espaço para a mudança e desenvolvimento de novas ideias, novas posturas, novas relacionamento, entre outros. Diante dessa possibilidade a auto-estima pode ser previnida de sofrer “danos”, como da uma atribuição a certa causa (ex. “O exame foi muito dificil”); racionalizar situações (ex. “Tenho certeza que aquelas uvas são inatingíveis”); fazer comparações sociais mais inferiores do que seu potencial (ex. “Meu amigo ainda foi pior do que eu no exame”); ter pessimismo compensatório para auto-afirmação (ex. “Eu posso até ser reprovado no exame de matemática, mas sou um bom nadador”); ser defensivo (ex.”Eu tenho certeza que vou me sair mal no exame, então, passar já seria suficiente para mim”)
Além de tais motivações cognitivas, o ambiente social também pode sugerir maneiras para que a auto-estima não seja prejudicada (Fiske & Taylor, 1991; Hayle et al., 1999). Como por exemplo, prevendo que ninguém deixará de fazer uma prova no dia seguinte, a pessoa pode se comportar estratégicamente indo pra uma festa no dia anterior e justificando que se deu mal na prova por conta da festa e não porque ele não é capaz. A auto-estima também pode ser reforçada distanciando-se de amigos que realizam certas atividades melhor do que a própria pessoal, bem como se aproximar de um amigo que tem muito sucesso no que faz (ex. “Eu sou amigo daquele cantor famoso) (Cialdini et al., 1976; Tesser, 19880).
O motivo para o auto-desenvolvimento é algo mais geral, no entanto, o motivo da auto-consciência é citado como mais importanto do que o auto-desenvolvimento (Sedikides, 1993; Sedikides & Strube, 1997; Fiske & Taylor, 1991). Em que pesquisa mostrou que as pessoas tendem a manter uma imagem consistente de si mesmo ou do seu auto-conceito, o que fortalece a auto-consciência e a previsibilidade sobre acontecimentos futuros (Swann, 1996). Assim o comportamento das pessoas são direcionados para sustentar seus auto-conceitos, e assim, diretamente a auto-consciência. Demonstrando que o motivo da auto-consciência pode funcionar em harmonia com o motivo para o auto-desenvolvimento, pois a marioria das pessoas tendem a demonstrar elevada auto-estima, o que pede um auto-desenvolvimento dos conceitos de acordo com as mudanças necessárias.
Porém pessoas com baixa auto-estima reagem com mais afeto negativo aos resultados desfavoráveis, e ainda uma aceitação maior de tais resultados. Demonstrando que essas respostas cognitivas afastam as tranformações, não se deve interpreta-lás como obstáculo da mudança do auto-desenvolvimento e auto-conceito (Sawann et al., 1987).
Assim a articulação entre os motivos de auto-consciência e auto-desenvolvimento é bastante importante, pois essa relação facilita o crescimento e satisfaz as necessidade do “eu” se desenvolver.
Auto-realização e crescimento:
Os motivos para a auto-realização e crescimento, no sentido de tornar-se o que tem potencial para se tornar, tem sido mais discutido por psicólogos humanistas, como Rogers (1959), Maslow (1970). No entanto, em oposição a estes estão as perspectivas Psicanálitica e Behaviorista.
De acordo como psicólogos humanista, o ser é dotado de uma tendência a se desenvolver, crescer e melhorar. Indo de encontro a esse pensamento Allport (1968) fala que a auto-realização e crescimento é fruto da resistência ao equilíbrio.Outros teóricos que tem o pensamento semelhante ao de Allport, falam do desenvolvimento e domínio de competências, e que a noção de possíveis identidades possuem um tendência a auto-realização e assim da espaço ao processo de crescimento para tornar o que se tem potencial para se tornar (Markus & Nirius, 1986).
Assim pensar que as possíveis identidades podem funcionar como guias de motivos de auto-desenvolvimento, possibilita uma interação entre as perspectiva humanista e a abordagem da cognição social.

            A Identidade na Psicologia Social Européia

O tema relacionado a “identidade” de acordo com os psicólogos européus, é a auto-extensão. Neste aspect Allport (1968) considera a capacidade humana de se identificar com grupos de diferentes níveis de significância. E as principais contribuições teóricas a respeito dessa temática é advinda da Psicologia Européia, no entando psicólogos norte-americanos tem se interessado pelo tema de auto-extensão (Aron, Aron & Norman, 2002; Sedikides 7 Brewer, 2001; Smith & Mackie, 2000).
Diante da contribuições do Psicologia Européia a temática da auto-extensão é bem expressada na Teoria da Identidade Social e da Relações Intergrupais (Tajfel & Turner, 1979, 1986), e na Teoria da Auto-categorização (Turner et al. 1987). Logo em seguida serão apresentadas as duas teorias.
Teoria da Identidade social e das Relações Intergrupais (SIT):
Trata-se de uma teoria que analisa as relaçoes intergrupais, dando ênfase ao conflito intergrupal (Tajfel & Turner, 1979, 1986). Esta teoria é impulsionada por clássiocos estudos, como o “experimento dos grupos minímos”, que tentavam compreender o porquê de membros de diferentes grupos discriminarem uns aos outros (Tajfel, 1970, Tajfel, 1971).
A SIT propõe que os membros dos grupos necessitam de uma identidade social positiva  e que é essa afirmação de identidade social que motiva a diferença entre os grupos. Pois quando se considera a sua identidade como sendo positiva, o exogrupo se caracterizará como negativo. Sendo essa teoria direcionada para a discriminação grupal (Turner & Reynolds, 2001).
Para analisar melhor o SIT pode exemplifica-lo a partir da análise da psicologia social das minorias, onde grupos em desvantagens sociais ficam susceptível a adquirir identidade social insatifatória buscando a partir daí estratégias de enfrentamento. Só que as estratégias podem ser individuais ou coletivas, quando são individuais causam desvantagem física e psicólogica para o endogrupo, e quando são coletivas fortalece a identidade social do grupo gerando mudança social. Outra estratégia de grupo é chamada de “criatividade social”, onde os membros do grupo procuram uma identidade positiva através da redefinição de elementos da situação comparativa, que é possivel a partir da comparação entre o exogrupo e o endogrupo (Tajfel, 1974).
Assim, de acordo com SIT a seleção de estratégias para mudança social é determinada a partir de crenças compartilhadas, natureza da estrutura social, permeabilidade de fronteiras do grupo.
A crítica levantada a SIT é no sentido desta ser uma teoria que se foca nas conseqüências da identidade em relação aos conflitos intergrupais, longe de ser uma teoria que sistematize e analise as diferentes variantes da identidade social, seus antecedentes e consequentes.  A seguir será discutida a Teoria da auto-categoriação, que abrange de forma melhor a análise da identidade social.
Teoria da Auto-Categorização (SCT): 
Essa teoria foi elabora por Turner e pode ser vista como com uma extensão da SIT por trazer uma estrutura mais geral do que esta. Sua marca é distinção entre a identidade pessoal e a identidade social, considerando os antecedentes e as conseqüências destas identidades. No que diz respeito a identidade pessoal esta se refere as auto-definições relacionadas ao indivíduo como único, enquanto a identidade social seria a auto-definição como membro de um grupo de acordo com diferenças entre o endogrupo e exogrupo (Turner, 1982).
De acordo com Turner et al. (1987) tanto a identidade pessoal como a identidade social é construída a partir da auto-categorização, e que para Rosch (1978) a auto-categorização ocorre como parte de um sistema hierárquico, onde as identidades podem ser interpretadas em diferentes níveis de abstração. Como exemplo trazido pelo capítulo, em que morar em Berlin é uma identidade de um  nível de abstração maior do que ser morador de um bairro de Berlin, e que os grupos e as pessoas devem ser comparadas de acordo com esses níveis de abstração.
Assim as identidades elas são múltiplas e variadas, ao tempo que as pessoas podem estar inseridas em vários grupos, mas que nem todos fazem parte do mesmo grupo. E tendo essas múltiplas identidades, essas são organizadas e estabelecidas por uma hierarquia de importância (Bruner, 1957a). Essa hierarquia de importância esta relacionada com a adoção de uma identidade particular, onde aquilo que é mais importante para pessoa será tomado como principal para a sua identidade.
Para testar os princípios da SCT que são os antecedentes e conseqüências da identidade social, foram realizadas várias pesquisas empíricas que trouxeram bons resultados. Onde também foi aplicada análise teórica e empírica de uma grande variedade fenômenos psicológicos sócias, como preconceito, estereótipos, coesão grupal, comportamento organizacional
A SCT sugere em primeiro lugar uma visão mais reflexiva do processo de auto-conceito, onde o eu não é visto como esquemas fechados, mas como categorias que podem ser mudadas de acordo com o ambiente (Markus, 1988; Linville, 1985). Em segundo lugar a SCT também reconhece que o que “eu” tem uma continuidade, como parâmetros, padrões e juízos a serem seguidos. E em terceiro lugar, a distinção entre identidade pessoal e identidade social.
Para finalizar Allport (1968) destaca que a identidade social não é somente a identidade pessoal projetada nos membros do grupo, e sim uma categoria social, pois vai além de do indivíduo (Turner & Onorato, 1999).

Diante do que foi exposto é válido ressaltar que as diferenças e discrepâncias entre as perspectivas européia e norte-america a respeito da identidade social, se faz muito importante para a discussão e produção a cerca da temática.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Questões enviadas pelos alunos relacionadas aos textos

Augoustinos, M.; Walker, I.  (2007). Social Cognition – an integrated introduction (p. 67-111). London: Sage Publications.


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> Segundo Augoustinos e Walker (2006), a autoestima seria algo resultante de inferências construídas a partir da avaliação de certos atributos, desempenho ou habilidades. Além disso, essas inferências seriam mediadas por aspectos do eu e atribuições feitas a respeito desses mesmos desempenho e habilidades. Em um estudo realizado por Steele (2004), percebeu-se que estudantes de Harvard e Stanford tinham desempenhos mais pobres quando era preciso se identificarem como negros, mesmo estes estudantes tendo excelentes desempenhos acadêmicos. Os resultados desse estudo indicam que fatores raciais podem ter interferido no desempenho desses estudantes. Neste caso pode-se afirmar que atribuições relativas ao desempenho são, de fato, mediadores importantes para autoestima? Ou no caso de fatores raciais, esse tema precise de um tratamento especial?


> A teoria da identidade Social de Tajfel (1981), afirma que as pessoas são motivadas a buscar aspectos positivos do seu próprio grupo para diferenciá-lo de outros grupos. Neste sentido, quais seriam os aspectos positivos que motivariam alguém a diferenciar o seu grupo de pertença dos demais grupos quando este grupo possuísse aspectos vistos como socialmente negativos, percebidos pelos seus próprios membros?

> Como conciliar uma perspectiva da orientação teleológica do comportamento (a exemplo do conceito de “self possível”, onde a ênfase é dada às expectativas futuras das pessoas, as quais serviriam como motivação para o comportamento atual) com um conceito de self que seja suscetível às relações sociais?

> A teoria das Representações Sociais, segundo o autor, considera as influências sociais no desenvolvimento do self dos indivíduos. No entanto, não fica claro de que forma a teoria concebe o conceito de self. Seria algo interno ou externo aos indivíduos? Pessoal ou compartilhado?

> O self se constitui como relevante na constituição do ser humano. No que se refere à sua constituição, a partir de quais relacionamentos se dá a estruturação do self?

> O que significa dizer que o self tem como uma das suas características ser reflexivo?

> De acordo com Markus (1977), como as estruturas de autoconceito podem influenciar nossas representações no ambiente social?

> Como a teoria da identidade social compreende grupos não tão normatizados, como os grupos informais?

> Na leitura do texto fiquei com a sensação mais concreta de que, apesar das diferenças ontológicas entre as teorias do self predominantes nos EUA e as abordagens discursivas e construtivistas, ambas podem ser complementares umas às outras ao encararmos as múltiplas dimensões dos comportamentos, do próprio self e da subjetividade. No caso da categorização do self, a perspectiva de FOUCAULT parece muito apropriada para entender os parâmetros da "discrepância" do self no grupo e no contexto social, bem como a construção de categorias para o enquadranento das identidades sociais. A própria noção de estima tambem parece associada às recompensas sociais de determinados comportamentos, não? Esta compreensão mais ampla sobre os valores sociais e sobre os regimes de verdade que sustentam e condicionam determinadas praticas sociais pode ser muito útil não apenas do pronto de vista teórico, mas não também para maior eficiência da regulação do self? Será que a constatação de aspectos cada vez mais híbridos das culturas, das identidades, do self e das subjetividades não evidencia também a necessidade de uma evolução teórica na psicologia social para integrar o micro e o macro nas suas análises?

> Uma das cararcterísticas da identidade social é a consciencia que o indivíduo possui o da promoção da sua auto-imagem ou auto-estima para que estabeleça comparações sociais procurando diferenciar-se positivamente dos outros grupos.


> Considerando os planos que as pessoas têm para atingir nos dias de hoje, a identidade social está direcionada para harmonia social ou exclusão social?

> Considerando o self, de que forma a teoria de identidade social pode fazer uma avaliação do que está fazendo em relação aos outros?

> Examinando o conceito de self-evaluation trazido por Augoustinos e Walker, e relacionando-o com os grupos e relações intergrupais vistos anteriormente na disciplina, emerge a questão: De que maneira os grupos dos quais o indivíduo é participante interferem em seu processo autoavaliativo? Visto que, segundo os autores, esta atividade é influenciada pelos graus demotivação, o que configura a “view of themselves as they actually are”?

> Heráclito afirma que não se entra duas vezes no mesmo rio, enunciando a continuidade e reflexo do fluxo temporal sobre a constituição de si. Não somos –nem nós, nem o rio- mais os mesmos no momento do reencontro. A ideia de working self concept aponta neste sentido? É possível dizer que somos o somatório de recortes pessoais visíveis em determinado espaço-tempo?

Fichamento - Identidades Sociais


Augoustinos, M.; Walker, I.  (2007). Social Cognition – an integrated introduction (p. 67-111). London: Sage Publications.

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Por Silvia Cavalcanti R. Fleming e Thiago Siqueira

SOBRE OS AUTORES

MARTHA AUGOUSTINOS (P.h.D.): Professora da Unive rsidade de Adelaide – Austrália. A autora tem interesse na pesquisa da psicologia social do discurso.

IAIN WALKER: Professor da Universidade Murdoch – Austrália. O autor tem interesse de pesquisa sobre mudanças sociais e comportamentais, etnia e migração.

Objetivos do capítulo: O presente capítulo objetiva promover uma discussão entre as diversas abordagens teóricas que tratam do Self e da Identidade. Segundo os autores, o Self refere-se às crenças que as pessoas possuem sobre elas mesmas, enquanto a Identidade diz respeito ao posicionamento do sujeito em relação aos grupos sociais. Atualmente, existem 3 perspectivas teóricas que tratam desta temática:1. Abordagem Sócio-Cognitiva, que domina o atual campo de estudo, 2. Teoria da Identidade Social e 3.Perspectivas Discursivas e Construcionistas.  O modelo cognitivo enfatiza a investigação sobre a estrutura e o conteúdo do self que estão implicados nos comportamentos sociais e nos afetos. Já a teoria da identidade social discute a natureza social do self, que é formado a partir dos grupos sociais e, por fim, a abordagem discursiva, que indica que o self é construído apenas a partir da relação com os outros e, portanto, não é estável.

Argumentação Central: O Self e a Identidade são entidades socialmente formadas, que emergem das relações sociais e do encontro com os outros significativos. A despeito do domínio das abordagens cognitivas sobre o campo de investigação, os autores reforçam continuamente a lacuna social dessas abordagens, pois consideram o self como uma entidade individualizada e descontextualizada da cultura, que a pessoa está imersa.

Tópico 1 – Abordagens Sócio-Cognitivas do Self e da Identidade: Os modelos cognitivos têm dominado o campo de estudo sobre o self, através da investigação da sua estrutura e do conteúdo. Neste tópico, são apresentados os principais modelos teóricos de base cognitiva sobre o Self.

Tópico 1.1 -  O Self como Estrutura de Conhecimento
O self é considerado como o conjunto de todo o conhecimento que a pessoa tem sobre ela mesma. Tudo o que sabemos sobre nós mesmos corresponde ao nosso autoconceito. Isso inclui o conhecimento que temos sobre nossas aspirações, desejos, interesses, habilidades, valores e papeis. Além disso, o auto-conhecimento corresponde a um conjunto de representações simbólicas que estão inter-relacionadas e  que podem mudar de acordo com as situações sociais.
            
Tópico 1.2 – Auto-Esquemas
Os esquemas correspondem a estruturas cognitivas que as pessoas possuem sobre elas mesmas.  Segundo esse modelo, as pessoas podem ser esquemáticas ou não-esquemáticas em relação a determinadas características, de acordo com a centralidade dessa característica no autoconceito do sujeito.  Os esquemas são estáveis e servem para proteger a essência do autoconceito. Markus (1977) realizou um estudo para verificar a centralidade da dimensão dependência-independência entre mulheres e verificou que mulheres esquematicamente independentes tendem a responder mais rápido a adjetivos independentes.
Tópico 1.3 – Estabilidade e Maleabilidade: O Autoconceito de Trabalho
As pessoas tendem a se descrever a partir das características estáveis do seu autoconceito, pois elas tendem a resistir às informações que são inconsistentes com o que acham sobre si mesmas. Contudo, alguns estudos têm demonstrado que o autoconceito pode variar, de acordo com a situação e com a motivação da pessoa. Markus e Kunda (1986) procuraram integrar essa aparente contradição na formulação da teoria sobre o Autoconceito de Trabalho.  Segundo essa teoria, o self global é formado por uma série de auto-esquemas, que estão relacionados a representações da memória, das crenças e dos valores da pessoa.  Por conta da incapacidade do cérebro de processar todas as informações ao mesmo tempo, apenas parte dessas do auto-conhecimento pode ser evocado e assim, apenas parte do autoconceito fica disponível à pessoa. Essa porção do autoconceito que fica disponível em cada situação é chamada de Autoconceito de Trabalho.  O autoconceito de trabalho é composto por diversas auto-representações centrais, que são frequentemente acessadas. Contudo, as auto-representações podem ser influenciadas por diversos fatores, como: fatores transitórios (pistas situacionais, humor e motivação), associação das auto-representações, auto-representações recuperadas para neutralizar uma representação indesejável de si ou para regular algum afeto ou comportamento. Assim, os autores afirmam que a estabilidade do autoconceito é mantida por conta do alto grau de acessibilidade de algumas auto-representações centrais. Por outro lado, a maleabilidade também é percebida nessa teoria, a partir da verificação da acessibilidade de outras representações (em diferentes níveis). Segundo os autores, o conceito de autoconceito de trabalho levanta alguns desdobramentos teóricos:  o autoconceito de trabalho representa uma migração da perspectiva teórica do avaro cognitivo para o sujeito motivacional, pois o autoconceito de trabalho é influenciado pelo o que a pessoa está motivada a acreditar sobre elas e a teoria apresenta uma visão dinâmica e multifacetada do autoconceito, permitindo apresentações inconsistentes do autoconceito. Contudo, essa teoria ainda coloca o self como uma estrutura separada e distinta do social, onde este tem apenas uma função eliciadora de comportamentos.

Tópico 1.4 – Eu(s) Possíveis
Para Markus e Nurius (1986), a capacidade das pessoas de se imaginarem no futuro, de diferentes formas é a chave da motivação, que impulsiona a emissão dos comportamentos e experiências no presente. Assim, essa auto-representação futura promove um contexto em que as escolhas presentes são avaliadas em relação às conseqüências futuras.  Essa auto-representação futura, também chamada de Eu(s) Possíveis ou alternativos são uma faceta do self, que procura promover uma representação integrada com o self atual. Segundo essa teoria, o autoconceito atual é derivado da relação que mantém com as auto-representações futuras; os projetos, metas e aspirações são fundamentais para entender os comportamentos presentes.  Assim, percebe-se que, para essa teoria, o autoconceito é uma entidade dinâmica e capaz de mudanças intencionais, que são inspiradas nas representações futuras.

Tópico 1.5 – Teoria da Auto-Discrepância
Esta teoria é uma tentativa de unificação das diversas teorias que tratam das conseqüências emocionais originadas dos conflitos entre os aspectos internos do autoconceito. Higgins (1987) procurou especificar um conjunto sistemático de relações, considerando a magnitude e a qualidade da discrepância entre o self atual e os padrões do self (Self Ideal e Self “Deveria ser”) e o tipo de afeto associado a tais discrepâncias. Segundo os autores, o Self Ideal é formado pelas aspirações,metas e esperanças, enquanto o Self “Deveria Ser” é guiado pelas regras, normas e obrigações.  Para Higgins(1987), o self atual é avaliado e regulado a partir dos padrões gerados pelos guias (Ideal e “Deveria ser”). A discrepância do self com cada um dos tipos de guia gera afetos negativos e específicos. Assim, discrepâncias do self atual com o Ideal geram afetos de vulnerabilidade, enquanto as discrepâncias com o self “deveria ser” gera afetos de agitação.  Contudo, estudos mais recentes afirmam que a relação entre as discrepâncias e os afetos gerados são menos específicos e mais gerais.  A teoria do Eu(s) Possíveis e da Auto-discrepância aproximam-se na medida que considera que os aspectos não realizados fornecem um contexto fundamental no entendimento do self atual. Contudo, as teorias afastam-se no sentido de que a abordagem do Eu(s) Possíveis acredita que os aspectos não-realizados são motivadores e a teoria da auto-discrepância credita a esses aspectos, a origem de afetos negativos.

Tópico 1.6 – Funções do Self
O self é uma entidade reflexiva e que, por conta dessa característica, possui duas funções importantes: Auto-avaliação e Auto-Regulação.

Tópico 1.6.1 – Auto-Avaliação
A auto-avaliação diz respeito à comparação do self atual com determinados padrões internalizados pelo self. O resultado da auto-avaliação é influenciado pela motivação em realizá-la, pois, a motivação irá guiar a forma como o sujeito busca, presta atenção, evoca e atribui informações sobre si mesmo. Segundo os autores, existem alguns motivos para as pessoas realizarem auto-avaliação: auto-avaliação acurada de informações, para fins diagnósticos; auto-engrandecimento, onde as pessoas concentram-se nas fontes de informações mais favoráveis a ele próprio; auto-verificação, encorajando o sujeito a confirmar as crenças sobre eles mesmos e auto-desenvolvimento, permitindo uma orientação voltada para o futuro, capturando o potencial de mudança e as aspirações do self. A motivação pelo auto-desenvolvimento é uma construção teórica mais recente, desenvolvida por Taylor et al,1995.

Tópico 1.6.2 – Auto-Estima
A auto-estima é um construto largamente investigado pela Psicologia Social e é relacionado a diversos outros conceitos, como violência interpessoal, processamento de informação, atribuição e comparação social.  A auto-estima é um julgamento de valor baseado no auto-conhecimento, formado por inferências originadas da auto-avaliação e pode ser mediada pela atribuição e pela importância do aspecto avaliado.  Segundo Baumeister (1998), ainda não há clareza sobre a relação entre auto-estima e comportamentos positivos, mas há relação entre auto-estima e afetos positivos.

Tópico 1.6.3 – Auto-Regulação
A auto-regulação refere-se ao engajamento e ao monitoramento do comportamento com a intenção de atingir um resultado desejado para si ou de evitar um resultado indesejado. Existem dois aportes teóricos, que procuram explicar a auto-regulação: 1. Teorias Drive-Based, que afirma que a motivação e a auto-regulação são dirigidas pela intenção de reduzir o mal-estar gerado pelas necessidades não atendidas. A teoria da Dissonância Cognitiva (Festinger,1957) faz parte desse aporte teórico, pois afirma que quando a pessoa percebe que possui atitudes/comportamentos inconsistentes, ela experimenta um desconforto psicológico que motiva mudança de atitude/comportamento. 2. Modelo Baseado no Incentivo enfatiza os benefícios das metas no desenvolvimento do self; a atratividade do eu possível promove motiovação para emissão de esforços, que visam alcançar resultados positivos ou evitar os negativos.  A partir desses dois aportes teóricos, os autores apresentam dois modelos, que buscam integrar as teorias apresentadas acima: o Modelo de Processo de Controle da Auto-Regulação e o Modelo do Foco Regulatório.  O Modelo de Controle da Auto-Regulação representa um sistema de auto-regulação humana semelhante a um sistema cibernético de feedback, em que o estado do sistema é comparado, regularmente, a um valor de referência que representa a meta do sistema. Nesse sistema, os valores de referência iniciam o processo com valores altamente abstratos e, a cada verificação, vão ficando mais específicos, para diminuir a discrepância entre o valor de referência e o comportamento. O afeto é produzido por uma segunda ordem de auto-monitoramento do sistema, que é responsável por monitorar o progresso de redução da discrepância entre o estado atual e o valor de referência.Assim, o afeto é originado do sucesso ou da falha dos esforços de reduzir a discrepância e não da percepção da discrepância em si. O modelo do Foco Regulatório é uma reformulação e extensão da teoria da auto-discrepância de Higgins (1997) e afirma que os estudos mostram que as pessoas percebem diferentemente os eventos em termos de resultados negativos ou positivos, de acordo com o tipo de auto-discrepância predominante. Segundo este modelo teórico, o tipo de interação ( desenvolvimento ou segurança) que a pessoa teve na infância, vai definindo o estilo de auto-regulação da pessoa.

Tópico 1.7 – Críticas ao Modelo Sócio-Cognitivo do Self
Os autores levantam algumas críticas à abordagem cognitiva do self, a saber: 1.  Para a abordagem cognitiva, o self está localizado dentro do sujeito, é uma entidade separada do social, que influencia a emissão dos comportamentos e das experiências em determinados contextos. Para as abordagens discursivas, os selves surgem das relações e das ações sociais. 2. A natureza individualizada e descontextualizada do self também é fortemente criticada pelas abordagens discursivas.

Tópico 2 – Abordagens da Identidade Social do Self e da Identidade
Algumas definições preliminares: Identidade social é a posição da pessoa, em relação à posição dos demais dentro da sociedade. Ao escolher uma profissão, religião, estado civil, etc., o individuo está definindo a sua identidade social. Valores diferentes são atribuídos a significações diferentes. Assim, a identidade social reflete a posição que a pessoa possui na sociedade. Teoria da Identidade Social, inicialmente formulada pelos psicólogos sociais Henri Tajfel e John Turner e sua principal área de aplicação é a das relações intergrupais. De acordo com os autores, a Teoria de Identidade Social (SIT) é, explicitamente, uma teoria de comportamento intergrupal. Baseia-se na premissa de que os grupos e categorias sociais de que somos membros fazem parte de nosso senso de self e identidade. De acordo com Tajfel (1981), a identidade social parte daquele nosso autoconceito individual, que deriva do conhecimento da nossa participação em alguns grupos sociais, juntamente com o valor e o significado emocional ligado a esse pertencimento.Alguns exemplos do próprio autor: uma mulher, ou um vegetariano, um aborígene, ou alguém que pertença ao Greenpeace, por exemplo. Todas essas identidades sociais formadas não se representam como fatos sociais neutros sobre uma pessoa, e sim contribuem de modo importante na forma como a pessoa vê, entende e sente sobre si mesmo. Embora a importância (desses tipos de associações de grupo para a identidade) seja um princípio central da teoria, o conceito de identidade é, em certa medida, sub-teorizado. E nem sempre é claro porque os membros do grupo são importantes para a identidade, e como isso pode variar de acordo com outros aspectos do ego e da identidade.
 SIT – TEORIA DE IDENTIDADE SOCIAL
A teoria argumenta que as pessoas são motivadas a pensar bem de si mesmas (Tajfel, 1981; Tajfel e Turner, 1986); E dado que parte do sentimento de autoconceito (self) está ligado à suas identidades sociais (seu grupo social e associações da categoria), a teoria afirma que as pessoas são motivadas a buscar diferenciação positiva para os seus intergrupos.
A SIT tem focado fortemente em mostrar como a importância da motivação para diferenciar positivamente seu grupo de outros tende a produzir favoritismo endogrupal e fenômenos de afastamento e/ou diminuição de outros grupos. Vendo os grupos a que pertencemos, como sendo superior aos outros, as pessoas são capazes de reforçar a sua identidade social e melhorar a sua autoestima.

Tópico 2.1 - Identificação
Esta hipótese relacionada à autoestima tem recebido apoio de alguns estudos que mostram que o aumento da autoestima decorre das oportunidades de diferenciação positiva, mas também tem sido fortemente contestada (Brown, 2000; Long e Spears, 1997; e Turner, 1999). Sobre identificação e auto-estima, a ênfase de Tajfel (1981) é, em sua definição original, sobre o significado e valor emocional ligado à associação com o pertencimento (ou adesão) a um grupo social. Mas deixa claro que tal adesão não é suficiente para o desenvolvimento de uma identidade social. A SIT atenta para a importância da psicologia individual, enfatizando o papel do processo de identificação em moderar as consequências da identidade social para o self. Trabalhos teóricos e empíricos recentes sobre identidade social tendem a considerar a identificação como uma característica estável dos membros do grupo. Por exemplo, Doosje e Ellemers (1997) compuseram uma série de estudos de investigação sobre respostas (com altos e baixos níveis de estímulos identificadores) em situações onde as suas identidades sociais estavam ameaçadas. A SIT sugere que a resposta mais comum em contextos de ameaça a identidade social é o aumento do reforçamento da identidade endogrupal, havendo quase sempre julgamentos e comparações intergrupos (diferenciação positiva).Contudo, as circunstâncias e as realidades sociais regulam este fenômeno, podendo ocorrer níveis altos e baixos de identificação. Por exemplo: torcedores de um time de futebol, num longo período de derrotas, terão dificuldade de perceber seu time como mais talentoso que os times que vem sendo campeões.   

Tópico 2.2 – Identidades Sociais Adquiridas e Atribuídas
Uma dimensão, ao longo do qual os membros de um grupo ou categoria variam, é o grau em que uma pessoa é capaz de escolher se deve ou não ser um membro. Membros de grupos sobre os quais temos pouco ou nenhum controle pessoal são considerados atribuídos (identidades sociais atribuídas, por exemplo, categorias como sexo, etnia). Enquanto membros que escolhemos, mais ou menos livremente, são ditos adquiridos (identidades sociais adquiridas, ex: colegas de ocupação, filiação partidária, etc.).Esta distinção não repousa sobre se a identificação está sendo livremente escolhida ou não, mas, sim, de como ela é percebida pelos outros. Embora ambos, (adquiridos e os membros do grupo atribuídos), são rotineiramente utilizadas como base para fazer julgamentos sobre as pessoas, as bases destes diferem em aspectos importantes: Os membros do grupo com identidades sociais adquiridas podem ser vistos como uma expressão de atributos pessoais, preferências, crenças e valores. Julgamentos feitos com base em membros de grupos de identidades sociais atribuídas são mais propensos a refletir suposições sobre as características que se acredita ser naturalmente associado a esse grupo, como por exemplo, que uma mulher vai ser mais emocional do que um homem, etc.

Tópico 2.3 – Teoria da Auto-Categorização 
Os autores iniciam este subtema com as seguintes indagações, que nos suscitam boas reflexões:“O que faz com que um membro (ou uma característica) de um importante grupo social possa influenciar no nosso comportamento e na nossa experiência em algumas situações e em outras não?”“Por que às vezes refletimos mais sobre os aspectos que nos diferenciam dos outros, nos tornando únicos, enquanto em outros momentos direcionamos nossa consciência para os fatores que nos aproximam dos outros, para os aspectos em comum?”Nesse sentido, segundo os autores, a SCT (Self-Categorization Theory) é uma extensão da SIT (Social Identity Theory) (Turner, Hogg, Oakes, Reitcher e Wetherell, 1987). A SCT argumenta que nossa identidade social reflete nosso posicionamento no mundo. Nos envolvemos quando estão em questão os interesses particulares dos grupos sociais em que convivemos, quando estes fazem sentido para nós.Assim, três níveis de identidade podem aparecer:Nível Superior ou Super-ordenado – Nível Humano: Self como ser humano. Nossas semelhanças com os outros, as coisas que temos em comum enquanto humanidade, isso dá contorno externo a nossa identidade.Nível Intermediário – Nível Social: Self como membro de um grupo. Nossa identidade está centrada na consciência simultânea das semelhanças e diferenças; semelhanças entre nós e os membros dos nossos grupos internos são contrastadas com as diferenças entre nós e os membros de um grupo externo (identidade social).Nível Subordinado - Nível Pessoal: Self como indivíduo. Nossa unicidade, as características individuais que influenciam à formação da nossa identidade.Auto-categorização em um nível ou outro segue o princípio do meta-contraste. Categorização sempre ocorre dentro de um contexto social, que nunca pode ser generalizado. Em qualquer contexto, sempre existem possibilidades classificatórias diversas.

Tópico 2.4 – Políticas de Identidade 
As proposições dos autores nos levam a reflexões, tais como: Como desenvolver uma política universal sobre Identidade uma vez que esta é mediada pelos diversos contextos?Há espaço para a razão na formação das identidades sociais?São mutáveis as identidades sociais? Devem ser constantemente reformuladas. Segundo aos autores, o importante é perceber que as teorias contemporâneas têm demonstrado que as identidades sociais não são o reflexo objetivo das posições sociais nas quais o sujeito se localiza e nem são derivadas de princípios de uma verdadeira natureza interior, classe ou raça. A emergência da identidade está relacionada com uma posição política do homem e dos grupos frente a outros homens e grupos

Tópico 3 – Disciplinas Psis e Discursos do Self/ Abordagens Discursivas do Self e da Identidade
Os autores chamam atenção para o fato de que há outro ponto de convergência ao se falar de identidade nos Estudos Culturais e na Semiologia dos Discursos Sociais: a atuação dos sistemas de representação, que classificam o mundo e as relações sociais, num processo de relações de poder. Toda prática social é marcada pela linguagem e, portanto, pela ideologia e pelas as disputas de poder. As identidades, como sistema de relações e representações, são diversas e cambiantes, negociadas nas práticas sociais e nos sistemas simbólicos, por meio dos quais os sentidos são atribuídos a posições de sujeito.



terça-feira, 10 de abril de 2012

Questões enviadas pelos alunos relacionadas ao texto:


Stangor,C. (2004). Social Groups in Action and Interaction (p. 1-27). New York: Psychology Press.

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> Common Themes, define a cultura como sendo um amplo grupo de individuos que estão normalmente em proximidade geografica entre si e que compartilham um conjunto comum de normas sociais.Hoje, atendendo o desenvolvimento da tecnologia, o mundo tornou-se uma aldeia (globalização). As pessoas mesmo não estando em proximidades geograficas, atraves dos meios de comunicação social, assimilam e internalizam hábitos e costumes de outros povos ou países. Como enquadrarmos a definição de Themes nos dias de hoje?

> O mesmo teórico (Themes) define multidões, como sendo uma coleção temporaria de um grande número de pessoas que se reunem em um lugar comum para um proposito comum.As pessoas que se encontram temporariamente num dos mercados de Salvador ou na sala de espera do aeroporto da mesma cidade têm propositos comuns? 

> Na atualidade, podemos arriscar dizer que os grupos sociais sao cada vez mais hibridos em contextos urbanos ao termos uma diversidade de interacoes grupais com coesão relativamente mais tênues sem deixar de serem grupais? A identidade social nao estaria cada vez mais difusa nos grupos em sociedades globalizadas nas quais os indivíduos, no cotidiano, participam e se identificam com grupos bem difusos e até discrepantes, sem por isso deixar de pertencer a cada um deles, mesmo que com menor coesão?

> Como podemos pensar a complexidade das normas nas formações grupais quando consideramos que estas normas são construções sociais que os grupos (re)produzem ao as atualizarem nas suas interações? Ao mesmo tempo em que há normas que regem os grupos, elas não são apenas criações dos grupos nem do indivíduos isoladamente, mas sao também a incorporação, no grupo, de normas sociais e discursos mais amplos? Os múltiplos grupos dos quais participamos poderiam ser então considerados entes intermediários na constituição, legitimação e transformação dos sistemas sociais complexos?

> Em que mediada a complexidade das novas formações grupais também complexificam as interações sociais e a constituição das subjetividades se considerarmos que na atualidade os grupos não são mais tão delineados, estáveis e identificáveis quanto já foram em outros momentos da história? Haveria uma mudança substantiva nos processos grupais ou apenas uma intensificação de seus processos já conhecidos e descritos nas ciências sociais?

> Segundo o texto, o grupo social possui uma estrutura composta por normas, papeis e status. A partir desse conceito, existe diferença entre normas e valores?

> De que maneira os processos de grupo (entitativity, coesão e identidade social) influenciam as características do grupo (similaridade, interação, interdependência e estrutura)?

> Existe articulação entre o conceito de identidade social e percepção social de Kurt Lewin? Se sim, qual?

> Certas revisões em psicologia social cognitiva, talvez por uma questão didática, dividem as perspectivas sobre os estudos de grupo em estudos interacionista (baseados no grupo) e baseados no indivíduo. Entretanto, não é incomum encontrar estudos definidos como de base individualista que se baseiam em resultados de estudos interacionistas e vice versa. Neste caso, será que ainda é possível crer que há uma barreira teórica definida entre essas duas abordagens na psicologia social?

> Quando alguém faz parte de uma determinada categoria social, como a categoria negro, mesmo que esse alguém não se perceba parte dessa categoria, seria possível afirmar que essa pessoa sofreria influência de certas pressões referidas a essa categoria? Essa pessoa possuiria traços atitudinais, comportamentais, entre outros por pertencer a essa categoria, mesmo não se vendo como membro dela?

> Embora existam níveis de análise, como o texto propõe, fiquei na dúvida de que forma a Psicologia Social como um todo, por meio dos conteúdos ligados aos Grupos e suas Relações Intergrupais, situa e balanceia o interesse pelas problemáticas individuais dos sujeitos que compõem determinado grupo social, sem perder de vista o enfoque grupal? Apesar da análise que o texto traz a respeito dessa questão, será que ao estudar as especificidades individuais dos integrantes de um grupo, estar-se-á estudando o grupo?

> Lendo o texto, não percebi citações ou referências à obra de Pichon Rivieri, que desenvolveu a Teoria dos Grupos Operativos. Apesar de temas afins e abordagens ao menos complementares, houve alguma interação dos autores com a obra de Pichon? De que maneira que os aspectos da dinâmica intergrupal de Pichon Rivieri se relacionam com os aspectos levantados pelos autores em questão?

> O processo denominado "deinviduation", está associado ao que LeBon chama de "social contagiation", em que as emoções se espalham pela multidão gerando ações que por sua vez resultam em fatores negativos. Considerando a aproximação a nível de grupo, como descreve Stangor, como coletivo dotado uma "mente de grupo", o contágio social não seria iniciado em uma perspectiva individual? Como se configura o início do processo? Quem "starta" o movimento?

> Como entender o nível de "entitavity" em comunidades virtuais onde os interagentes não estão envolvidos em uma relação face a face? Como definir os parâmetros para formação de grupos coesos em mundos virtuais como o Second Life, por exemplo?